EUA. Kamala Harris é uma boa e uma má escolha para vice

 

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Michael Sean Winters  – 13 Agosto 2020 . Foto Joe Biden e Kamala Harris : DAQUI

Primeiro, as más notícias. A escolha de Joe Biden da senadora Kamala Harris como sua companheira de chapa é um revés para os progressistas.

O comentário é de Michael Sean Winters, publicado em National Catholic Reporter, 12-08-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

 

“Você toma muitas decisões importantes como presidente”, disse Biden no e-mail anunciando a escolha. “Mas a primeira é quem você escolhe para ser seu vice-presidente.”

Essa escolha totalmente convencional de alguém que nunca desafiou as políticas econômicas neoliberais que roubaram a classe trabalhadora dos EUA durante décadas – e a enviou para os braços acolhedores de Donald Trump – não é um bom presságio para uma presidência Biden. Os tempos exigem uma reestruturação econômica ousada e progressiva, e é difícil ver Harris demandando tal ação em relação a Biden.

Como eu escrevi no ano passado, depois do primeiro debate das primárias:

  • “O desempenho de Harris no debate mostrou a sua habilidade como contadora de histórias,
  • assim como a sua habilidade de entregar uma linha de ataque bem ensaiada,
  • atacando o histórico de Biden em relação ao transporte escolar e levando a questão para o nível pessoal: ‘Aquela garotinha era eu’.

Mas, no fim do debate, alguém poderia responder à pergunta:

  • por que Harris acha que ela deveria ser presidente?
  • Ou a esta: alguém pode descrever com alguma precisão para onde Harris gostaria de liderar o país caso ela se tornasse presidente?

Todos os elogios para a sua performance no debate tinham a ver com estilo, não com política.”

* Ela nunca respondeu a essas perguntas, e você não pode escapar da conclusão de que ela estava concorrendo à presidência porque era o próximo passo lógico na sua carreira. Combinado com alguns erros estratégicos, essa falta de lógica resultou em uma catástrofe: ela caiu fora da disputa antes que um único voto fosse feito.

  • Além da anêmica corrida presidencial de Harris –talvez um ponto sobre o qual ela e Biden possam se unir –,
  • há o problema do seu histórico e da sua dependência do dinheiro do Vale do Silício para financiar a sua carreira política.

* Jesse Mechanic, no HuffPost, examinou a sua falha em processar o então rei da execução hipotecária, o agora secretário do Tesouro, Steve Mnuchin.

Joel Kotkin, no City Journal, explicou os lamentáveis laços financeiros dela com o Vale do Silício.

O único desenvolvimento mais progressista na política dos EUA nos últimos anos – candidatos que realizaram campanhas com arrecadação de fundos genuinamente a partir da base e sem arrecadação de fundos de alto valor e de pessoas de difícil acesso – é um desenvolvimento do qual Harris não participou.

* Os católicos se lembrarão, e os católicos conservadores têm todo o direito de questionar os bizarros comentários de Harris sobre os Cavaleiros de Colombo.

Em 2018, ela perguntou a uma pessoa citada judicialmente, Brian Buescher:

“Quando você se juntou à organização, você sabia que os Cavaleiros de Colombo se opunham ao direito de escolha de uma mulher?”.

A questão é embaraçosa

  • tanto em sua ignorância
  • quanto em sua intolerância.

Michael Gerson, indiscutivelmente o crítico mais combativo e incisivo do presidente Trump,

  • comparou corretamente as perguntas de Harris
  • ao tipo de intolerância anticatólica
  • que pensávamos que havia ficado no passado da nação.

Sejam quais forem as dificuldades que eu tenha com a liderança dos Cavaleiros de Colombo,

  • elas não desculpam o desprezo dela por uma religião
  • da qual milhões de concidadãos fazem parte,
  • incluindo o seu novo companheiro de chapa.

