Economia deve colocar as pessoas acima dos “ídolos das finanças”, diz Papa Francisco

Junno Arocho Esteves – 05 Setembro 2020 – Foto: Daqui

 Enquanto muitas pessoas ao redor do mundo enfrentam incertezas econômicas devido à pandemia, é necessária uma mudança de paradigma que coloque o bem de muitos acima dos benefícios de poucos, disse o Papa Francisco.

A reportagem é de Junno Arocho Esteves, publicada em Catholic News Service, 04-09-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Como um conceito geral, a econ0mia deveria se tornar

 “expressão de ‘cuidado’, que não exclui, mas inclui, não mortifica, mas vivifica”,

disse o papa no dia 4 de setembro, em uma mensagem aos participantes de um fórum internacional promovido pela European House – Ambrosetti, um think tank econômico com sede em Roma.

A economia deve ser uma expressão de

  • “cuidado que não sacrifica a dignidade humana aos ídolos das finanças, que não gera violência e desigualdade, que não usa o dinheiro para dominar, mas para servir”, disse.
  • “O autêntico lucro consiste em uma riqueza à qual todos podem ter acesso.”

European House – Ambrosetti estava realizando o seu fórum anual entre os dias 4 e 6 de setembro na cidade de Cernobbio, no norte da Itália.

Segundo seu site, o fórum reúne

  • autoridades governamentais,
  • empresários,
  • acadêmicos e especialistas

“para discutir temas da atualidade de maior impacto para a economia mundial e a sociedade como um todo”.

Em sua mensagem, o papa disse que os problemas que o mundo enfrenta requerem

“um empenho extraordinário para responder os desafios provocados ou agravados pela emergência sanitária, econômica e social”.

A partir da pandemia da Covid-19, escreveu, “todos estamos aprendendo que ninguém se salva sozinho”.

  • “Fomos forçados pelos eventos a olhar na cara da nossa pertença recíproca, para o fato de sermos irmãos e irmãs em uma casa comum”, disse o papa.
  • “Não tendo sido capazes de nos mostrarmos solidários no bem e na partilha dos recursos, vivemos a solidariedade do sofrimento.

O papa disse que a pandemia também forçou as pessoas a

  • “abrir mão do supérfluo e se concentrar no essencial”
  • e a discernir “aquilo que permanece e aquilo que passa, aquilo que é necessário e aquilo que não é”.

Neste tempo, continuou, a ciência e a tecnologia, embora necessárias,

“não foram suficientes”, e “o elemento decisivo foi a excedência de generosidade e de coragem praticadas por tantas pessoas”.

  • “Isso nos leva a sair do paradigma tecnocrático, entendido como única ou predominante abordagem aos problemas.
  • Paradigma marcado pela lógica do domínio sobre as coisas,
  • no falso pressuposto de que existe uma quantidade ilimitada de energia e de meios utilizáveis,
  • de que a sua imediata regeneração é possível
  • e de que os efeitos negativos das manipulações da natureza podem ser facilmente absorvidos”, disse o papa.

Francisco exortou os participantes do fórum a atenderem ao apelo de Cristo para “discernir sabiamente os sinais dos tempos” e enfatizou a necessidade de conversão ecológica e de criatividade para enfrentar os desafios de hoje.

A conversão ecológica, explicou, pode nos ajudar a

  • “nos reconectarmos com o nosso ambiente real”
  • e a diminuir o “ritmo desumano de consumo e de produção”,
  • enquanto a criatividade pode ajudar a inspirar “caminhos novos e originais rumo ao bem comum”.

“Só podemos ser criativos se formos capazes de acolher o sopro do Espírito, que nos leva a ousar escolhas maduras e novas, muitas vezes audazes, tornando-nos homens e mulheres intérpretes de um desenvolvimento humano integral a que todos aspiramos”, disse Francisco.

É “a criatividade do amor que pode dar novamente sentido ao presente, para abri-lo a um futuro melhor”, afirmou.

 

Junno Arocho Esteves (@arochoju) | Twitter

Junno Arocho Esteves

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/602610-economia-deve-colocar-as-pessoas-acima-dos-idolos-das-financas-diz-papa-francisco

 

 

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