Deus acima de (quase) todos

Carlos Rittl – 19 Fevereiro 2019 Foto: Imagem de satélite do desmatamento no norte da Terra Indígena Parakanã, no Pará -/ El Pais Brasil “As Forças Armadas conhecem o valor estratégico da Amazônia. Deveriam unir-se ao papa e a toda a sociedade na busca de soluções para seu desenvolvimento sustentável em vez de ressuscitar antigas paranoias”, escreve Carlos Rittl, ambientalista e integrante do comitê de coordenação do Observatório do Clima, em artigo publicado por El País, 15-02-2019.

Brumadinho e a urgência da responsabilidade

Jelson Oliveira – 26/01/2019.  Foto: Daqui “Para Hans Jonas, como o desenvolvimentismo é, no geral, refém de um otimismo utópico ingênuo, é preciso tomar (ética e politicamente) uma medida inversa, ou seja, dar preferência para o prognóstico negativo, com apoio em uma “futurologia comparativa” que reúna saberes de várias ciências, agora integradas em vista da realização de uma melhor detecção dos riscos aos quais a humanidade, as outras espécies e a natureza como um todo estão submetidos. Na filosofia jonasiana, o nome disso é “heurística do temor”, uma atitude capaz de despertar um sentimento de responsabilidade pelo que ainda não aconteceu, mas que é possível e até mesmo provável, que aconteça”, escreve Jelson Oliveira, professor e atual coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade  Católica do Paraná.

Potencialidades históricas do ‘Encontro de Irmãos’ – Recife 1969-1985. (II)

PARTE 2 Eduardo Hoornaert – 29/11/2018 – Foto: potaldas cebs.com.br Em homenagem a Leonardo Boff, por ocasião de seus oitenta anos de vida bem vivida (14/12/2018). Imagem: portaldascebs.com.br Tal qual foi inspirado e animado pelo bispo de Recife, Helder Câmara, o ‘Encontro de Irmãos’, concretização local do movimento de ‘Comunidades de Base’, que na época se espalhava pelo Brasil afora, apresenta um método educacional de rara autenticidade. Embora só vigorando apenas ao longo de aproximadamente quinze anos (entre 1969 e 1985), o ‘Encontro de Irmãos’ transcende a história e nos conserva hoje lições importantes para um trabalho educacional de alta qualidade, seja em meio popular, seja em outros meios.

A escravidão. Uma reflexão histórica por ocasião da eleição presidencial no Brasil em 28 de outubro de 2018.

Eduardo Hoornaert – 20/10/2018 Em seu livro ‘A elite do atraso, da escravidão à Lava Jato’ (Leya, Rio de Janeiro, 2017), o sociólogo e historiador Jessé Sousa faz uma impiedosa anatomia da história do Brasil, como comprova o subtítulo do trabalho: ‘um livro que analisa o pacto dos donos do poder para perpetuar uma sociedade cruel, forjada na escravidão’. Para muitos, imagino, as palavras de Jessé Sousa soam ofensivas e até brutais. Mas, será que elas são falsas e devem ser rejeitadas sem mais nem menos? Eis o que pretendo considerar com você no texto que se segue.

Nadia Murad: “violavam-nos sem culpa, como se fosse uma coisa natural”

  Magazine Notícias – 5/10/2018 Foto: Livro de Nadia Murad / Popular Libros A vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2018  Nadia Murad é yazidi e foi capturada pelo Daesh, como mais de seis mil mulheres yazidis capturadas desde 2014. Feita escrava, vendida, espancada, violada, conseguiu fugir e escreveu um livro:“Eu Serei a Última” Nadia Murad conseguiu fugir e conta a sua história em livro – e nesta entrevista dada à Notícias Magazine em janeiro.  Outras três mil mulheres yazidis estão ainda nas mãos do Daesh.  

Um triste Brasil para os trabalhadores

Elaine Tavares – 01 Setembro 2018 – Foto: www.revistamissoes.org.br/ “Todos os dias cai um direito. Todos os dias a classe dominante avança mais sobre os trabalhadores, sugando feito vampiro até a última gota”, lamenta a jornalista Elaine Tavares.  “E as ruas estão quietas. E alguns esperam as eleições”, arremata.O artigo é publicado por América Latina em Movimento – ALAI, 31-08-2018.

Crise dos refugiados. Uma tragédia que beneficia máfias e ultradireitas

Eduardo Febbro – 16 Junho 2018 – Foto: Exame Aquarius: um nome luminoso por trás do qual se movem as sombras de milhares de mortos, centenas de milhares de refugiados à deriva, o naufrágio da Europa como entidade com capacidade operativa e princípios humanitários, o oportunismo político das extremas direitas europeias e, no fundo, as disparatadas aventuras militares do Ocidente que, com vagos pretextos humanitários, desencadeiam dramas humanos coletivos.  Aquarius é o nome do barco de Médicos sem Fronteiras e SOS Mediterrâneo, que salvou centenas de migrantes náufragos diante das costas da Líbia. A reportagem é de Eduardo Febbro, publicada por Página/12, 15-06-2018. A tradução é do Cepat.

Uma ‘escrava’ do século XXI em Washington

A malauiana Fainess Lipenga passou três anos presa num porão, enquanto trabalhava como empregada doméstica para uma diplomata ANTONIA LABORDE  – Washington 12 JUN 2018 – 11:42 BRT Foto: A malauiana Fainess Lipenga em Maryland, Estados Unidos / LUISA ARBELÁEZ Há uma leoa na sala. Uma sobrevivente. Uma abusada. “Assim se apresenta uma guerreira”, determina Fainess Lipenga, de 39 anos, enquanto move os braços de cima a baixo para mostrar seus quase dois metros de altura. Tem vontade de falar. De contar o que suas cicatrizes escondem. De ser a última protagonista de uma história de escravidão contemporânea. A malauiana, que usa um longo vestido vermelho, brincos dourados e pálpebras sombreadas em tons de lilás, presenteia um sorriso com a mesma facilidade com que sua voz se embarga ao recordar. “Fui tratada feito cachorro, atravessei o inferno.”

Brasil viveu um processo de amnésia nacional sobre a escravidão, diz historiadora

Júlia Dias Carneiro  Da BBC Brasil no Rio de Janeiro – 10 maio 2018  Direito de imagem:  Museu Paulista/USP Image caption  O Brasil foi o ultimo país do Ocidente a abolir a escravidão. Às vezes as pessoas falam que foi o último das Américas, mas não. De fato, era chamado na época de retardão’, diz Schwarcz Sancionada pela princesa Isabel no dia 13 de maio de 1888, a lei que aboliu a escravidão após mais de três séculos de trabalho forçado no Brasil “saiu muito curta, muito pequena, muito conservadora”, descreve Lilia Moritz Schwarcz.