O papa não é um alvo a ser acertado. Artigo de Michele Giulio Masciarelli
Michele Giulio Masciarelli – 06 Fevereiro 2020 Se a redescoberta da “colegialidade episcopal” foi a grande novidade do Vaticano II, a redescoberta da “sinodalidade”, como forma e estilo da Igreja, foi a feliz surpresa deste segundo pós-Concílio, vivido com o pontificado do Papa Francisco que, enfatizando um dos temas centrais do Vaticano II (o “povo de Deus”), promoveu, de fato, o retorno ao Concílio, depois de se ter sofrido muito com a tentativa prolongada de obscurecê-lo. A opinião é do teólogo italiano Michele Giulio Masciarelli, sacerdote da Arquidiocese de Chieti-Vasto, professor da Pontifícia Faculdade Marianum, em Roma, e do Istituto Teologico Abruzzese-Molisano, em Chieti, na Itália, em artigo publicado por Settimana News, 04-02-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Papa Francisco deu “licença” ao arcebispo Gänswein para ele ter mais tempo para Ratzinger
António Marujo | 5 Fev 2020 | Foto: O arcebispo Georg Gänswein, prefeito da Casa Pontifícia e secretário pessoal do Papa emérito Bento XVI, presidindo, em Julho de 2017, às exéquias do cardeal Joachim Meisner. © Raimond Spekking/Wikimedia Commons O arcebispo Georg Gänswein, prefeito da Casa Pontifícia e secretário pessoal do Papa emérito Bento XVI, estará desde há duas semanas mais confinado ao mosteiro Mater Ecclesia, no Vaticano, onde reside Joseph Ratzinger, tendo deixado praticamente de aparecer ao lado do Papa Francisco nas cerimónias oficiais em que era suposto estar. Por trás da decisão e do desaparecimento público de Gänswein está a polémica provocada pela publicação do livro Do Fundo dos Nossos Corações, cuja autoria é do cardeal Robert Sarah e do Papa emérito.
Bento XVI pede retirada do seu nome de livro que defende celibato clerical
Publicação em coautoria com o cardeal Robert Sarah havia gerado dúvidas sobre a relação entre os dois papas Daniel Verdú, 14/01/2020 Foto: DCM O rocambolesco caso protagonizado por Bento XVI e a publicação de um livro em que questionava a possível ordenação de homens casados, a poucas semanas de seu sucessor, o papa Francisco, tomar uma decisão sobre o assunto, teve uma nova reviravolta nesta terça-feira. O ex-pontífice, após o alvoroço midiático gerado, pediu que seu nome seja retirado como coautor do polêmico livro que ameaça seu relacionamento com Francisco e tornou a fazer dele a bandeira dos adversários do Papa numa guerra ideológica que já dura vários anos.
“Não sou co-autor do livro do cardeal Sarah”
KathPress – 14 Janeiro 2020 – Foto: Land Steirmark “O papa emérito Bento XVI não foi informado sobre a publicação do livro que aborda a questão do sacerdócio e do celibato”, informa Gänswein, secretário particular de Joseph Ratzinger. A informação é publicada pela agência católica austríaca KathPress, 14-01-2020.
Uma contribuição sobre o celibato sacerdotal em filial obediência ao Papa
<img src=”/content/dam/vaticannews/agenzie/images/reuters/2019/05/12/10/pope-francis-ordains-new-priests-and-conducts-1557649735707.JPG/_jcr_content/renditions/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg” alt=”Ordenações sacerdotais” class=”cq-dd-image”> (Dois Artigos sobre o assunto) Andrea Tornielli – 13 janeiro 2020 Foto: Ordenações sacerdotais Editorial Vatican News / Daqui O Pontífice emérito e o cardeal-prefeito da Congregação para o Culto Divino debatem em um livro um tema sobre o qual o Papa Francisco se expressou várias vezes.
