A santidade híbrida
Eduardo Hoornaert – 31/10/2019. Foto – oregional.com.br A Irmã Dulce (1914-1992), religiosa que atuou em Salvador da Bahia, ao ser canonizada santa em Roma no domingo, 13 de outubro de 2019 sob o nome Santa Dulce dos Pobres, entra na longa lista de santos e santas que se fizeram marcar por um exercício excepcional da luta a favor dos excluídos da sociedade sem, contudo, contestar a estruturação dessa mesma sociedade no sentido de criar e perpetuar tal exclusão.
De um humilde galinheiro nasceu um “império do amor”
Em conversa com a sobrinha de Dulce Lopes Pontes, a freira brasileira que será canonizada no dia 13 de outubro. Francesco M. Valiante – L’Osservatore Romano, 17/07/2019 Será a primeira mulher nascida no Brasil a ser canonizada. Mas a sua fama precedeu de muito o reconhecimento oficial da Igreja, se considerarmos que até mesmo o grande escritor Jorge Amado, ligado a ela por uma particular veneração, já em vida a chamava de “santa Dulce da Bahia”. Para todos foi a “mãe dos pobres” do país. E de fato, mesmo nas suas feições miúdas e mirradas, a Irmã Dulce Lopes Pontes , no século Maria Rita – a Missionária da Imaculada Conceição da Mãe de Deus que o Papa Francisco proclamará santa em 13 de outubro – lembrava a figura de Teresa de Calcutá, com a qual tinha em comum a dedicação total aos necessitados e aos sofredores. Conheceram-se em 1979, na favela dos Alagados, onde as freiras dos sáris brancos e azuis tinham aberto uma casa.