Porquê um tão longo silêncio (II) – Clericalismo, abuso do poder e ausência de debate

… CONTINUAÇÃO Ignace Berten, OP| 13 Ago 19 |  Foto: Os casos de abuso sexual na Igreja Católica. Ilustração © Christian Seebauer/Wikimedia Commons Tradução: Florbela Gomes  Na segunda parte do seu texto (cujo primeiro capítulo se pode ler aqui), Ignace Berten analisa as causas do manto de silêncio com que a hierarquia da Igreja Católica tentou esconder as práticas de abusos sexuais. A Igreja, por meio dos seus atores institucionais, faz questão de manter a sua imagem de guardiã da ordem moral da sociedade e da influência que deseja ter nesse campo. O autor, padre dominicano belga e teólogo, aponta o clericalismo católico como um dos elementos mais decisivos da atual conjuntura eclesial e traça um percurso para enfrentar a crise.

“Um olhar de fé para além dos escândalos”. Artigo de Marcelo Barros

Marcelo Barros – 21 Maio 2019 – Sodoma (Foto: Divulgação) “Não tenho nenhuma dúvida de que nos ambientes da hierarquia e do clero católico, há muita gente boa, séria, consagrada ao seu ministério, que não merece esse tipo de acusação feita pelo livro de Martel. Posso garantir que, entre bispos e padres, tanto mais velhos como jovens, muitos vivem a fé e o testemunho do reino com toda consagração. Tanto no episcopado, como no clero e institutos religiosos, seja entre conservadores, seja entre os mais abertos, há muita doação e generosidade missionária”, escreve Marcelo Barros, monge beneditino, escritor e teólogo brasileiro, em artigo publicado por Religión Digital, 20-05-2019.

«O celibato obrigatório não faz sentido», P.e Anselmo Borges em entrevista ao «Público»

  Natália Faria – Feb 21/02/2019 – Foto: Adriano Miranda Anselmo Borges, padre e professor de filosofia da Universidade de Coimbra, não espera grandes anúncios do encontro entre o Papa e os presidentes das conferências episcopais do mundo inteiro, mas diz acalentar a esperança de ver os candidatos a padres sujeitos a um escrutínio psicológico e formados fora dos seminários. A ordenação de mulheres e de homens casados e o fim do celibato obrigatório – defende ainda – são imprescindíveis.

Abusos. Uma reunião paralela desafia o Vaticano

Andrés Beltramo Álvarez – 20 Fevereiro 2019 Foto: Vítimas de agressões sexuais cometidas por religiosos posam em frente à Praça de São Pedro, Vaticano / (AFP)  A imprensa já a batizou de “contra-cúpula”. Ou reunião paralela. Organizações de defesa das vítimas de pedofilia mobilizaram-se em grupo a Roma para fazer chegar sua mensagem à reunião de bispos de todo o mundo sobre os abusos sexuais, convocada pelo Papa e que vai acontecer esta semana. Elas são coordenadas pelo projeto de justiça global “Ending Clergy Abuse” (ECA, fim dos abusos clericais) e já alcançaram seu primeiro objetivo: serão recebidos pelos organizadores da reunião no Vaticano. A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, 19-02-2019. A tradução é de André Langer.

”Na Igreja, precisamos de testemunhas, não de mestres.” Entrevista com Franz Jung, bispo de Würzburg, Alemanha

Die Tagespost -18 Janeiro 2019 O bispo alemão da diocese de Würzburg, Franz Jung, em uma entrevista para o jornal Tagespost, respondendo às perguntas de Oliver Maksan, Regina Einig e Kilian Martin, 09-01-2019, traçou um quadro de uma Igreja pastoralmente renovada e capaz de futuro. O ponto de partida é que uma era já acabou – a de uma Igreja de povo, como era no passado –, e não é mais possível continuar assim. São necessárias ideias, propostas e iniciativas novas. Quais? A entrevista foi republicada por Settimana News, 16-01-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

A Igreja e o sexo

Anselmo Borges – 12 Janeiro 2019 Duas jovens interrogaram o Papa Francisco sobre a sexualidade, perguntando concretamente se o facto de pertencerem à primeira geração que ousa falar abertamente destes temas não explica as incompreensões e o silêncio embaraçado dos mais velhos. Francisco respondeu: “A sexualidade, o sexo, é um presente de Deus. Não é de modo nenhum um tabu. É um dom de Deus, um presente que o Senhor nos dá. Tem dois objetivos: amar-se e gerar vida. É uma paixão, e um amor apaixonado. O verdadeiro amor é apaixonado. “

O 2018 do Papa, um balanço à luz da “Alegria do Evangelho”

Repassamos o ano de Francisco, com suas alegrias e aflições, olhando para os acontecimentos de 2018 através das lentes da Evangelii Gaudium   Sergio Centofanti– 31/12/2018 Este ano, como disse o Papa Francisco em seu recente discurso de felicitações de Natal à Cúria, foi difícil para a Igreja, “investida por tempestades e furacões”. Precisamente por isso, podemos ler melhor o ano de 2018 do Papa, à luz de sua primeira Exortação Apostólica, a Evangelii gaudium, que no mês passado completou 5 anos. De fato – escreve Francisco – “é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo em meio às piores angústias”.

“O ministério ou a vida consagrada não é o lugar (dos homossexuais)”, considera Francisco

Fernando Prado – 01/12/2018 – Foto: @scarRomano No dia 3 de dezembro, estará à venda o livro La fuerza de la vocación (Publicações Claretianas). Trata-se de uma entrevista do claretiano Fernando Prado com o Papa Francisco sobre o passado, o presente e o futuro da vida consagrada. Um livro claro e corajoso, no qual Francisco não foge de nenhuma pergunta. Nem sequer da polêmica questão da homossexualidade na Igreja, que Religión Digital adianta com exclusividade. O fragmento do livro é publicado por Religión Digital, 30-11-2018. A tradução é do Cepat.

O Sínodo da Juventude: uma síntese dos tempos de crises

Wagner Fernandes de Azevedo | 08/11/2018 Foto: comshalom.org Quando o Sínodo dos Jovens foi convocado em 2016 pelo Papa Francisco, a expectativa da contínua sinodalidade do seu pontificado, e legada do Vaticano II, era por uma assembleia transformadora. O Sínodo da Família, em 2014 e 2015, resultou na exortação Amoris Laetitia. Pouco digerida e aceita nos setores conservadores, acentuou uma oposição pública a Francisco.

Uma igreja, dois papas: a “guerra” entre Bento e Francisco

Fernanda Câncio – 02/11/2018 –  Foto: Bento XVI e Francisco: dois papas diferentes – © REUTERS/Tony Gentile Ao contrário do previsto, Bento não se enclausurou num convento para nunca mais ser visto ou ouvido, e, de acordo com uma análise publicada na revista Vanity Fair, não se inibe de mandar recados e arregimentar tropas. Mais uma pedra no sapato de Francisco, sem mãos a medir face à tempestade do abuso sexual.