Bolsonaro, 1964 e o negacionismo como política
Entendendo Bolsonaro* Igor Tadeu Camilo Rocha – 28/03/23019 Foto: Bolsonaro passa em revista as tropas / Marcos Corrêa/PR Na semana que marca os 55 anos do golpe de 31 de março de 1964, que deu início ao mais recente período ditatorial da história republicana do Brasil, tendo chegado ao fim em 1985, o presidente Jair Bolsonaro determinou que se fizessem as “comemorações devidas” à data. Com a iminência da solenidade, a ser realizada nesta sexta-feira (29), o assunto foi pauta de entrevista concedida pelo presidente ao jornalista José Luiz Datena, da TV Bandeirantes, na última quinta-feira (27). Perguntado a respeito,Bolsonaro negou que tenha havido ditadura no período.
Que estratégia político-terapêutica para um governo deliroide?
Tenho considerado que a performance de José de Abreu, já abraçada por vários outros políticos aliados, pode funcionar como uma grande oficina terapêutica a céu aberto Rita Almeida – 10/03/2019 – Imagem: Daqui Não acho prudente, nem ético, usar a psicanálise para diagnosticar ou analisar pessoas fora do meu consultório, mas é totalmente possível ou aceitável utilizá-la para analisar conjunturas político-sociais. Mas, nem é preciso entender de psicologia para perceber que o Bolsonarismo tem um componente deliroide bastante forte. As tão faladas “Fake News” exemplificam muito bem o que eu chamo aqui de deliroide: verdades construídas a partir de fragmentos ou de indícios de realidade e tornadas verdades universais.
Direita usa moralismo como arma desde antes da ditadura, diz historiador
Professor da Universidade da Califórnia San Diego, Benjamin Cowan discute o uso do discurso moralista pelo presidente Jair Bolsonaro, diz que isso ecoa o que foi usado durante a ditadura militar e explica que este tipo de mobilização política é usado pela direita ao longo da história do país. Daniel Buarque – 10/03/2019 – Foto: Daqui A publicação de um vídeo obsceno pelo presidente Jair Bolsonaro colocou em evidência a importância do discurso em torno de valores morais conservadores que levaram à sua ascensão ao posto mais alto do Executivo. O professor de relações internacionais na FGV Matias Spektor comentou o caso em sua coluna na Folha e indicou que este tipo de ativismo moralista deve ser visto como “um ato político da maior importância”, um “expediente de longo pedigree nos anais da história brasileira”. Autor da principal referência para compreender o uso deste tipo de discurso por políticos ultraconservadores no Brasil desde a década 1920, historiador Benjamin Cowan alega que é possível relacionar este tipo de discurso moralista histórico com a ascensão de Bolsonaro, justificando a manutenção deste tipo de ativismo no novo governo brasileiro.
‘Governo virou República da caserna’, diz líder do DEM na Câmara
Vera Rosa – Brasília 04/03/2019 Foto: Elmar Nascimento, líder do DEM na CâmaraImagem / Reprodução O protagonismo dos militares no governo de Jair Bolsonaro está incomodando potenciais aliados. Para o líder do DEM na Câmara, deputado Elmar Nascimento (BA), o presidente precisa melhorar muito sua relação com o Congresso, se não quiser ter problemas em votações consideradas prioritárias, como a reforma da Previdência. “O governo saiu da política de sindicato e passou para a república da caserna”, afirmou o deputado, em uma referência ao número de militares no primeiro, segundo e terceiro escalões da máquina federal, em contraposição à quantidade de sindicalistas nas gestões petistas. Além de comandar a bancada do DEM, Elmar é líder do “blocão”, grupo que reúne 301 dos 513 deputados e ajudou a reconduzir Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara. Na avaliação do deputado, Bolsonaro precisa chamar a classe política para ser “sócia” de seu projeto. Nesta entrevista, ele negou, porém, que isso signifique um toma lá, dá cá.
Militarização atinge 2º e 3º escalões do governo Bolsonaro
Após a indicação para o comando de oito ministérios, presidente expande presença de integrantes das Forças Armadas; já são pelo menos 103 em diversos postos Tânia Monteiro, Adriana Ferraz, Carla Bridi, Matheus Lara e Tulio Kruse, – 03/03/2019 Foto: Bolsonaro na solenidade de Passagem de Comando do Exército / Marcos Corrêa/PR O governo de Jair Bolsonaro vai ampliar a militarização na máquina pública federal, com a entrega para a Marinha de postos de comando nas superintendências de portos, no Ibama e no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio). Após a nomeação para ministérios importantes, os militares agora são chamados a ocupar também cargos no segundo e terceiro escalões. Veja aqui o mapa completo de onde estão os militares no governo. Bolsonaro na solenidade de Passagem de Comando do Exército (Foto: Marcos Corrêa/PR)
Os fantasmas que podem derrubar Bolsonaro
Juan Arias – 19 Fevereiro 2019 Foto: Posse de Bolsonaro / Isac Nobrega – PR O agora ex-ministro Bebianno é o mais novo personagem que pode assombrar o Governo. Soma-se a Queiroz,Adélio e ao ex-policial possivelmente envolvido no assassinato de Marielle Franco, escreve Juan Arias, jornalista, em artigo publicado por El País, 18-02-2019.
Desempregados não se interessam por ‘menino veste azul e menina veste rosa’ e só querem que a vida melhore, diz economista
Ingrid Fagundez – 10 Janeiro 2019 Foto: Marcelo Camargo – Agência Brasil Os milhões de desempregados no Brasil querem ver a vida melhorar e não se interessam se “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”, como declarou a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, na semana passada. A análise, da economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute, em Washington, destaca o principal desafio que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, têm pela frente: colocar a economia nos eixos, independentemente de uma “agenda de costumes”.
Governo Bolsonaro suspende reforma agrária por tempo indeterminado
Por Daniel Camargos e Diego Junqueira | 08/01/19 Documentos distribuídos às superintendências do Incra determinam interrupção da compra e demarcação de terras para a criação de assentamentos. Órgão diz que medida é temporária, mas não informa quanto tempo ficará em vigor. A reforma agrária durou menos de três dias no governo do presidente Jair Bolsonaro e não tem data para voltar a ser executada. As superintendências regionais do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) receberam, na última quinta-feira (3), memorandos determinando a interrupção de todos os processos para compra e desapropriação de terras. De acordo com o Incra, 250 processos em andamento estão suspensos.
CARTA ABERTA A DAMARES ALVES, EXCELENTÍSSIMA MINISTRA DA MULHER, FAMÍLIA E DIREITOS HUMANOS
Essa carta foi escrita pela Professora Márcia Friggi, do Estado de Santa Catarina. O texto é longo, mas vale a leitura. Marcia Friggi – 06/01/2018 Foto: VEJA.com veja.abril.com.br Foto: A ministra Damares Allves / semprefamilia.com.br Marcia Friggi publicou fotos com o rosto ensanguentado no Facebook. Agressões aconteceram dentro da diretoria de uma escola municipal em Indaial (SC). “Somos nós, Senhora Ministra, que muitas vezes percebemos a automutilação em alguns alunos e ela não se deve ao nosso trabalho de “doutrinação” como a senhora tenta afirmar, ao dizer que confundimos nossas crianças com a “ideologia de gênero”. Os adolescentes que chegaram até mim com automutilação, viviam um cotidiano familiar desestruturado. Desestruturado no seio da “família tradicional” que a senhora tanto defende.”