No Brasil, a banalização da morte é um programa político. O escândalo genocida da vida é tratado como irrelevante. Entrevista especial com José de Souza Martins
Patrícia Fachin – 26 janeiro 2021 – Foto: DAQUI Em 2021, 412.880 brasileiros morreram em decorrência da pandemia de Covid-19, e os dados mais recentes indicam que, além da emergência sanitária, a crise social foi agravada: 20 milhões de pessoas estão passando fome no país, 13 milhões estão desempregados, 38 milhões estão ocupados na informalidade e o número de favelas dobrou em dez anos. Essas “anomalias”, pondera José de Souza Martins, “vêm revelando, mais do que em outras situações, o que sociologicamente somos e temos dificuldade para reconhecer e compreender. Até mesmo na peculiar vulnerabilidade que expõe o que é o nosso atraso social, nosso despreparo político para enfrentar situações adversas e de emergência, nosso crônico subdesenvolvimento econômico e suas consequências sociais”.