Igreja “em saída” e exercício da autoridade: além de um “lugar comum” do magistério recente. Artigo de Andrea Grillo

Andrea Grillo – 31/03/201 O “retorno ao Concílio” do Papa Francisco parece estar marcado pela exigência de “restaurar autoridade” à ação eclesial. Só assim ela poderá sair da “tentação da autorreferencialidade”. Mas, para fazer isso, ela deve assumir uma abordagem diferente à tradição. A Igreja não se reconhece como uma “história fechada”, como um “museu de verdades a se conservar”, mas como um “jardim a se cultivar”. A opinião é do teólogo italiano Andrea Grillo, leigo casado, professor do Pontifício Ateneu S. Anselmo, de Roma, do Instituto Teológico Marchigiano, de Ancona, e do Instituto de Liturgia Pastoral da Abadia de Santa Giustina, de Pádua. O artigo foi publicado no seu blog Come Se Non, 22-03-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“O dinheiro é todo lavado da mesma forma”

Sónia Sapage – 04/04/2016 –  Foto: Luís Sousa é professor da Univ. de Aveiro. PEDRO CUNHA/ARQUIVO: Luís de Sousa, 42 anos, não vê novidades no modus operandi revelado pelo caso Panama Papers, que envolve um número ainda indefinido de figuras da política, das empresas, do desporto e das artes, em mais um escândalo de dinheiro enviado para offshores  naquele país centro-americano. “Isto não é novo”, diz. “Não é a primeira vez que acontece e não há-de ser a última.”

Sobre o radicalismo islâmico

 Anselmo Borges – 02/04/2016 “Querido mundo muçulmano, sou um dos teus filhos afastados que te olha de fora e de longe. O que é que eu vejo melhor do que outros, precisamente porque te vejo de longe e com os meus olhos severos de filósofo? Vejo-te a dar à luz um monstro que pretende denominar-se Estado Islâmico e a que alguns preferem dar um nome de demónio: Daesh. Mas o pior é que te vejo a perder-te – perder o teu tempo e a tua honra – na recusa de reconhecer que este monstro” – Abdennour Bidar

‘Panama Papers’ atingem políticos de ao menos sete partidos brasileiros

PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB são as legendas cujos integrantes aparecem na lista Gil Alessi  – São Paulo 4 ABR 2016  Foto: O deputado federal Newton Cardoso (PMDB-MG). L. Macedo Ag. Cam. Políticos de ao menos sete partidos brasileiros têm contas em empresas offshores (Clique e veja)  no exterior abertas pela companhia panamenha Mossack Fonseca, especializada em camuflar ativos usando companhias sediadas em paraísos fiscais. PDT, PMDB, PP, PSB, PSD, PSDB e PTB são as legendas cujos integrantes aparecem na lista batizada de Panama Papers, onde constam milhares de nomes de titulares de offshores.

A crise dos alinhamentos político-religiosos dentro do catolicismo

Massimo Faggiolli, 31 de março de 2016  “A opção neoconservadora idealiza uma Igreja clerical e hierárquica que epitomiza uma não recepção do Vaticano II. A opção ortodoxa radical idealiza uma Igreja cuja teologia, na verdade, aprendeu com a praça pública e com a interação no domínio da política (a ideia de liberdade religiosa, só para mencionar um exemplo). Essa eclesiologia tende a enxergar a Igreja como uma contrassociedade que mascara a tentação de uma Igreja como societas perfecta”, escreve Massimo Faggioli, professor de história do cristianismo e diretor do Institute for Catholicism and Citizenship, na University of St. Thomas, nos EUA. O artigo foi publicado por Global Pulse, 29-03-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Desafios de futuro à revolução cubana

Frei Betto – 31/03/016 Com a abertura do mercado cubano a investimentos estrangeiros, os EUA, que raciocinam em cifrões, não querem ficar atrás da União Europeia, do Canadá, do México, do Brasil e da Colômbia, que selam importantes parcerias com a Ilha revolucionária. “Em vez de isolar Cuba, estamos isolando somente o nosso país, com políticas ultrapassadas”, disseram em carta a Obama os parlamentares estadunidenses Patrick Leahy (democrata) e Jeff Flake (republicano) ao retornarem de Havana.

O maniqueísmo é o ópio dos tolos

O Brasil encontra-se dividido entre as pessoas que pensam como nós (os bons, inteligentes e honestos) e as que pensam diferente de nós (os maus, burros e corruptos) Luiz Ruffato – 30 MAR 2016    Foto: Ricardo Moraes Reuters – Tensão entre manifestantes contrários e a favor ao Governo Dilma, em Brasília, no dia 17 de março.  “O dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues definiu certa vez o Brasil como a “pátria de chuteiras”. … O país mudou, o futebol entrou em decadência, e transferimos e aprofundamos nosso ardor para a política.  Envergando a toga da intolerância e sentados na cadeira das certezas absolutas, avaliamos implacáveis uns aos outros, condenando, cegos pelo ódio e pelo ressentimento, todo aquele que de nós ousar divergir, mesmo que minimamente.”

O xadrez do fim da síndrome de Pilatos no STF

Luis Nassif Sexta, 01 de abril de 2016  “Hoje, as nuvens que se formam no céu político indicam o seguinte: 1. Boa probabilidade da tese do impeachment na Câmara não ter quórum; 2. Rearticulação da base política do governo, em bases precárias; 3. Novas tentativas de golpe através do TSE”, escreve Luis Nassif, jornalista, em comentário publicado por Jornal GGN, 01-04-2016. Segundo ele, há a “necessidade de se passar à opinião pública o sentimento de urgência para abrir espaço para um pacto que impeça o aprofundamento da crise”.

Golpe parlamentar não pode ser confundido com impeachment.  Entrevista especial com Luiz Moreira

“O processo de impeachment hoje em curso na Câmara dos Deputados é claramente um artifício para dar ares de legalidade a um golpe parlamentar”, afirma o ex-integrante do Conselho Nacional do Ministério Público.  A conjuntura dos últimos dias, que tem acentuado a crise política, segue um “roteiro” “por todos conhecido”, o qual envolve uma “aliança” entre o Judiciário, o Ministério Público e a polícia e a mídia, “com o propósito de obter apoio de parcelas da população às chamadas fases da operação Lava Jato”, diz Luiz Moreira à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. Através desse “pacto”, frisa, está em curso “um projeto que estabelece supremacia do sistema de justiça criminal sobre a democracia”.

“Se não reformarmos o Islã vamos bater contra um muro”

Líder religioso acredita que os terroristas são, em sua maioria, jovens que não conhecem o Islã Ana Carbajosa – Bruxelas 28 MAR 2016 Foto: Hocine Benabderrahmane, imã de uma mesquita de Bruxelas e Líder Reformista. BERNARDO PÉREZ Hocine Benabderrahmane é um conhecido imã [sacerdote muçulmano] reformista de Bruxelas que se sente derrotado. Historiador, de origem argelina, pensa que os salafistas estão ganhando a batalha, que se o Islã não for reformado, vai se chocar contra um muro e que é preciso desconstruir o discurso extremista com argumentos teológicos. Benabderrahmane dirige um centro de reflexão islâmica e dá cursos para jovens nas mesquitas de toda a Bélgica. “Todos os dias vejo jovens radicalizados que acreditam que só existe uma versão do Islã”, lamenta.