***

Agora, a boa notícia:

  • a escolha de Harris como companheira de chapa de Biden pode não importar.
  • Politicamente, a escolha de um candidato a vice-presidente quase nunca ajuda, só pode prejudicar.

Na minha vida, a única escolha que realmente ajudou um candidato à presidência foi a escolha de Al Gore como companheiro de chapa de Bill Clinton: em vez de buscar equilíbrio, Clinton reforçou a sua imagem como um novo tipo de democrata – centrista, de fala mansa, jovem – e fez isso precisamente no momento em que a campanha de Ross Perot estava implodindo, e os eleitores voltaram a olhar para Clinton.

A escolha de Tom Eagleton por parte de George McGovern, assim como a escolha de Sarah Palin por parte de John McCain, prejudicou campanhas já destroçadas.

Na maioria dos casos,

  • a escolha domina as notícias em um ciclo lento de notícias de agosto, mas não muda as mentes.
  • Neste ano, será que há alguém que ainda não se decidiu?

Em termos de governo, se a chapa Biden-Harris tiver sucesso,

  • a situação que eles enfrentarão em janeiro pode ser tão sombria
  • que eles precisarão recorrer às ideias mais progressistas defendidas pelo senador Bernie Sanders e pela senadora Elizabeth Warren nas primárias presidenciais deste ano.

Em um momento

  • em que milhões de pessoas perderam seus empregos e, com eles, o seu seguro-saúde,
  • Medicare for All está parecendo ainda mais obviamente a solução de que o país precisa.

Continuar mantendo a economia à tona,

  • enviando dinheiro para os cidadãos mais pobres do país, em vez de para os mais ricos,
  • representa uma derrota da economia laissez-faire à la Reagan,
  • impossível de conceber até alguns meses atrás.

New Green Deal agora não é apenas uma necessidade ambiental; é uma necessidade econômica, criando milhões de empregos bem remunerados, convertendo a base da economia nos combustíveis fósseis em fontes de energia sustentáveis.

Os leitores regulares saberão que Warren era a pessoa que eu queria que Biden escolhesse. Eu fico feliz por termos uma mulher na cédula, e só gostaria que fosse uma mulher progressista.

  • Após as tensões raciais que o país viveu nesses meses,
  • colocar uma mulher negra na cédula é louvável, um forte sinal de que, no Partido Democrata, o antirracismo é inegociável.

Além disso, como filha de imigrantes, ela encarna as circunstâncias de vida e as esperanças dos imigrantes para os quais o governo Trump tem sido especialmente infernal.

A impressionante história pessoal de Harris e a sua inegável competência irão, dia após dia, desmentir as crenças mais feias do sexismo e do racismo.

O fato de os democratas terem uma mulher negra na chapa

  • significa que a raça estará no centro da eleição deste ano, ainda mais do que deveria.
  • Isso torna ainda mais imperativo para os progressistas se prepararem para denunciar ataques racistas e sexistas contra Harris,
  • e para fazer disso uma parte da derrota de Donald Trump em novembro.

Sejamos claros:

  • o desapontamento com essa escolha não muda a equação moral em novembro.
  • Assim como eu argumentei no mês passado que os democratas deveriam dar as boas-vindas ao apoio dos republicanos enojados com Trump,
  • não deixemos ninguém pensar que ter Harris na cédula é uma quebra de contrato.

Bernie Bros e outros progressistas desapontados devem se unir à chapa Biden-Harris e trabalhar para garantir que haja muita pressão dentro do partido para que políticas econômicas fortemente progressistas sejam implementadas.

Livrar a nação de Trump e do trumpismo é um imperativo moral da mais alta ordem para os progressistas aqui e em todo o mundo.

Michael Sean Winters

Michael Sean Winters é um jornalista e escritor americano que cobre política e eventos na Igreja Católica Romana para o National Catholic Reporter, onde seu blog “Distinctly Catholic” pode ser encontrado. Wikipedia (inglês)

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/601825-eua-kamala-harris-e-uma-boa-e-uma-ma-escolha-para-vice

 

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