Os segredos dos Arautos: o que escondem as muralhas de castelos habitados por grupo católico ultraconservador

Cinco castelos espalhados pelo país abrigam milhares de crianças e jovens brasileiros sob os cuidados de uma comunidade religiosa que pratica rituais secretos. Pais acusam instituição de crimes como abuso físico e psicológico. Vaticano e Ministério Público investigam.   MIRELLE PINHEIRO – DAVID ÁGAPE – 23/08/2019 5:30 Foto: Rafaela Felliciano Vestidos com hábitos em estilo medieval, correntes na cintura e botas de cavalaria, homens e mulheres apresentam movimentos minuciosamente ensaiados, semelhantes aos executados por militares. Constroem basílicas e moram em palácios que lembram castelos europeus. Eles seguem à risca um manual de costumes, estudos, orações. Devem manter, também, disciplina de pensamento. São os Arautos do Evangelho, comunidade de pouco mais de 3 mil pessoas no Brasil que nasceu com base em dogmas católicos e está submetida a uma rotina de princípios ultraconservadores. Esse grupo também abriga crianças e jovens que vivem em regime de internato.

  Arautos, a doutrina secreta: “Corrêa incentiva a morte do Papa”

Andrea Tornielli –  14/06/2017 Tradução: Orlando Almeida Um vídeo mostra Mons. João Clá – o superior demissionário da associação leiga que é investigada pelo  Vaticano –  dando crédito a teorias inquietantes reveladas por um suposto demônio. Exaltação semi-divina do fundador da TFP e da sua mãe –  O fundador dos Arautos Scognamiglio Clá Dias – Publicado em 14/06/2017

Arautos do Evangelho, o fundador afasta-se, enquanto o Vaticano investiga

João Scognamiglio Clá Dias, 77 anos, demitiu-se do cargo de superior geral mas continua a ser o “pai” do instituto. A Congregação para os Religiosos está investigando devido às esquisitices de cultos milenaristas  e exorcismos realizados invocando os nomes dos fundadores Andrea Tornielli, 12/06/17 Tradução: Orlando Almeida Foto:  monsenhor João Scognamiglio  Clá Dias (foto: Arautos do Evangelho) Mons. João Scognamiglio Clá Dias, de 77 anos, fundador e superior geral da sociedade clerical de vida apostólica “Virgo Flos Carmeli” e presidente da associação privada de fiéis denominada Arautos do Evangelho, a primeira criada e aprovada no novo milênio, renunciou. Com uma carta datada de 12 de junho de 2017 anunciou que renuncia ao cargo para que um de seus filhos espirituais “possa conduzir esta Obra à perfeição desejada por Nossa Senhora”.