
Felipe Frazão, 31/03/2021
Na Foto: Paulo Sérgio e Braga Neto, o Presidente, Almir Garnier e Carlos Almeida / Twitter
O nomeado era o terceiro pelo critério de antiguidade e seria o quinto caso dois outros generais não tivessem ido para a reserva nesta quarta-feira.
Em recente entrevista ao jornal Correio Braziliense,
- o general Paulo Sérgio, chefe do Departamento-Geral do Pessoal,
- apontou a possibilidade de uma 3.ª onda da covid-19 no País nos próximos meses
- e defendeu lockdown, contrariando o que prega o presidente, crítico a medidas de isolamento social.
O general é próximo ao ex-ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva, demitido por resistir a ofensivas de Bolsonaro.
Azevedo deixou o cargo por algumas razões:
- 1) ter mandado o general Eduardo Pazuello de volta para o quartel, quando Bolsonaro queria alocá-lo na Esplanada;
- 2) se recusou a confrontar decisões do Supremo Tribunal Federal, como queria o presidente;
- 3) se recusou a trocar o comandante do Exército, Edson Pujol, com quem Bolsonaro nunca teve boas relações.
Com a escolha de Paulo Sérgio, porém, Bolsonaro tenta apaziguar os ânimos e passar a mensagem para a tropa de que vai manter a continuidade.
Ao anunciar os novos comandantes, o general Braga Netto, novo ministro da Defesa, destacou o papel dos militares no enfrentamento da covid-19 e disse que as Forças Armadas
- “não faltaram no passado e não faltarão sempre que o País precisar”.
- “O Exército, a Marinha e a Aeronáutica se mantêm fiéis a suas missões constitucionais de defender a pátria e garantir as liberdades democráticas.
- O maior patrimôinio de uma nação é a liberdade de seu povo”,
afirmou. Ao se referir ao presidente, Braga Netto disse Comandante Supremo escolheu os comandantes.
Preterido na escolha, o general mais antigo na cúpula do Exército, general José Luiz Freitas, elogiou a indicação pelas redes sociais.
“Escolhido o novo Comandante do Exército, Gen Paulo Sérgio, excepcional figura humana e profissional exemplar. Como não poderia deixar de ser, continuaremos unidos e coesos, trabalhando incansavelmente pelo Exército de Caxias e pelo Brasil!”,
postou o general, que deve ir para a reserva em três meses.
O segundo na lista de antiguidade era o general Marcos Antonio Amaro dos Santos, chefe do Estado-Maior do Exército, que cuidou da segurança da ex-presidente Dilma e foi chefe da Casa Militar no governo da petista.
Marinha e Aeronáutica
Na Marinha, o escolhido por Bolsonaro foi o almirante Almir Garnier. Neste caso, o presidente também ignorou a tradição e optou pelo segundo da lista de antiguidade. O primeiro era o almirante de esquadra Alípio Jorge Rodrigues da Silva, comandante de Operações Navais.
Na Aeronáutica, assumirá o brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior,
- que demonstra nas redes sociais ser afinado ao governo,
- compartilhando mensagens ligadas a grupos de direita.
- Ele era o primeiro no critério de antiguidade.
Mais cedo, antes das escolhas serem anunciadas,
- o vice-presidente Hamilton Mourão
- defendeu o respeito ao critério de antiguidade na escolha da nova cúpula militar.
“Eu julgo que a escolha tem que ser feita dentro do princípio da antiguidade, até porque foi uma substituição que não era prevista. Quando é uma substituição prevista, é distinto. Então, se escolhe dentro da antiguidade e segue o baile”,
afirmou o vice, que é general da reserva.
O presidente também havia sido aconselhado a seguir a lista para não criar atritos com generais mais experientes.
Isso porque os oficiais mais antigos passam à reserva se um militar mais “moderno”, com menos tempo de Exército, for alçado ao comando. A aposentadoria não é uma regra compulsória, mas costuma ter força de norma não escrita nos quartéis.
Os oficiais costumam pedir para deixar a ativa como forma de não serem comandados por um antigo subordinado, uma inversão na hierarquia.

Felipe Frazão