Mudança epocal. Com a abolição do segredo pontifício, documentos mais acessíveis para os magistrados e transparência para as vítimas de abuso sexual
Francesco Antonio Grana – 18 Dezembro 2019 A “virada que marca época” pretendida por Bergoglio ocorre após um longo período de gestação iniciado em fevereiro com a cúpula mundial sobre os abusos. Agora será mais fácil para as autoridades civis obter documentações das dioceses, assim como as vítimas terem informações sobre o resultado de suas denúncias. A reportagem é de Francesco Antonio Grana, publicada por Il Fatto Quotidiano, 17-12-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.
Porquê um tão longo silêncio (II) – Clericalismo, abuso do poder e ausência de debate
… CONTINUAÇÃO Ignace Berten, OP| 13 Ago 19 | Foto: Os casos de abuso sexual na Igreja Católica. Ilustração © Christian Seebauer/Wikimedia Commons Tradução: Florbela Gomes Na segunda parte do seu texto (cujo primeiro capítulo se pode ler aqui), Ignace Berten analisa as causas do manto de silêncio com que a hierarquia da Igreja Católica tentou esconder as práticas de abusos sexuais. A Igreja, por meio dos seus atores institucionais, faz questão de manter a sua imagem de guardiã da ordem moral da sociedade e da influência que deseja ter nesse campo. O autor, padre dominicano belga e teólogo, aponta o clericalismo católico como um dos elementos mais decisivos da atual conjuntura eclesial e traça um percurso para enfrentar a crise.
Reformando a Igreja ‘sem possibilidade de retorno’
Como o Papa Francisco está iniciando processos de reforma da Igreja que será difícil reverter Robert Mickens, Roma, 28/06/2019 . Foto: international.la-croix.com Quantos cardeais são necessários para ajudar o Papa Francisco a reformar a Cúria Romana? E de quantos anos eles precisam para fazer o trabalho? Muitos católicos – ao menos aqueles que estão esperando que o papa possa ter sucesso em descentralizar o poder eclesial do Vaticano – ficaram frustrados porque, após cerca de seis anos, não houve respostas definitivas para estas questões. Depois de se reunir cerca de cinco vezes por ano, o Conselho dos Cardeais (um corpo inicialmente composto por oito membros ou C8, ampliado logo depois para C9 e mais recentemente diminuído para C6) ainda não deu ao papa uma versão final de uma nova constituição apostólica para reformar as repartições centrais da Igreja. Mas eles estão chegando perto.
Bispo alemão afirma que somente uma nova teologia pode salvar a Igreja
Christa Pongratz-Lippit – 7 Junho 2019 Foto: YouTube Heiner Wilmer da diocese de Hildesheim, Alemanha, disse que o abuso de poder clerical está destruindo o catolicismo. A reportagem é de Christa Pongratz-Lippit, publicada por La Croix International, 25-06-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.
Antes de abordar o clericalismo, vou dizer: Amo ser padre
Pe. Peter Daly – 25/06/2019 Foto: (Dreamstime / Diego Vito Cervo) Tradução: Orlando Almeida James Carroll afirma numa edição recente da revista The Atlantic que o sacerdócio precisa ser abolido antes que a igreja possa ser reformada. Garry Wills, no seu livro de 2013 Why Priests? [Por que os padres?], diz que os padres são uma camarilha que se auto-perpetua e uma tomada de poder medieval, contrária à igualdade de todos os crentes.
Fim da lei do celibato dos padres?
Anselmo Borges, 22/06/2019 Foto: Padre, com esposa e filho / Centro de Vocações Anglicanas do Brasil Se no próximo Sínodo sobre a Amazónia, “os bispos concordassem em ordenar homens casados, o Papa, na minha opinião, aceitaria essa posição. O celibato não é um dogma, não é uma prática inalterável”. (cardeal Walter Kasper) Isso não seria nada de extraordinário. De facto, no catolicismo de rito oriental, continua a ordenação de casados e os padres anglicanos casados que se convertem são aceites na Igreja católica na condição de casados. Mais importante: a lei do celibato, como ficou dito, não é um dogma de fé, mas uma medida disciplinar.
