Protestos no Chile: as rachaduras no modelo econômico do país expostas pelas manifestações

Os indicadores macroeconômicos do Chile estavam em crescimento — e é por isso que a condução da economia era vista como um modelo de sucesso. Mas esses números ocultaram o que estava acontecendo com as camadas que estão abaixo das elites econômicas.   Ana María Roura  – Da BBC News Mundo  Direito de imagemGetty Images – Image caption Os protestos no Chile não têm precedentes na democracia, retomada em 1990 após muitos anos de ditadura militar Um modelo a seguir. Um oásis. Um milagre econômico. Esses eram alguns dos elogios ao modelo econômico chileno, que se destacou na América Latina, região com sérios problemas sociais.

De um Chile desperto a um Brasil hibernando

Luís Alberto Gomez de Souza -24/10/2019 – Foto: Protesto em Santiago – Chile / Carlos Figueroa – Wikicommons – Daqui “Onde estão as forças progressistas e os chamados movimentos sociais? Com isso, um governo sem rumo se mantém pela inércia e um presidente incapaz pode andar passeando pelo mundo sem que nada aconteça. Como sair da anomia? Desafio para partidos e entidades opositoras”, escreve Luiz Alberto Gomez de Souza, sociólogo. “O PT e outras forças tendem a encerrar-se na miopia redutiva de “Lula livre“, outros pensam basicamente em vencer as próximas eleições municipais. Onde propostas de dimensões e ambições ao nível de um país que está sendo sucateado, do pré-sal a privatizações a rodo?”, pergunta o sociólogo, denunciando que “na ausência de alternativas a política parece vegetar numa calmaria anestesiada”.

Chile. Privatizações de serviços e aposentadorias sufocaram poder de compra dos chilenos

Lúcia Müzell – 22 Outubro 2019  Vendido como um exemplo de estabilidade econômica na América Latina, o Chile enfrenta a maior onda de contestação já vista desde os anos 1990. Os protestos que se acentuaram no fim de semana catalisam anos de aperto financeiro das classes de renda baixa e média, e se potencializam com a insatisfação de uma geração de aposentados com o valor baixo das pensões. A reportagem é de Lúcia Müzell, publicada por Radio France Internacional – RFI, 21-10-2019.