“As desigualdades são escolhas ideológicas”. Entrevista com Thomas Piketty

Jean-Pierre Denis e Henrik Lindell – 13/09/2019  Foto: DAQUI A publicação de uma grande obra de Thomas Piketty, Capital et Idéologie, recoloca as desigualdades no centro do debate público. La Vie encontrou-se com o economista e refletiu sobre as soluções que empresas, ONGs e a escola podem oferecer. A entrevista é de Jean-Pierre Denis e Henrik Lindell, publicada por La Vie, 11-09-2019. A tradução é de André Langer.

O Papa: a Europa fecha os portos para as pessoas nos navios, mas abre-os para as armas

Crítica de Francisco durante a audiência à Roaco: “A ira de Deus irá desencadear-se sobre quem fala de paz e vende armas”. O anúncio: “Quero ir ao Iraque no próximo ano”   IACOPO SCARAMUZZI  CIDADE DO VATICANO,   10/06/2019 – Foto: La Stampa O Papa Francisco pretende ir ao Iraque “no ano que vem”: disse-o ele mesmo, recebendo os participantes da Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais (Roaco1), aos quais lembrou: “Gritam as pessoas em fuga amontoadas nos navios, em  busca de esperança, sem saber que portos poderão acolhê-las, na Europa, que, no entanto, abre os portos para as embarcações que vêm para carregar armas sofisticadas e caras, capazes de produzir devastações que não poupam nem mesmo as crianças”. Uma “hipocrisia” sobre a qual ele também se deteve quando, falando da guerra na Síria,  frisou: “Muitas vezes penso na ira de Deus que se desencadeará sobre  os responsáveis ​​de países que falam de paz e vendem armas para fazer estas guerras : isso é hipocrisia, é um pecado”.

OS OUTROS ESTÃO A MAIS? (1)

  Frei Bento Domingues, O.P., 17/02/2019 – Foto: Outros/ Ambrosia As obras que se escreveram e escrevem a anunciar as datas do fim da pobreza imposta, com certo aparato científico, parecem seguir a lógicas das Testemunhas de Jeová a anunciar o fim do mundo. Como apontámos, as estatísticas vão mostrando avanços e recuos, segundo os países e os continentes, das medidas para erradicar essa vergonha. As estatísticas não podem contabilizar os pobres que vão tendo a morte, antes de tempo, como solução. Para além disto, as desigualdades entre ricos e pobres acentuam-se. A distância entre o que certas pessoas ganham e o mínimo que outras conseguem para sobreviver, no seu dia-a-dia, poderia ser um pecado que bradaria aos céus se neles acreditassem.

O mapa mundi se povoou de ultradireitistas. De Le Pen e Salvini na Europa, passando por Duterte, nas Filipinas, até Bolsonaro, no Brasil

  Eduardo Febbro – 12 Janeiro 2019 – Imagem: blogdapoliticabrasileira.com  “Todos chegaram ao poder ou ao Parlamento com a mesma narrativa: a oposição do povo às elites, sejam elas políticas ou econômicas. Essa é uma das características as extremas direitas ressuscitadas. A outra característica foi definida com pertinência pelo professor de filosofia e cientista político Yves Charlees Zarka: ‘o que caracteriza o populismo de hoje é que esse se desenvolve nas sociedades democráticas cujas populações estão dotadas de um alto nível de educação’”, escreve Eduardo Febbro, em artigo publicado por Página/12, 11-01-2019. A tradução é de André Langer.

