A reportagem é de , publicada por Il Messaggero, 18-12-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.
Em suma, é uma abertura para o divórcio, embora com mil distinções e muitas cautelas. O livro chamado Che cosa è l’uomo (O que é o homem, em tradução livre) aborda o tema em um parágrafo inteiro.
“O Mestre peremptoriamente afirma a indissolubilidade do matrimônio, proibindo o divórcio e novos casamentos”,
mas, no entanto, os teólogos lembram que
“não faz um ato contrário ao casamento o cônjuge que – constatando que o relacionamento conjugal não é mais expressão de amor – decide separar-se daquele que ameaça a paz ou a vida dos familiares; aliás, ele paradoxalmente atesta a beleza e a santidade do vínculo precisamente ao declarar que ele não realiza seu significado em condições de injustiça e infâmia”.
Magistério
O papa desde o início do pontificado havia se concentrado no desconforto de tantos casais divorciados e depois recasados. Durante uma audiência, ele até mencionou a possibilidade de um divórcio “cristão”, refletindo sobre muitas situações de violência escondida e oculta entre os muros domésticos:
“Não devemos insistir no fato de ser possível ou não dividir um casamento. Às vezes acontece que o relacionamento não funciona e é melhor se separar para evitar uma guerra mundial, esta sim é uma desgraça”.
O estudo recém-publicado é uma leitura antropológica sistemática da Bíblia atualizada até os dias atuais e analisada de acordo com diferentes ângulos.
O jesuíta, padre Pietro Bovati, secretário da Pontifícia Comissão Bíblica, redator do texto, explicou que o pedido veio pessoalmente do Papa e o resultado são os quatro capítulos de investigação cognitiva da criatura humana e sua relação com o Criador, assim como são narrados pelas Escrituras.
“Em sua história milenar, a humanidade progrediu no conhecimento científico, aprimorou gradualmente sua consciência dos direitos do homem, testemunhando um crescente respeito pelas minorias, pelos indefesos, pelos pobres e marginalizados”.
O texto da Comissão do antigo Santo Ofício também colocou outras temáticas espinhosas sob a lupa, como a questão do gênero.
“Parece-nos – acrescentou o padre Bovati – ter respondido precisamente ao que a Igreja nos pede, isto é, não dizer coisas que não são as que a Bíblia apresenta.
Por isso, aceitamos abordar as questões, respeitando o nível de informação que temos das Escrituras.
Existem perguntas que os homens apresentam hoje, que não encontram uma resposta imediata e precisa nas Escrituras, porque as situações culturais dos tempos antigos não são nossas”.
Franca Giansoldati
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