Pedofilia, séquitos em guerra e cúria gay: o que ‘Dois Papas’ não conta
O filme de Fernando Meirelles sobre Bento XVI e Francisco estreia na Netflix e provoca um debate sobre se adoça ou reflete fielmente a política do Vaticano GREGORIO BELINCHÓN – Madri – 18/12/2019 Foto: Um fotograma de ‘Dois papas’, com Jonathan Pryce e Anthony Hopkins. “Não tive a intenção de limpar a imagem do Vaticano, mas de fazer um filme honesto que fala de corrupção e outras questões, como o abuso de crianças.” Em seu habitual tom amável, Fernando Meirelles (São Paulo, 64 anos) deixa clara sua posição no filme Dois Papas, em resposta a uma pergunta do EL PAÍS.
Vaticano muda linguagem humilhante e agressiva aos padres que pedem dispensa do celibato
A evolução da linguagem usada nos Rescritos de Dispensa do Celibato e a visão de Igreja e de Padre casado subjacentes a essa linguagem. João Tavares, 29/09/2019 Foto: Francisco com Famílias de Padres casados, nos arredores de Roma / RD Este Site e os Padres casados do mundo inteiro, vimos seguindo, desde a década de 70 a linguagem nada cristã e bem pouco humana usada pela Cúria romana quando, às vezes depois de mais de 20 anos de espera, resolve dar a Dispensa do Celibato e obrigações conexas, ao padre que pediu para sair do ministério. Temos versões de Rescritos (é o nome técnico do documento) desde Paulo VI até ao papa Francisco e notamos, com a publicação da recentíssima versão atual, ordenada por Francisco, a evolução da linguagem usada e a visão de Igreja e de Padre casado subjacentes a essa linguagem.
“Um olhar de fé para além dos escândalos”. Artigo de Marcelo Barros
Marcelo Barros – 21 Maio 2019 – Sodoma (Foto: Divulgação) “Não tenho nenhuma dúvida de que nos ambientes da hierarquia e do clero católico, há muita gente boa, séria, consagrada ao seu ministério, que não merece esse tipo de acusação feita pelo livro de Martel. Posso garantir que, entre bispos e padres, tanto mais velhos como jovens, muitos vivem a fé e o testemunho do reino com toda consagração. Tanto no episcopado, como no clero e institutos religiosos, seja entre conservadores, seja entre os mais abertos, há muita doação e generosidade missionária”, escreve Marcelo Barros, monge beneditino, escritor e teólogo brasileiro, em artigo publicado por Religión Digital, 20-05-2019.
“Como é possível que o Papa tenha sucesso e a Igreja católica esteja em crise?”. Entrevista com Luca Diotallevi
Domenico Agasso Jr – 22 Março 2019 – Foto: Eli B / Flickr “Francisco procura retomar com vigor o caminho da reforma eclesial, iniciada por Paulo VI e que depois daquele pontificado conheceu uma perda de intensidade e direção até o gesto decisivo e marcante da renúncia de Bento XVI“, afirma ao Vatican Insider o sociólogo Luca Diotallevi, autor do livro “Il paradosso di Papa Francesco, la secolarizzazione tra boom religioso e crisi del cristianesimo” . Diotallevi, professor de sociologia na Universidade de Roma Tre, já colocou em discussão algumas aquisições tradicionais da sociologia religiosa em ensaios como “A ordem imperfeita, modernização, estado, secularização” e “Fim da corrida, a crise do cristianismo como religião confessional”. A reportagem é de Domenico Agasso Jr., publicada por Vatican Insider, 03-03-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.
Quando e por que a Igreja Católica passou a impor o celibato aos padres
Edison Veiga – De Milão para a BBC News Brasil, 15/09/2018 Foto: Hoje em dia o celibato é necessário para quem quer se tornar sacerdote na Igreja Católica /Direito de imagem: PASCOM/SÃO ROQUE Image caption Não há nada que indique que a Igreja Católica vá rever a norma a curto prazo, mas o próprio papa Francisco já afirmou: o celibato clerical, ou seja, o voto que obriga os padres a permanecerem castos, não é um dogma de fé – e, sim, um regulamento da Igreja. Dogmas são coisas que a Igreja considera “verdades absolutas”: pontos fundamentais e indiscutíveis de sua fé, que portanto não podem ser modificados. São dogmas, por exemplo, a ressurreição de Cristo e a Santíssima Trindade.