”Estou confiante: a reforma do celibato será feita, caso contrário as vocações entrarão em colapso.”
Entrevista com Adriana Valerio Giovanni Panettiere – 07/06/2019 – Foto: Padres em Berlim / pixabay Padres celibatários: nem sempre foi assim. Pedro, o primeiro papa da história, era casado; Paulo, solteiro apaixonado por Deus, considerava-se uma exceção entre os discípulos de Cristo. A teóloga Adriana Valerio, professora de história do cristianismo na Universidade Federico II, de Nápoles, reconstrói as razões que levaram definitivamente a Igreja, com o Concílio Lateranense II (século XII), a excluir do matrimônio os presbíteros do rito latino (é diferente o caso das comunidades católicas orientais). Seu ponto de vista é particular, de uma estudiosa, além de esposa de padre. A reportagem é de Giovanni Panettiere, publicada por Quotidiano.net, 03-06-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Quando padres assumem paternidade: “primeiro as pessoas e não a instituição”
Diocese do Porto fala em assumir erros e garantir bem-estar das crianças. Conferência Episcopal não tem orientação oficial para estes casos, mas segue directrizes do Vaticano. Aline Flor – 2 de Junho de 2019, Foto: Sandra Ribeiro Um padre com dois filhos, as paróquias que desconheciam o caso, uma história longe de ser a única sobre um tema que até pouco tempo atrás era tabu. O Jornal de Notícias noticiou neste sábado a história de Manuel Sousa, responsável por três paróquias no concelho de Lousada, pai de duas crianças de diferentes relações e que durante cinco anos escondeu essa parte da sua vida dos seus congregados.
Teólogos repreenderam bispos da Alemanha e pediram que reflectissem sobre «poder, celibato e moral sexual na Igreja»
Christa Pongratz-Lippitt Teólogos da Alemanha foram convidados a preparar um “dia de estudos” com a Conferência dos Bispos do país, durante a sua assembleia de primavera, entre os dias 11 e 14 de março, na Diocese de Osnabrück. Eles não mediram palavras, mas orientaram os bispos abertamente para os “defeitos sistémicos” da Igreja.
Poder, celibato e moral sexual: um vínculo destrutivo para a Igreja, opina teóloga alemã
Delphine Nerbollier – 30 Maio 2019 Foto: Ansgar Koreng O “vínculo destrutivo agora impossível de negar” é entre “poder, celibato e moral sexual na Igreja”, disse uma professora de teologia dogmática aos bispos da Alemanha. A reportagem é de Delphine Nerbollier, publicada por La Croix International, 27-05-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Cardeal Marx defende reforma católica profunda e provoca onda de reacções
Temas como o poder, o celibato, a moral sexual e a participação de mulheres e leigos têm de ser discutidos, defendeu o arcebispo de Munique. António Marujo | 24 Mar 19 | O cardeal Reinhard Marx, arcebispo de Munique. Foto © Klaus D. Wolf/Erzbischöfliches Ordinariat München Mas há quem note que a reforma pretendida ainda não avançou e que as declarações colocam o cardeal Marx “a fazer figura de palrador”. As recentes declarações do cardeal alemão Reinhard Marx, defendendo uma reforma profunda da Igreja que passe pela discussão de temas como os abusos clericais e sexuais, o papel das mulheres na Igreja, a moral sexual católica e o celibato, provocaram reacções genericamente positivas mas também algumas reservas, ao longo desta última semana.
“A não aceitação da renúncia do cardeal Barbarin revela os limites da governança do Papa”. Entrevista com François Mabille
Sophie Lebrun – 21 Março 2019 Foto: Francisco e Barbarin – Vatican Media /CPP/CIRIC Enquanto o Papa recusou a renúncia do cardeal Philippe Barbarin, condenado em primeira instância pelo Tribunal de Lyon por não ter denunciado crimes de pedofilia, e que entrou com recurso, o arcebispo decidiu “retirar-se” como pastor da diocese. Análise de uma situação inédita realizada por François Mabille, pesquisador do grupo Sociedades, Religiões, Laicidades (GSRL) do CNRS. A entrevista é de Sophie Lebrun, publicada por La Vie, 20-03-2019. A tradução é de André Langer.
