Agência Lusa – 20 de Setembro de 2020 – Foto: Daqui
Este domingo foram encerrados quatro templos. Só em Luanda há 211 locais de culto da Igreja Universal do Reino de Deus.
Este foi o primeiro fim-de-semana em que foram retomados os cultos religiosos em Luanda desde Março, altura em que foi declarado o estado de emergência.
A justiça angolana ordenou o encerramento e apreensão de todos os templos da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, estando o processo de encerramento a ser feito “de forma gradual”, disse à Lusa fonte policial.
“Por despacho do Ministério Público, todos os templos da IURD em território nacional estão apreendidos e encerrados, só que o processo de selagem está a ser feito de forma gradual”,
indicou a fonte, acrescentando que só na capital angolana, Luanda, são 211 templos.
A IURD em Angola declarou-se este domingo “surpresa” com a ordem de encerramento de quatro dos seus templos durante o culto, adiantando que nenhum deles estava no lote dos sete edifícios apreendidos pela Procuradoria-Geral da República em Agosto e classificou a operação policial como “desproporcionada e excessiva”.
Em declarações à Lusa, uma fonte policial adiantou que os templos estão apreendidos e serão encerrados.
“Por conseguinte, enquanto decorre o processo não podem realizar cultos”, afirmou a mesma fonte, acrescentando que “para que não se criem mais dúvidas a respeito, as partes serão notificadas nos próximos dias, para aclarar a situação”.
Este foi o primeiro fim-de-semana em que foram retomados os cultos religiosos em Luanda desde Março, altura em que foi declarado o estado de emergência em Angola devido à pandemia de covid-19.
Num comunicado enviado à Lusa, a IURD disse ter sido “surpreendida” com a chegada da polícia aos templos do Kilamba, Estalagem, Km 30 e Samba, tendo sido decretado o encerramento dos mesmos, apesar de os agentes não estarem “munidos de qualquer mandato ou documentação de suporte”.
A IURD alegou que a polícia agiu
“de forma truculenta e excessiva, cerceando os membros e fiéis que, na ocasião, estavam exercendo seu direito de liberdade de culto”
e sublinha que não havia qualquer impedimento legal ou mandato judicial que impedisse o culto naqueles templos,
“pois os mesmos não foram arrestados ou lacrados pela Procuradoria-Geral da República (PGR)”.
A PGR angolana apreendeu, em Agosto, sete templos da IURD em Luanda (Alvalade, Maculusso, Morro Bento, Patriota, Benfica, Cazenga e Viana), no âmbito de um processo-crime por alegadas práticas dos crimes de
- associação criminosa,
- fraude fiscal
- e exportação ilícita de capitais.
- A IURD tem estado envolvida em várias polémicas em Angola, depois de um grupo de dissidentes se afastar da direcção brasileira, em Novembro do ano passado.
- As tensões agudizaram-se em Junho com a tomada de templos pela ala reformista, entretanto constituída numa Comissão de Reforma de Pastores Angolanos,
- com troca de acusações mútuas relativas à prática de actos ilícitos.
Os angolanos, liderados pelo bispo Valente Bezerra, afirmam que a decisão de romper com a representação brasileira em Angola encabeçada pelo bispo Honorilton Gonçalves, fiel ao fundador Edir Macedo, se deveu a práticas contrárias à religião, como
- a exigência da prática da vasectomia,
- castração química,
- práticas de racismo,
- discriminação social,
- abuso de autoridade,
- além da evasão de divisas para o exterior do país.
As alegações são negadas pela IURD Angola que, por seu lado, acusa os dissidentes de
- “ataques xenófobos” e agressões a pastores
- e intentou também processos judiciais contra os dissidentes.
A IURD Angola acusou anteriormente as autoridades judiciais angolanas d
- terem feito apreensões ilegais
- e atentarem contra a liberdade religiosa.
Neste momento correm os seus trâmites nos tribunais angolanos vários processos judiciais relacionados com a IURD Angola.
O conflito deu origem à abertura de processos-crime na PGR de Angola e subiu à esfera diplomática, com o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, a pedir ao seu homólogo João Lourenço garantias de protecção dos pastores brasileiros e do património da Igreja, tendo o chefe de Estado angolano prometido um “tratamento adequado” do assunto na justiça.
Agência Lusa
LEIA MAIS:
- Justiça de Angola manda encerrar todos os templos da … – DCM
- Angola: Justiça manda encerrar todos os templos da IURD – DW
- Ministério Público arquiva inquérito à adopção ilegal de crianças pela IURD
- TVI obrigada a desfocar cara de rapaz adoptado por bispo da IURD
- PGR angolana ordena encerramento de templos da IURD em Luanda