Governo de Bolsonaro abandona pacto das migrações da ONU

Brasil junta-se a EUA, Itália, Hungria e Israel na oposição ao acordo das Nações Unidas para a gestão dos fluxos migratórios.   PÚBLICO – 8 de Janeiro de 2019,  Foto: Jair Bolsonaro tomou posse a 1 de Janeiro Sergio Moraes/Reuters O Ministério das Relações Exteriores do Brasil pediu nesta terça-feira, através de um telegrama, que os diplomatas brasileiros comuniquem às Nações Unidas a saída do Brasil do Pacto Global para a Migração, a que o país tinha aderido em Dezembro, no final do mandato de Michel Temer. No documento, citado pela BBC Brasil, o ministério solicita às missões do Brasil na ONU e em Genebra que “informem, por nota, respectivamente o secretário-geral das Nações Unidas [António Guterres] e o director-geral da Organização Internacional de Migração [António Vitorino], (…) que o Brasil se dissocia do Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular”.  

“O problema principal do mundo hoje é a imigração”.

Fábio Prikladnicki –  15-12-2018. Foto: Exame.abril.com O historiador das ideias norte-americano Mark Lilla despertou grande controvérsia em seu país com o artigo The End of Identity Liberalism (“O fim do progressismo identitário”, em livre tradução), publicado no jornal The New York Times em 2016, quando criticou o foco da esquerda americana na política de identidade. Lilla argumentou que a melhor forma de o Partido Democrata defender as minorias é ganhar as eleições, e para isso o discurso fragmentado para diferentes públicos deveria dar lugar a uma narrativa unificada que valorizasse um espírito mais amplo de cidadania e solidariedade.

Famintos e já com pouco a perder

  FERNANDO SOUSA – Dezembro 2018 Foto: Caravana de migrantes Lusa/Lusi Villalobos  São milhares e vão a caminho dos Estados Unidos, empurrados pela miséria. Sabem que não vão ser bem recebidos. Mas mesmo assim caminham, e caminham, homens, mulheres e crianças, já com pouco a perder.

A resposta aos coletes amarelos deve ser também europeia. Entrevista com Thomas Piketty e Stéphanie Hennette-Vauchez

Sonya Faure – 15 Dezembro 2018 Foto: Manifestação dos Coletes Amarelos em Avignon /Sebastien Huette/ Flickr Com mais de 120 pesquisadores e líderes políticos, a jurista Stéphanie Hennette-Vaucheze o economista Thomas Piketty lançaram na segunda-feira “um apelo para transformar as instituições e as políticas europeias”. Pressionar por instituições mais democráticas e por impostos mais justos, esses projetos respondem às reivindicações levantadas a um mês pelos manifestantes franceses. A entrevista é de Sonya Faure, publicada por Libération, 12-12-2018. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

O drama de um padre que ajuda venezuelanos em Pacaraima

Yan Boechat – 03 Setembro 2018 Foto: Nascido na Espanha, Jesus de Bobadilla tem sentido a raiva da população de Pacaraima por ajudar os venezuelanos / CNBB Antes querido pela comunidade local, Jesus de Bobadilla sente a ira dos moradores por oferecer ajuda humanitária a refugiados no norte de Roraima. Também imigrante, ele estima ter perdido metade de seus fiéis. A reportagem é de Yan Boechat, publicada por Deutsche Welle, 01-09-2018.

‘Um vulcão que entrou em erupção’: como é a vida em Pacaraima em meio à crise de imigração na Venezuela

Paula Adamo Idoeta – 21 Agosto 2018 Foto:  Emigrantes venezuelanos / Marcela Camargo – Agência Brasil Há cerca de um ano e meio, o padre Jesús, da Paróquia de Pacaraima, servia cerca de 80 cafés da manhã por dia para venezuelanos que cruzavam a fronteira em busca de condições melhores de vida. Hoje, a paróquia se vê forçada a ofertar 1,7 mil refeições – um café com leite e um pão – diariamente, com a intensificação da crise migratória na divisa entre Roraima e a Venezuela.”E muitas pessoas dizem que esse é o único alimento que levam à boca durante todo o dia”, conta ele à BBC NewsBrasil por telefone. A reportagem é de Paula Adamo Idoeta, publicada por BBC Brasil, 20-08-2018.