Início da assembleia do Caminho Sinodal da Igreja Católica na Alemanha, na manhã de sexta-feira, 31 de Janeiro.

Joaquim Nunes, em Offenbach (Alemanha) | 31 Jan 20
Foto © Isabella Vergata, cedida pela autora
“O momento chegou!
Depois da resolução da Conferência Episcopal Alemã tomada por unanimidade de empreender este caminho sinodal, com o primeiro objectivo de reflectir a temática dos abusos sexuais, ninguém imaginava que os temas se iriam alargar a este ponto.
Ninguém previa que o tema teria uma tal ressonância”.
Thomas Sternberg, presidente do “Caminho Sinodal”, na conferência de imprensa realizada a meio da tarde desta quinta-feira, 30 de Janeiro, manifestava deste modo a sua satisfação pelo início deste processo. Com uma celebração da Eucaristia, abria solenemente
- a primeira assembleia sinodal, a decorrer em Frankfurt,
- com os 230 participantes,
- entre os quais 69 bispos alemães (residenciais e auxiliares).
Sternberg, que é também presidente do Comité Central dos Católicos Alemães, explicava esta ressonância, por um lado,
- pela “ira”de muitas católicas e católicos neste país perante a dimensão dos abusos sexuais,
- que veio pôr em causa da credibilidade da “sua”Igreja.
Mas, no seu ponto de vista,
- a grande expectativa perante o processo sinodal
- só se pode explicar pelo “estancar”de reformas na Igreja,
- e concretamente na Igreja Católica na Alemanha.
Desde 1976, quando se realizou o Sínodo das dioceses alemães, que não se levaram a cabo reformas significativas. E há reformas que são urgentes.
Os quatro temas deste caminho sinodal –
- poder e participação na Igreja,
- sexualidade e amor nas relações humanas,
- vida sacerdotal e celibato,
- lugar da mulher nos serviços e ministérios da Igreja
– são apenas quatro temas, mas há muitos outros.
O cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência Episcopal, sublinhou que
- aqueles quatro temas
- foram colocados na agenda pelo estudo que o episcopado encomendou a peritos de três universidades.
Mas há muitos outros:
- a pastoral da Igreja no seu conjunto
- a força do Evangelho de Jesus Cristo,
- o lugar de Deus nas vidas das pessoas no nosso tempo…
Sternberg manifestou a confiança de que este caminho sinodal
- possa convencer os responsáveis da necessidade de instalar na Igreja “estruturas participativas”,
- que permitirão uma reflexão e um debate permanentes,
- sem medo, sem partidarismos, sem preconceitos.
A manhã desta sexta-feira, 31 de janeiro, foi preenchida por um vivo diálogo sobre a necessidade deste debate,
- sobre a relevância dos seus pontos de partida,
- sobre a prioridade de não deixar que a conversa se esgote em declarações de boas intenções.
Há que lembrar que uma minoria de bispos e de grupos conservadores continua a ver e a acompanhar (eles também participam) este processo com cepticismo.
- “Trata-se de criar um espaço em que possamos falar uns com os outros, não uns contra os outros”, em “respeito pela palavra do outro”, dizia Marx.
- “Trata-se de introduzir na Igreja uma cultura do debate, na abertura, sem medo de conflitos”,
afirmava Franz-Josef Overbeck, bispo de Essen.
Para já, a primeira sessão sinodal está a decorrer num clima de grande abertura. Um numeroso grupo de
- bispos e leigos,
- teólogos e delegados dos grupos e movimentos,
- jovens e adultos,
- funcionários da Igreja e religiosas,
sucederam-se no uso da palavra, num clima de abertura, que a moderadora da sessão propõe como método: ouvir – interpretar – responder. Para os interessados, as sessões estão a ser transmitidas através da internet.
Fonte: https://setemargens.com/sinodo-catolico-alemao-o-momento-chegou/
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