O Brasil por trás do cartaz de uma manifestação
João da Silva foi fotografado em ato pela educação, no Rio, com um cartaz que mostrava a realidade de muitos jovens da periferia: foi o primeiro da família a ingressar em uma universidade pública BEATRIZ MOTA – Rio de Janeiro 3 JUN 2019 Foto: João, durante manifestação / BEATRIZ MOTA João da Silva se pôs de pé às 5h, quando o sol ainda nem havia surgido por trás do Monte das Oliveiras —um morro anônimo apelidado assim por Francisca, sua avó, e que fica colado ao condomínio popular em que vivem. Seguiu a rotina: banho, cabelo na régua, visual na beca, pausa para a selfie no espelho do banheiro, preparo da marmita e a benção da matriarca antes de iniciar o rolê. No bairro de Senador Vasconcelos, zona Oeste do Rio de Janeiro, pegou um 397, ônibus que leva cerca de duas horas em direção ao centro da cidade.
Ciências econômicas e sociais no ensino médio na França: uma reforma ideológica
Pierre Merle, Professor Associado de Economia e Ciências Sociais (Espe* de Bretagne) – 8/11/2018 Foto: Sala de aula no Liceu Charles Magne / Getty Images – Tradução: Orlando Almeida Os novos programas de ciências econômicas e sociais simplesmente esvaziam as principais questões sociais, ambientais e sociológicas. Como esse ensino possibilitará a compreensão do mundo contemporâneo, condição de democracia?
Sobre Saramago e Deus
Anselmo Borges – 24/11/2018 Imagem: ospontosdevista.blogs.sapo.pt O Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra e a Câmara Municipal de Coimbra organizaram nos passados dias 8, 9 e 10 de Outubro, no Convento de São Francisco de Coimbra, um Congresso Internacional: “José Saramago: 20 anos com o Prémio Nobel”. Carlos Reis e Ana Peixinho pediram-me uma intervenção sobre Saramago e Deus. O que aí fica é uma breve síntese da minha fala nesse Congresso.
“Com o cadáver da esperança às costas”
Ainda sobre os dias 1 e 2 de Novembro: Dois dias para a morte e o sentido Anselmo Borges – 03/11/2018 Por mais arrogante que se seja e se padeça do complexo da omnipotência, ninguém, a não ser que pense suicidar-se antes, pode dizer: Até amanhã, se eu quiser. Dada a constituição corpórea do ser humano e a sua consciência antecipadora, toda a pessoa adulta e consciente, que reflecte, sabe, embora com um saber paradoxal, pois ninguém se pode conceber a si mesmo morto, que é mortal e que a morte é o limite inultrapassável. Ninguém rouba a morte a ninguém, cada um morrerá na sua vez.
Dois dias para a morte e o sentido
Anselmo Borges- 27/10/2018 Imagem: medium.com A consciência da inevitabilidade de morrer abala na sua raiz a existência enquanto totalidade, convocando o ser humano para a pergunta absoluta, que não é mera curiosidade: Quem sou eu? Que será de mim? Qual o sentido da minha vida e da História? O que é que, em última análise, habita no seu núcleo?
Filosofia não é ciência e está fadada a desaparecer, afirma pesquisador
Artigo polêmico e muito questionável. Vem vontade de repetir a recomendação de Apeles ao sapateiro, em Atenas: “Sapateiro, não vás além da sandália. (NdR) Alberto Nóbrega e Cristina Caldas – 12 Julho 2018 Foto: Sócrates exorta seus discípulos, antes de beber a cicuta / Quora Responsável por renovar instituto de pesquisa em Portugal fala sobre a importância do método científico. A reportagem é de Alberto Nóbrega [1] e Cristina Caldas [2], publicada por Folha de S. Paulo, 02-06-18.
Pessoas e animais
Anselmo Borges – 01/06/2018 – Foto: gazetadopovo.com.br “Com base na neotenia, o homem tem como tarefa na vida fazer-se a si mesmo: fazendo o que faz, está a realizar-se a si próprio. Por isso, está sempre inconcluído, numa abertura ilimitada, produzindo o novo. O homem nunca está satisfeito (de satis-factus: suficientemente feito), acabado. Esta inconclusão manifesta que a sua temporalidade e o seu ser têm uma estrutura essencialmente aberta, de tal modo que se deve dizer que o homem é o ser do transcendimento: como escreveu Pascal, o homem mora algures entre “le néant et l”infini”( o nada e o infinito), aberto ao Infinito. Precisamente porque os outros animais se adaptam ao real, sem superação, não podemos falar em transcendência animal”.
FILHOS DE PADRES QUE OS PAIS NÃO ASSUMIRAM
Sacerdotes católicos fazem voto de celibato quando são ordenados. Mas quando eles quebram esse voto, os seus filhos são deixados a viver uma mentira Por MARY ORMSBY e SANDRO CONTENTA – 17/04/2018 FOTO: Da esquerda: Susan Zopf, Michelle Raftis e Janusz Kowalski são filhos de padres católicos que quebraram o voto de celibato. Cada um deles lutou com a culpa de um segredo sufocante, assim como com as tensões financeiras e emocionais de ser abandonado pelo seu pai biológico. (Toronto Star photo illustration) Tradução: Orlando Almeida
‘Éramos 98 filhos’: a odisseia de Hamidah, de prostituta a líder política na Uganda
A história de miséria e de resgate de uma garota de Kampala, que se tornou empresária no País em que 60% dos jovens não têm trabalho TOMMASO CARBONI – 05/04/2018 Hamidah – Foto: La Stampa Tradução: Orlando Almeida Hamidah mudou-se para Kampala no final dos anos noventa. “Eu tinha dezoito anos e os meus pais tinham acabado de morrer de AIDS”. A ideia era estudar, mas acabou na casa de uma amiga que a apresentou ao primeiro cliente. Ganha-se bem, disse-lhe a amiga. Hoje, só se lembra do medo, da violência, da humilhação.
De onde viemos e por que estamos aqui? Logo a ciência responderá
Stephen Hawking – 16 Março 2018 “Por que estamos aqui? De onde viemos? A resposta a essas perguntas já está próxima, e eu estou convencido de que ela virá da ciência.” A opinião é do físico teórico e cosmólogo britânico Stephen Hawking, que faleceu nessa quarta-feira, 14 de março, aos 76 anos. O artigo póstumo foi publicado por La Repubblica, 15-03-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.