«Você Questiona o Sínodo da Amazónia? Venha morar aqui durante um ano e veja»

Inês Sanmartin, 24/09/2019 – Foto: da autora À medida que se aproxima o Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazónia, de 6 a 27 de outubro, os críticos perguntam-se em alta-voz porquê se vai realizar o evento, e todos os sinais sugerem que ele poderá ser outro capítulo da batalha em curso entre progressistas encorajados pelo Papa Francisco e conservadores descontentes com ele. A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 23-09-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Demissão do Papa Francisco

Anselmo Borges – 22 Setembro 2019  Foto: O Papa Francisco / YouTube Francisco não exclui a possibilidade de um cisma, mas não tem medo. Ele tem muitos opositores e até inimigos, incluindo cardeais influentes, como G. Müller, R. Burke, W. Brandmüller, R. Sarah, que o acusam de não ser um grande teólogo e de herético. “Existe uma luta política na Igreja entre os que querem a Igreja sonhada pelo Vaticano II e os que a não querem.  Estou convencido de que não se trata só de um ataque contra o Papa.  Francisco está convencido da sua acção desde que foi eleito.  Na realidade, do que se trata é de influenciar a eleição do próximo Papa.”  – diz Arturo Sosa – Superior Geral dos Jesuítas

O manifesto do Papa Francisco para salvar a Amazônia da destruição

O papa está um passo à frente na capacidade de ouvir os povos indígenas e os governos poderiam extrair frutos com o método e estilo do sínodo para iniciar políticas conservadoras e promocionais para aquele imenso território de alto risco.   de Carlo Di Cicco –  25/08/2019 –  Foto: Daqui Tradução: Orlando Almeida Somente no Brasil, entre 2003 e 2017, foram 1.119 nativos da Amazônia mortos por defender seus territórios e isso porque questionar o poder de defesa do território e dos direitos humanos “está colocando a vida em risco, abrindo um caminho de cruz e martírio ”. O Papa Francisco foi o primeiro a tentar dar uma resposta cultural orgânica ao clamor das populações indígenas da Amazônia engajadas na luta “contra aqueles que querem destruir a vida” da natureza e não respeitam os direitos humanos “.

Direita usa moralismo como arma desde antes da ditadura, diz historiador

Professor da Universidade da Califórnia San Diego, Benjamin Cowan discute o uso do discurso moralista pelo presidente Jair Bolsonaro, diz que isso ecoa o que foi usado durante a ditadura militar e explica que este tipo de mobilização política é usado pela direita ao longo da história do país.  Daniel Buarque – 10/03/2019 – Foto: Daqui A publicação de um vídeo obsceno pelo presidente Jair Bolsonaro colocou em evidência a importância do discurso em torno de valores morais conservadores que levaram à sua ascensão ao posto mais alto do Executivo. O professor de relações internacionais na FGV Matias Spektor comentou o caso em sua coluna na Folha e indicou que este tipo de ativismo moralista deve ser visto como “um ato político da maior importância”, um “expediente de longo pedigree nos anais da história brasileira”. Autor da principal referência para compreender o uso deste tipo de discurso por políticos ultraconservadores no Brasil desde a década 1920, historiador Benjamin Cowan alega que é possível relacionar este tipo de discurso moralista histórico com a ascensão de Bolsonaro, justificando a manutenção deste tipo de ativismo no novo governo brasileiro.

HOJE A VENEZUELA, AMANHÃ TODA A AMAZÔNIA

  ROBERTO MALVEZZI (GOGÓ) – 28/02/2019 – Imagem: Daqui Algumas pessoas próximas me pediram uma síntese da situação da Venezuela. Com o jogo midiático pesado em cena, ficou difícil compreender os meandros do que realmente se passa. Penso que só há saída dessa crise de forma democrática e com a mediação dos organismos internacionais. A via militar e da guerra só trará para a região o conflito que já se deu na Síria, isto é, Estados Unidos e União Europeia de um lado, China e Rússia do outro. Porém, os Estados Unidos perderam a guerra na Síria e agora deixaram os europeus falando sozinhos naquele país. Finalmente, há interesses internacionais sobre toda a Amazônia. A reação ao Sínodo Pan-Amazônico mostra claramente que há ali outro projeto, do grande capital internacional, que além do petróleo venezuelano, quer também a biodiversidade, a água e todos os bens minerais que estão naquele imenso território.