SEIS ANOS DEPOIS: DESAFIOS PARA FRANCISCO
Anselmo Borges, 17/03/2019 Foto: Francisco visita famílias de Padres casados, em Roma / CTV José Arregi, diz que: “todo o feminismo é um machismo com saias” “Sim, o problema talvez tenha que ver com saias, mas com as saias do clero com sotaina. Tem muito que ver com o clericalismo que sacraliza e enaltece os clérigos, que exalta a figura desencarnada de Maria Mãe e Virgem para assim humilhar a mulher de carne e osso, que impõe o celibato como estado mais perfeito e sagrado, que ‘sacrifica’ o sexo a troco de poder sagrado e hierárquico, que reprime e por isso exacerba a sexualidade.
Por que a Igreja oficial reluta a discutir a sexualidade e a lei do celibato
Leonardo Boff – 13/03/2019 – Foto: Carta Maior / Daqui: Por que a Igreja romano-católica não abole a lei do celibato? Porque seria contraditório à sua estrutura de base. Ela é, socialmente, (teologicamente demandaria outro tipo de reflexão) uma instituição total, autoritária, patriarcal, machista e fortemente hierarquizada. Uma Igreja que se estrutura ao redor do poder sagrado realiza o que C. G. Jung denunciava: “onde predomina o poder aí não há amor nem ternura”. É o que ocorre com o machismo e a rigidez, não em todos, mas em significativa parte dos padres e bispos que presidem as comunidades cristãs.
Francisco, seis anos depois: que há de bom, de mau e de misericordioso. Artigo de Thomas Reese
Thomas J. Reese – 14/03/20169 – Foto: América Latina en movimiento “Para Francisco, a Igreja não é um clube de campo para os bons e os belos. Pelo contrário, é uma ‘Igreja pobre para os pobres’, um ‘hospital de campanha’ para os feridos. É por isso que ele enfatiza a compaixão e a misericórdia.” O comentário é do jesuíta estadunidense Thomas J. Reese, ex-editor-chefe da revista America, dos jesuítas dos Estados Unidos, de 1998 a 2005, e autor de “O Vaticano por dentro” (Ed. Edusc, 1998), em artigo publicado por Religion News Service, 13-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
‘Se eu publicasse as minhas gravações, o vaticano explodia’
Cardeais homossexuais praticantes, padres que pagam para ter sexo com rapazes e até um teólogo que adotou um prostituto e o tratou como a um filho. No Armário do Vaticano (ed. Sextante) descreve de forma perturbadora o que se passa no seio da Igreja e como o Papa está a tentar mudar o sistema. José Cabrita Saraiva – 4 de março 2019 . Foto: No Armário do Vaticano (ed. Sextante) descreve de forma perturbadora o que se passa no seio da Igreja e como o Papa está a tentar mudar o sistema. / Jornal SOL – Sapo Graças à sua rede de contactos na comunidade gay, Frédéric Martel teve acesso à vida íntima de padres, bispos e cardeais no Vaticano. O resultado da sua investigação de quatro anos é um livro explosivo sobre a predominância das tendências homossexuais entre os prelados e a guerra que o combate à hipocrisia promovido pelo Papa Francisco desencadeou na Santa Sé. O autor sabe que vai chocar: “E digo a católicos: ‘Talvez não gostem do meu livro. Talvez não o queiram ler. Talvez achem que eu sou um mentiroso. Mas [se tudo se mantiver como está] nos próximos 50 anos vão continuar a ouvir esta história, todos os anos terão bispos acusados de abusos sexuais. Vai ser muito doloroso para vocês’. A nosso ver, pequenas imperfeições na sua leitura bíblica, não lhe tiram o mérito da grande pesquisa.