RÚSSIA
Mais um Ditador que se quer eternizar no Poder
Deustsche Welle – 05/04/2021 – Foto: Alexei Druzhinin/AP
Legislação permite que o presidente, no poder há mais de duas décadas, concorra a mais dois mandatos de seis anos. Proposta pelo governo, emenda foi aprovada pelo Parlamento e pelos eleitores russos em referendo. Com séris dúvidas sobre a lisura das eleições. E perseguição de opositores
Putin já é o chefe mais longevo do Kremlin desde Josef Stalin, que governou a União Soviética por 29 anos
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, deu sua aprovação final à lei que lhe permite concorrer a mais dois mandatos, abrindo caminho para que ele permaneça no poder até 2036.
A legislação foi assinada por Putin nesta segunda-feira (05/04), segundo documento publicado no diário oficial do governo russo. A mudança na Constituição já havia sido aprovada pelo Parlamento, e recebido o aval da população em referendo realizado em julho do ano passado.
- O líder russo de 68 anos está no poder há mais de duas décadas,
- se intercalando nos cargos de presidente e primeiro-ministro.
- Pela legislação em vigor, ele deveria deixar a presidência em 2024, após dois mandatos consecutivos como chefe de Estado.
Mas com a nova lei, o presidente criou uma exceção que renova a sua contagem de mandatos e lhe permite candidatar-se novamente a mais dois mandatos de seis anos cada. Isso significa que ele poderá disputar o pleito em 2024 e 2030 e, se eleito, se manter na presidência até 2036.
A legislação, que faz parte de uma série de outras emendas constitucionais, foi proposta pelo governo de última hora há mais de um ano.
- Para os críticos de Putin, a mudança que trata da possibilidade de reeleição era, na verdade, o principal objetivo do pacote de reformas,
- e trata-se de um pretexto para permitir que o líder russo se torne “presidente vitalício”.
Entre outros pontos do pacote,
- há um fortalecimento do poder do presidente,
- a especificação do casamento como uma união entre “um homem e uma mulher”
- e a introdução do termo “fé em Deus” na Constituição da Rússia, como valor fundamental do país.
A norma também estipula que
- apenas cidadãos com mais de 35 anos de idade e que vivem permanentemente na Rússia há pelo menos 25 anos podem ser candidatos à presidência.
- Candidatos ao Kremlin não podem ter dupla cidadania ou ter tido um passaporte de outro país no passado.
O pacote de reformas
- foi aprovado no ano passado por quase 78% dos russos,
- num referendo que contou com a participação de 65% dos eleitores, segundo números oficiais.
Moscou, contudo, foi alvo de uma série de denúncias de manipulação dos resultados.
- O líder opositor Alexei Navalny, preso desde janeiro passado,
- definiu o referendo de 2020 como “uma enorme mentira”.
- Já a ONG Golos, especializada no acompanhamento de eleições, denunciou um atentado “sem precedente” à soberania do povo russo.
O mais longevo desde Stalin
Putin foi eleito presidente pela primeira vez em 2000 e serviu por dois mandatos consecutivos de quatro anos. Seu aliado Dmitri Medvedev assumiu seu posto em 2008, o que os críticos viram como uma forma de contornar o limite da Rússia de dois mandatos consecutivos para presidentes. Nesse período, Putin atuou como primeiro-ministro.
Enquanto era presidente, Medvedev aprovou uma legislação que ampliou os mandatos presidenciais de quatro para seis anos, começando com o próximo líder.
Putin então retornou ao Kremlin em 2012 e foi reeleito em 2018. Ele já é o chefe mais longevo do Kremlin desde Josef Stalin, que governou a União Soviética por 29 anos.
ek (AFP, Efe, Reuters)
Fonte: https://www.dw.com/pt-br/putin-assina-lei-que-pode-mant%C3%AA-lo-no-poder-at%C3%A9-2036/a-57104095
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