Nicolelis insiste em lockdown e teme que país atinja 500 mil mortes no meio do ano

Brasil de Fato, 22-03-2021.

Na Foto: Vacinação em São Paulo: para cientista, é preciso ‘fechar’ a região metropolitana e a capital. Segundo ele, o país todo ‘colapsou’ / Rovena Rosa/Agência Brasil.

“Se nada for feito, afirmou, o país poderá atingir 500 mil óbitos no meio do ano.”

S. Paulo acaba de fechara vacina em drive-throu

 

 O neurocientista Miguel Nicolelis voltou a defender medidas drásticas no Brasil para frear a pandemia de coronavírus.
Em entrevista ao jornal O Globo, publicada na edição deste sábado (20), ele usa a expressão “hecatombe” para definir a situação no país. E fala em “colapso funerário”, além do sanitário. Se nada for feito, afirmou, o país poderá atingir 500 mil óbitos no meio do ano.

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“É duro dizer isso, mas vai piorar muito se não fizermos nada. E tem que ser a nível nacional, com medidas sincronizadas”, afirmou o também professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos.

“Não adianta fechar um estado e deixar o resto aberto porque o vírus está em todo lugar, se espalha pelas rodovias, pelos aeroportos. Vamos chegar a 300 mil óbitos com uma rapidez impressionante. Podemos chegar a 500 mil na metade do ano, no meio do inverno.”, acrescentou.

 

 

Abertura indiscriminada

Segundo ele, o país se aproxima de quase 3 mil mortes diárias em consequência das eleições de novembro e do que ele chama de aberturas indiscriminadas.

  • “Com as festas natalinas e o carnaval, explodiu de vez. Como medidas mais rígidas não aconteceram, infelizmente as previsões se concretizaram, e chegamos a um colapso.
  • Hoje é difícil prever qual vai ser a taxa de óbitos daqui a duas, três semanas. A gente não consegue ver limite ou pico”, diz Nicolelis.

Com pacientes na fila de espera em São Paulo, o cientista afirma que

  • o governador João Doria e o prefeito Bruno Covas (ambos do PSDB)
  • precisam ter “coragem” e fechar a Grande São Paulo e a capital.

“Não dá para continuar empurrando com a barriga. Ou faz agora, ou as pessoas vão morrer na rua. São Paulo já colapsou há dias. Quando cruza 90% de ocupação, já foi. Só na logística para achar o leito e transferir, as pessoas vão morrer. O Brasil inteiro colapsou”,lamenta.

  • Ele também criticou o fato de o Brasil não ter se preparado, estocando medicamentos.
  • E comparou a situação a uma guerra, em que o inimigo ocupou o território, sem que o país se defendesse.

Porque, criticou,

“quem deveria criar nossa estratégia de defesa renunciou ao papel de defender a sociedade da maior tragédia humanitária da nossa história”.

Sobre a posição de Jair Bolsonaro de que só ele pode decidir sobre lockdown, Nicolelis afirmou que o documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal será

“prova definitiva de que as intenções da Presidência não são voltadas ao bem maior da sociedade”.

E pediu a intervenção de outros poderes.

“O presidente botou no papel o que o mundo inteiro já sabia, que ele quer fazer o oposto do necessário para evitar um genocídio no Brasil”,

afirmou o cientista.

 

Brasil de Fato

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