“Nomeação de Mendonça fecha um círculo de aparelhamento evangélico no governo”. Entrevista com Brenda Carranza

Rute Pina – Agência Pública – – 02 Mai 2020 – Foto: Daqui O anúncio de André Mendonça, um nome “terrivelmente evangélico”, para chefiar o Ministério da Justiça consolida mais um passo do segmento religioso no sentido de levar sua influência às três esferas do Poder. Quem faz a análise é a pesquisadora Brenda Carranza, doutora em Ciências Sociais e professora da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.

Teocracia? Não, obrigado

Ainda estamos a tempo de aprender que nenhuma teocracia é melhor do que a outra. Não importa se é islâmica, judaica, cristã ou outra qualquer. Definitivamente, não   José Brissos-Lino| 12 Dez 201919 Imagem: evivaafarofa.blogspot.com.br A história da velha Europa devia servir pelo menos para perceber que quando a religião manda no Estado a coisa vai sempre correr mal, mais tarde ou mais cedo. As guerras religiosas que os povos europeus sofreram há séculos são o exemplo acabado disso mesmo. A revolução americana mostrou que a via do estado laico é melhor garantia da liberdade de crença e prática religiosa a todos os cidadãos. Todavia, as religiões sempre pugnaram por deter nas suas mãos o poder político ou pelo menos viverem em concubinato com ele, influenciando-o no sentido da satisfação dos seus próprios interesses.

Fracassos dos evangélicos no poder político da América Latina

José A. Amesty R.- ALAI –21/08/2019 – Foto: Deutsche Welle   Há algumas décadas atrás, desde 1980, quando se vislumbrou a possibilidade de algum evangélico ou os evangélicos, pudessem chegar ao poder político em algum país da América Latina, os animava, segundo a experiência vivida na Venezuela, – a crença que ao incidir na vida do país, poderiam fazer com que o Evangelho crescesse no país, acessassem os privilégios que tinha e tem a Igreja Católica, – e a ideia que, ao estar um “irmão” na presidência ou em alguma instância de poder, era garantia de progresso, boa vida e separação do mal (pecado). O artigo é de José A. Amesty R., publicado por Alai, 19-08-2019. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.