Educação no Brasil vive clima de ditadura
Esse medo de professores e alunos com relação às ameaças do MEC pode ter sido a causa da forte diminuição de público nas manifestações de quinta-feira JUAN ARIAS – 01/06/2109 Foto: Manifestantes protestam em São Paulo. MIGUEL SCHINCARIOL AFP Junto com o descalabro econômico que poderia levar o Brasil a uma recessão técnica, o clima de medo nas instituições educacionais públicas é um dos pontos cruciais do novo Governo de extrema direita presidido por Jair Bolsonaro. A tal ponto que no mundo da educação já se vive um clima de ditadura e medo perante as ameaças impostas pelo ministro Abraham Weintraub.
A maior mobilização da história do Brasil: desafios
Luís Alberto de Gomes de Souza – 7 Maio 201 – Foto: Romerito Pontes/ Flickr “Onde estão projetos alternativos? Pelo momento é um enorme clamor que pode derrubar montanhas de ignorância acumulada. Mas sucedidas por quê? Esse é o momento desafiante que temos pela frente”, escreve Luiz Alberto Gomez de Souza,
Que estratégia político-terapêutica para um governo deliroide?
Tenho considerado que a performance de José de Abreu, já abraçada por vários outros políticos aliados, pode funcionar como uma grande oficina terapêutica a céu aberto Rita Almeida – 10/03/2019 – Imagem: Daqui Não acho prudente, nem ético, usar a psicanálise para diagnosticar ou analisar pessoas fora do meu consultório, mas é totalmente possível ou aceitável utilizá-la para analisar conjunturas político-sociais. Mas, nem é preciso entender de psicologia para perceber que o Bolsonarismo tem um componente deliroide bastante forte. As tão faladas “Fake News” exemplificam muito bem o que eu chamo aqui de deliroide: verdades construídas a partir de fragmentos ou de indícios de realidade e tornadas verdades universais.
Pensamento crítico e colaboração são mais importantes que fórmulas de matemática na educação do século 21, diz especialista do MIT
Letícia Mori – Da BBC News Brasil em São Paulo Direito de imagem GETTY IMAGES – Image caption O ensino com base em competências não tem divisão em disciplinas como o método tradicional Para o aluno do século 21, habilidades como pensamento crítico, colaboração e criatividade são muito mais importantes que o ensino por meio de fórmulas prontas ou conteúdo memorizado e sem contexto. Conteúdos tradicionais como matemática ou mesmo mais novos, como linguagem de programação, de nada adiantam se forem ensinados sem aplicação no mundo real e sem ensinar as crianças a raciocinar. É o que diz a especialista americana em educação Jennifer Groff, co-fundadora do Center For Curriculum Redesign e pesquisadora do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), onde ela lidera o desenvolvimento do design de jogos para uso em sala de sala.
Em carta aberta, professor da UFMG rebate Vélez: ‘sem preparo ou dignidade’
Carta de um Professor ao Ministro da Educação Valter Lúcio de Pádua – 03/02/2019 Senhor Ministro, Tomei conhecimento por diversos meios de comunicação que V. Exa. se referiu a brasileiros como sendo “canibais”, que roubam objetos de hotel e assentos salva-vidas de aviões. Senti-me pessoalmente ofendido com a fala de V. Exa. e imagino que a grande maioria dos brasileiros que tomaram conhecimento do fato estão igualmente indignados.
Como eu descobri o plano de dominação evangélico – e larguei a igreja
Túlio Gustavo – 01/02/2019 Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos – Foto: Sergio Lima/AFP/Getty Images. . Dentre as muitas comparações possíveis feitas com a figura do presidente Jair Bolsonaro, espero que não estejamos diante de uma espécie de Imperador Constantino do século 21 responsável pela neopentecostalização da República. Quanto a Damares, não a menosprezem. Ela sabe muito bem o que quer dizer.
Grupo de escolas de elite divulga carta crítica ao ministro da Educação
Quatro instituições de ensino pedem que Ricardo Vélez Rodriguez não permita que “o país entre numa rota de retrocesso” Clara Cerioni – 07/01/2019 Foto: Vélez Rodriguez: chefe do MEC costuma dar declarações sobre “ideologia de gênero” e “ideologias marxistas” (Valter Campanato/Agência Brasil) Senhor Ministro, sua biografia informa que é autor de mais de 30 obras e professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército. Também é mestre em pensamento brasileiro pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ); doutor em pensamento luso-brasileiro pela Universidade Gama Filho; e pós-doutor pelo Centro De Pesquisas Políticas Raymond Aron. Com tanto lastro intelectual, é difícil acreditar que V. Excia considere a Escola sem Partido “providência fundamental”. Afinal, é um grupo de amadores, que carece de saberes básicos sobre educação, e que divulga fantasias sobre influência de partidos políticos sobre estudantes dentro de escolas de Ensino Fundamental e Médio. Com tanto embasamento cultural, esperamos que Vossa Excelência não aceite esses ataques ao conhecimento.
CARTA ABERTA A DAMARES ALVES, EXCELENTÍSSIMA MINISTRA DA MULHER, FAMÍLIA E DIREITOS HUMANOS
Essa carta foi escrita pela Professora Márcia Friggi, do Estado de Santa Catarina. O texto é longo, mas vale a leitura. Marcia Friggi – 06/01/2018 Foto: VEJA.com veja.abril.com.br Foto: A ministra Damares Allves / semprefamilia.com.br Marcia Friggi publicou fotos com o rosto ensanguentado no Facebook. Agressões aconteceram dentro da diretoria de uma escola municipal em Indaial (SC). “Somos nós, Senhora Ministra, que muitas vezes percebemos a automutilação em alguns alunos e ela não se deve ao nosso trabalho de “doutrinação” como a senhora tenta afirmar, ao dizer que confundimos nossas crianças com a “ideologia de gênero”. Os adolescentes que chegaram até mim com automutilação, viviam um cotidiano familiar desestruturado. Desestruturado no seio da “família tradicional” que a senhora tanto defende.”
Ciências econômicas e sociais no ensino médio na França: uma reforma ideológica
Pierre Merle, Professor Associado de Economia e Ciências Sociais (Espe* de Bretagne) – 8/11/2018 Foto: Sala de aula no Liceu Charles Magne / Getty Images – Tradução: Orlando Almeida Os novos programas de ciências econômicas e sociais simplesmente esvaziam as principais questões sociais, ambientais e sociológicas. Como esse ensino possibilitará a compreensão do mundo contemporâneo, condição de democracia?
“Bolsonaro derrotou mais a direita do que a esquerda”. Entrevista com Bernard-Henry Lévy
Filósofo lamenta a “pornografia política” do presidente eleito brasileiro, a quem compara com Nicolás Maduro Tom C. Avendaño – 27/11/2018 – Imagem: IHU Bernard-Henri Lévy visita o Brasil em um de seus momentos mais turbulentos, quase como nos tempos em que este filósofo, formado igualmente entre maoístas e holofotes, ainda estava construindo sua reputação de pensador de ação e ia ao Irã nos anos setenta ou à Bósnia nos anos noventa. Vestido com seu eterno uniforme – terno escuro camisa branca parcialmente desabotoada – com o qual se tornou um dos pensadores mais midiáticos e conhecidos da França e de grande parte da Europa, Lévy (Argélia, 1948) vai direto ao problema entre goles de chá em um hotel em São Paulo: “Todo o mundo está olhando para o Brasil.