Assim que a notícia foi veiculada, os líderes democratas insistiram na necessidade de que Bolton deponha no julgamento do Senado, algo a que os republicanos, protegendo Trump, até agora se opuseram.
“A recusa em convocar esta e outras testemunhas relevantes e em solicitar documentos é inclusive menos defensável agora. A escolha é clara: nossa Constituição ou o acobertamento”,
escreveu a presidenta da Câmara de Representantes (deputados), Nancy Pelosi, em sua conta do Twitter.
O magnata nova-iorquino, terceiro presidente da história norte-americana a ser submetido a um julgamento de impeachment, foi acusado de abuso de poder por pressionar seu homólogo ucraniano, Volodymyr zele, usando como moeda de troca
- essas ajudas militares que já tinham sido aprovadas pelo Congresso,
- além de um convite para visitar a Casa Branca.
Especificamente,
- solicitava investigações sobre Joe Biden, pré-candidato presidencial pelo Partido Democrata, e seu filho Hunter por seus negócios no país europeu,
- e também sobre uma desacreditada teoria acerca de uma suposta trama de ingerência eleitoral para ajudar os democratas em 2016.
A defesa sustenta que o mandatário agiu guiado por uma preocupação honesta sobre a corrupção, e que o congelamento dos recursos militares —um bloqueio que foi ilegal, segundo um relatório oficial— não teve a ver com essas conversações.
É exatamente o contrário do que afirma Bolton, um falcão da era Bush que foi demitido em 10 de setembro por Trump devido às crescentes discrepâncias entre eles. No livro, segundo o Times,
- Bolton afirma ter ficado preocupado com a conversa telefônica de 25 de julho entre Trump e Zelensky,
- em que o mandatário pedia essas investigações, inclusive oferecendo a colaboração de seu advogado pessoal Rudy Giuliani, num procedimento completamente irregular.
- Também se refere à polêmica demissão da embaixadora Marie Yovanovitch e afirma que o secretário de Estado Mike Pompeo estava consciente de que as acusações de corrupção contra a diplomata careciam de base.
Bolton é uma das testemunhas que os democratas querem convocar no Senado, mas os republicanos, que são maioria na Câmara Alta,
- até agora bloqueiam qualquer tentativa de ouvir novos depoimentos
- e tentam concluir rapidamente o julgamento, previsivelmente com a absolvição.
Os democratas, que têm 47 dos 100 assentos, precisam convencer quatro republicanos para contar com os 51 votos necessários e para intimar testemunhas que consideram chaves, como o chefe de gabinete e diretor do escritório orçamentário, Mick Mulvaney. “Só precisamos de quatro senadores republicanos que queiram a verdade”, afirmou o líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer.
O julgamento contra o presidente devido ao escândalo da Ucrânia foi aprovado na Câmara de Representantes graças à maioria dos democratas entre os deputados, mas a Casa Branca negou qualquer colaboração durante a fase de investigação, vetando depoimentos de funcionários do Executivo e a entrega de dezenas de documentos. Esse boicote levou à segunda acusação que pesa sobre Trump: obstrução do Congresso.
- Os democratas pedem agora ao Senado que exija o depoimento de vários desses funcionários
- que foram proibidos de falar à Câmara.
Não está claro
- se o relato de Bolton será um ponto de inflexão para os republicanos duvidosos sobre uma conclusão tão rápida do julgamento —sem ouvir mais testemunhas—
- ou se a união em torno de Trump seguirá inquebrável.
Há alguns dias, mostraram-se abertos à possibilidade de convocar testemunhas os senadores Mitt Romney (Utah), Susan Collins (Maine) e Lisa Murkowski (Alasca). O julgamento continuará nesta segunda-feira, com o segundo dia de exposição dos advogados de Trump.

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