Governo Bolsonaro e o Vaticano – ‘Familiaridade aziaga com métodos empregados por governos totalitários’

O pedido de fazer com que funcionários do governo participem do Sínodo é patético. Além de demonstrar profunda ignorância  histórica, cultural e diplomática, parada na década de 30.  Roberto Romano – 12/02/2019 – Foto: Marcelo Camargo  -Agência Brasil A mente pouco iluminada dos que hoje deveriam comandar a diplomacia brasileira parou nos anos 30 do século 20. Quem no governo imagina conseguir vantagens políticas pressionando a Hierarquia Católica de modo vertical e por meio de um governo como o italiano, mostra familiaridade com os métodos empregados por governos totalitários no trato com o Vaticano. O episódio apenas evidencia o atraso histórico e cultural do governo Bolsonaro O comentário é de Roberto Romano, professor da Unicamp, publicado no Facebook, 11-02-2019.

“Igreja vê com muito sofrimento este momento triste do Brasil”. Entrevista com D. Roque Paloschi

 REPAM – 21/01/2019 – Foto: Manifestação indígena /José Cruz, Agência Brasil Confirmando as previsões, o ano de 2019 iniciou apresentando uma realidade desafiadora aos povos tradicionais do Brasil. Menos de 20 dias após o novo governo assumir o Executivo Federal, se espalham pelo país ataques e invasões de territórios dos povos indígenas, quilombolas e camponeses. As dificuldades também são resultados de medidas tomadas pelo governo desde a remodelagem da máquina administrativa. A reportagem foi publicada por Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM, 17-01-2019.

Índio terena emociona ao chegar no doutorado sem nunca ter abandonado seu povo

Aos 33 anos, Leosmar quer concluir o doutorado e continuar fortalecendo a resistência do povo indígena. Thailla Torres –  06/01/2019 Foto: Leosmar entre lideranças indígenas do povo Tapuia, de Manaus. (Foto: Arquivo Pessoal) Aos 33 anos, Leosmar Antonio é o primeiro da família a ter um diploma e também o único da terra indígena Cachoeirinha, no município de Miranda, aprovado em todas as etapas da seleção do doutorado, na destacada instituição de pesquisa na área de ciência e tecnologia em saúde da América Latina, a Fiocruz.

Pedro Casaldáliga do Araguaia

90 anos de vida dedicados à resistência contra o capital, e à defesa dos pobres Mari Júlia Gomes Andrade  “Pedro é luta. Pedro é inspiração. Pedro é exemplo. E a doença e a velhice de Pedro não devem ser entendidas apenas como um sofrimento” / Foto: Reprodução “Para descansar eu quero só esta cruz de pau como chuva e sol estes sete palmos e a Ressurreição!” (Poema “Cemitério do Sertão”, de Dom Pedro Casaldáliga)

Escolha de Ernesto Araújo para chanceler põe em risco liderança ambiental brasileira

Observatório do Clima – 16 Novembro 2018  “É estarrecedora a escolha do embaixador Ernesto Araújo como ministro de Relações Exteriores. Sua nomeação contraria uma longa tradição da política externa brasileira e traz o risco de tornar o Brasil um anão diplomático e um pária global. O radicalismo ideológico manifesto nos escritos do futuro ministro cria, ainda, uma ameaça para o planeta, ao negar a mudança do clima e, presumivelmente, os esforços internacionais para combatê-la”, afirma a nota da coordenação do Observatório do Clima, 15-11-2018.