
7Margens | 25 Ago 20
Ajuda a pessoas vulneráveis na Venezuela: a situação dramática pode atingir mais 200 milhões de pessoas em breve. Foto © ACN.
A presidência do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM), que reúne os bispos católicos de toda a América Latina, escreveu aos líderes políticos da região apelando à integração e cooperação regional,
- para encontrar soluções para a crise causada pela covid-19 e alertando para as consequências sociais da pandemia:
- prevê-se que mais 215 milhões de pessoas fiquem em situação de pobreza nos próximos meses (ou seja, 35% da população)
- e esse é “um facto escandaloso que faz barulho na consciência da Igreja”, dizem os bispos.
“Exigimos que as políticas públicas tenham sempre em mente, antes de tudo, os homens e as mulheres da nossa terra e principalmente os mais pobres. Nós o reivindicamos em nome de Deus!”
Na cooperação inter-regional
- deveria incluir-se o povo e a comunidade científica, diz o texto,
- de modo a construir soluções conjuntas para ultrapassar as dificuldades actuais e futuras,
- no que diz respeito aos mais importantes desafios que o continente terá pela frente.
A carta, cujos textos integral ou resumido podem ser lidos na página digital do CELAM, começa por recordar que
- mais de 200 mil pessoas morreram já na América Latina e nas Caraíbas, vítimas de covid,
- enquanto se registam mais de cinco milhões de infectados.
A outra vacina necessária
Para lá da doença e da pobreza que atingem sobretudo os mais vulneráveis, os responsáveis católicos continentais estão também preocupados com
“a violência e o medo que ameaçam a liberdade de todos os povos”.
O que os leva a citar as palavras do Papa, na recente audiência de 19 de Agosto:
- “É fundamental encontrar a cura para um pequeno mas terrível vírus que põe a todos de joelhos”,
- mas também “temos de curar um grande vírus, o da injustiça social, da desigualdade de oportunidades, da marginalização e da falta de protecção dos mais fracos”.
O documento alerta ainda para
- a importância de comprovar que as vacinas que estão a ser preparadas são “seguras e testadas eticamente”
- e que cumprem a “advertência médica tradicional do primum non nocere”,
- ou seja, que o primeiro objectivo deve ser não fazer mal.
No âmbito do continente, os bispos esperam que
- se concretize mais cooperação científica,
- com centros de pesquisa, laboratórios e produção de medicamentos conjuntos,
- para que se possa também enfrentar as “chamadas doenças invisível, resultado do défice e de condições socioeconómicas injustas, que causam mais mortes do que a covid-19”.
A crise pandémica revelou as deficiências das estruturas sociais que fazem aumentar a pobreza, dizem os bispos. Por isso é urgente que
- os economistas e cientistas procurem uma nova “vacina”
- também contra essas doenças estruturais e contra o “pecado ecológico” que afectam a região e que devem ser superadas em conjunto.
Os bispos reafirmam ainda o compromisso da Igreja com a reconstrução do tecido social latino-americano e caribenho e com uma particular dedicação à defesa e ao cuidado da vida, especialmente dos mais vulneráveis e excluídos.

A presidência do CELAM em Agosto de 2020. Foto © CELAM
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