Deus acima de (quase) todos

Carlos Rittl – 19 Fevereiro 2019 Foto: Imagem de satélite do desmatamento no norte da Terra Indígena Parakanã, no Pará -/ El Pais Brasil “As Forças Armadas conhecem o valor estratégico da Amazônia. Deveriam unir-se ao papa e a toda a sociedade na busca de soluções para seu desenvolvimento sustentável em vez de ressuscitar antigas paranoias”, escreve Carlos Rittl, ambientalista e integrante do comitê de coordenação do Observatório do Clima, em artigo publicado por El País, 15-02-2019.

OS OUTROS ESTÃO A MAIS? (1)

  Frei Bento Domingues, O.P., 17/02/2019 – Foto: Outros/ Ambrosia As obras que se escreveram e escrevem a anunciar as datas do fim da pobreza imposta, com certo aparato científico, parecem seguir a lógicas das Testemunhas de Jeová a anunciar o fim do mundo. Como apontámos, as estatísticas vão mostrando avanços e recuos, segundo os países e os continentes, das medidas para erradicar essa vergonha. As estatísticas não podem contabilizar os pobres que vão tendo a morte, antes de tempo, como solução. Para além disto, as desigualdades entre ricos e pobres acentuam-se. A distância entre o que certas pessoas ganham e o mínimo que outras conseguem para sobreviver, no seu dia-a-dia, poderia ser um pecado que bradaria aos céus se neles acreditassem.

O certo e o errado segundo um sacerdote do deus mercado

  Jacques Távora Alfonsin – 16 Fevereiro 2019 Foto: Charge sobre a obra de Michelangelo: A Criaçã0 – controlacrisi.org / imgur.com  “O seu deus é um deus que impõe e justifica toda e qualquer iniciativa própria como manifestação de liberdade, mesmo sob a irresponsabilidade com que acusa quem se lhe opõe. O seu templo é o interesse próprio, seu altar o dinheiro, sua prece o lucro, sua liturgia a manipulação ‘legal’ do Poder Público. É um deus implacável, indiferente com a pobreza e a miséria que deixa no seu caminho”, escreve Jacques Távora Alfonsin, procurador aposentado do estado do Rio Grande do Sul e membro da ONG Acesso, Cidadania e Direitos Humanos.

Esse não é mais um acidente. É um crime! Nota da Articulação do Semiárido

Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) – 29 Janeiro 2019 Equipe de resgate em Brumadinho –Foto: Ricardo Stukert/ FP  Defendemos a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para que, de forma isenta e comprometida, possa investigar a cadeia da mineração e propor medidas legais de prevenção a este tipo de crime e punição aos responsáveis, incluindo os diretores das grandes corporações envolvidas e os governos que buscam de toda forma “afrouxar” a já combalida legislação ambiental, afirma nota pública da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA).

Brumadinho e a urgência da responsabilidade

Jelson Oliveira – 26/01/2019.  Foto: Daqui “Para Hans Jonas, como o desenvolvimentismo é, no geral, refém de um otimismo utópico ingênuo, é preciso tomar (ética e politicamente) uma medida inversa, ou seja, dar preferência para o prognóstico negativo, com apoio em uma “futurologia comparativa” que reúna saberes de várias ciências, agora integradas em vista da realização de uma melhor detecção dos riscos aos quais a humanidade, as outras espécies e a natureza como um todo estão submetidos. Na filosofia jonasiana, o nome disso é “heurística do temor”, uma atitude capaz de despertar um sentimento de responsabilidade pelo que ainda não aconteceu, mas que é possível e até mesmo provável, que aconteça”, escreve Jelson Oliveira, professor e atual coordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Pontifícia Universidade  Católica do Paraná.

Bispos franceses não podem ficar alheios à crise dos ”Coletes Amarelos”

Arnaud Bevilacqua – 22/01/2019 Foto: noticiasaominuto.com  Tanto as lideranças políticas quanto eclesiais são chamadas a ouvir aqueles que estão em contato com os que não têm voz. Um mês depois de os bispos franceses pedirem diálogo e debate para acabar com a crise dos Coletes Amarelos, o padre Grégoire Catta SJ, diretor do Serviço Família e Sociedade da Conferência dos Bispos da França, faz um retrospecto da mobilização da Igreja local sobre a questão. A reportagem é de Arnaud Bevilacqua, publicada em La Croix Internacional, 21-01-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Patrimônio dos 26 mais ricos equivale ao dos 50% mais pobres do mundo

DW. 22/01/2019. Foto: DW- Getty Images- AFP Oxfam alerta para desigualdade “fora de controle” mundo afora, devido em grande parte a sistemas tributários injustos. Aumento de impostos sobre fortuna dos mais ricos permitiria financiar estudos de milhões de crianças. Em 2018, fortunas bilionárias aumentaram 12%, enquanto camadas mais pobres viram sua riqueza diminuir em 11%. A desigualdade na distribuição de riqueza em todo mundo está “fora de controle”, alerta um relatório da ONG antipobreza Oxfam divulgado nesta segunda-feira (21/01). Segundo o documento, em 2018, enquanto as camadas mais favorecidas acumulavam riquezas, as mais pobres ficavam ainda mais pobres, aumentando o abismo entre os dois grupos. A informação foi publicada por Deutsche Welle, 21-01-2019.

Lideranças temem ação orquestrada contra terras indígenas

(Dois artigos) I  Deutsche Welle – 18 Janeiro 2019 Foto: Mulheres Uru-Eu-Wau-Wau em 1985. Relatos sobre existência dos índios datam do início do século XX, mas só em 1976 as primeiras aldeias foram localizadas / Jesco von Puttkamer  Desde o início do ano, duas terras indígenas foram alvo de invasões, e povo indígena foi atacado a tiros. Para lideranças, políticas do novo governo estimulam esse tipo de ação. A reportagem é publicada por Deutsche Welle, 17-01-2019.

O homem mediano assume o poder

O que significa transformar o ordinário em “mito” e dar a ele o Governo do país? Eliane Brum – 3 JAN 2019 –  Foto: O presidente Jair Bolsonaro / Eraldo Peres. AP Jair Bolsonaro, filho de um dentista prático do interior paulista, oriundo de uma família que poderia ser definida como de classe média baixa, não é representante apenas de um estrato social. Ele representa mais uma visão de mundo. Não há nada de excepcional nele. Cada um de nós conheceu vários Jair Bolsonaro na vida. Ou tem um Jair Bolsonaro na família.

Almoços grátis?

  O «amigo chinês» ajuda, mas também cobra   JOSÉ VIEIRA, Missionário comboniano – Dezembro de 2018  Foto: Daqui – Chineses em cima, africanos em baixo. A presença maciça de chineses no continente está a mudar o modo como a ajuda de Pequim é percebida pelo cidadão comum. Os chineses são vistos como competidores privilegiados na economia local, desde a produção até ao retalho, legal e ilegalmente, e misturam-se com as máfias autóctones. Junta-se ainda a questão do racismo de que se queixam os quenianos que trabalham para os chineses na ligação ferroviária entre Nairobi e Mombaça.