Vidas negras importam: “Este movimento marca uma virada histórica”

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Marie-Agnès Suquet – 11 Junho 2020 – Foto: DAQUI

Nos Estados Unidos, em dezenas de cidades, as manifestações estão se multiplicando. Elas refletem, entre muitos afro-americanos e entre os brancos que delas participam, o desejo de mudar de mentalidade.
Entrevista com Hasan Jeffries, professor de história afro-americana da Universidade Estadual de Ohio, que vê nestes acontecimentos uma inflexão no movimento dos direitos civis.

A entrevista é de Marie-Agnès Suquet, publicada por La Vie, 10-06-2020. A tradução é de André Langer.

 

Eis a entrevista.

Desde a morte de George Floyd, as manifestações aumentaram. Este é um momento histórico no movimento negro-americano pelos direitos civis?

 Coll. perso.
Foto: Professor Hasan Jeffries / Arquivo pessoal

Este movimento marca efetivamente uma virada histórica pelo número de brancos presentes nas marchas ao lado dos negros para denunciar o sistema. Esta é uma crítica pública muito nova.

Na década de 1960, os brancos que apoiavam os negros em sua busca pela igualdade – muito menos numerosos do que hoje – denunciaram a injustiça e o direito à dignidade.

Hoje, os brancos simplesmente dizem que

  • o tratamento reservado aos negros é desumano
  • e que os negros são seres humanos, como os brancos.

 

O vídeo desse policial branco com o joelho sobre o pescoço do homem negro, até sufocá-lo, lembra os tempos de outra época, da escravidão e da segregação racial. Podemos ver nisso o símbolo da perpetuação da dominação branca sobre os negros?

Na verdade, é um símbolo da opressão dos negros pelos brancos. Os negros têm esse joelho sobre eles que os oprime há 400 anos e cuja situação é ilustrada de várias maneiras:

  • violência policial,
  • problema habitacional,
  • desigualdade em termos de saúde,
  • encarceramento em massa…

Por trás do gesto desse policial, também tem o estereótipo de que os homens negros são por natureza perigosos e criminosos. Esta ideia remonta ao período da escravidão e foi incorporada pelo homem branco para justificar essa dominação.

  • A ideia da supremacia é, portanto, um legado da escravidão,
  • mas, acima de tudo, um dos fundamentos próprios da sociedade americana.
  • É o pecado original da América.

 

Como os Estados Unidos podem superar esse pecado original?

A primeira coisa

  • é reconhecer que os Estados Unidos estão construídos sobre um sistema desumano.
  • A escravidão beneficiou economicamente os Estados Unidos e moldou a cultura e a sociedade americanas.
  • Foi o racismo, assim como o capitalismo, que provocou o nascimento desta nação.

Deveríamos enfrentar o nosso passado criando uma comissão da verdade e reconciliação e discutindo honestamente a questão das reparações aos negros americanos descendentes dos escravos.

Isso poderia ser na forma de um plano de investimento nas comunidades afro-americanas. Os 2 trilhões de dólares encontrados para enfrentar a pandemia da Covid-19 provam que existe dinheiro. Falta, agora, a vontade para fazê-lo.

 

Bungalow Production

 

Marie-Agnés Suquet

 

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