Cardeal Marx defende reforma católica profunda e provoca onda de reacções
Temas como o poder, o celibato, a moral sexual e a participação de mulheres e leigos têm de ser discutidos, defendeu o arcebispo de Munique. António Marujo | 24 Mar 19 | O cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique. Foto © Klaus D. Wolf/Erzbischöfliches Ordinariat München Mas há quem note que a reforma pretendida ainda não avançou e que as declarações colocam o cardeal Marx “a fazer figura de palrador”. As recentes declarações do cardeal alemão Reinhard Marx, defendendo uma reforma profunda da Igreja que passe pela discussão de temas como os abusos clericais e sexuais, o papel das mulheres na Igreja, a moral sexual católica e o celibato, provocaram reacções genericamente positivas mas também algumas reservas, ao longo desta última semana.
“A não aceitação da renúncia do cardeal Barbarin revela os limites da governança do Papa”. Entrevista com François Mabille
Sophie Lebrun – 21 Março 2019 Foto: Francisco e Barbarin – Vatican Media /CPP/CIRIC Enquanto o Papa recusou a renúncia do cardeal Philippe Barbarin, condenado em primeira instância pelo Tribunal de Lyon por não ter denunciado crimes de pedofilia, e que entrou com recurso, o arcebispo decidiu “retirar-se” como pastor da diocese. Análise de uma situação inédita realizada por François Mabille, pesquisador do grupo Sociedades, Religiões, Laicidades (GSRL) do CNRS. A entrevista é de Sophie Lebrun, publicada por La Vie, 20-03-2019. A tradução é de André Langer.
‘Se eu publicasse as minhas gravações, o vaticano explodia’
Cardeais homossexuais praticantes, padres que pagam para ter sexo com rapazes e até um teólogo que adotou um prostituto e o tratou como a um filho. No Armário do Vaticano (ed. Sextante) descreve de forma perturbadora o que se passa no seio da Igreja e como o Papa está a tentar mudar o sistema. José Cabrita Saraiva – 4 de março 2019 . Foto: No Armário do Vaticano (ed. Sextante) descreve de forma perturbadora o que se passa no seio da Igreja e como o Papa está a tentar mudar o sistema. / Jornal SOL – Sapo Graças à sua rede de contactos na comunidade gay, Frédéric Martel teve acesso à vida íntima de padres, bispos e cardeais no Vaticano. O resultado da sua investigação de quatro anos é um livro explosivo sobre a predominância das tendências homossexuais entre os prelados e a guerra que o combate à hipocrisia promovido pelo Papa Francisco desencadeou na Santa Sé. O autor sabe que vai chocar: “E digo a católicos: ‘Talvez não gostem do meu livro. Talvez não o queiram ler. Talvez achem que eu sou um mentiroso. Mas [se tudo se mantiver como está] nos próximos 50 anos vão continuar a ouvir esta história, todos os anos terão bispos acusados de abusos sexuais. Vai ser muito doloroso para vocês’. A nosso ver, pequenas imperfeições na sua leitura bíblica, não lhe tiram o mérito da grande pesquisa.
Francisco e a ira de Deus. Artigo de Raniero La Valle
Raniero La Valle – 27 Fevereiro 2019 Foto: Um raio sobre a cúpula de S. Pedro / photos.com.br “É difícil encontrar entre os antecessores de Francisco um papa corajoso como ele. De fato, ele teve a coragem de repensar a fundo a Igreja e de mostrá-la com palavras e gestos simples como uma Igreja possível. E talvez aqui esteja uma chave para entrever um futuro que hoje ainda nos parece tão velado e coberto.” A opinião é de Raniero La Valle, jornalista e ex-senador italiano, em artigo publicado em Chiesa di Tutti, Chiesa dei Poveri, 29-02-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.