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Moro está aprendendo machismo na escola de seu chefe Bolsonaro?

  • 12/08/2019
  • 21:00

A ideia de Moro sobre a violência machista, segundo a qual se deveria ao fato de que a mulher adquiriu maior poder na sociedade moderna e ameaça o homem, não parece aprendida na ilustre Universidade de Harvard, onde se formou,     mas na nova escola de seu chefe, o presidente Bolsonaro

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JUAN ARIAS – 9 AGO 2019 – Foto: Sérgio Moro ao lado de Jair Bolsonaro durante transmissão ao vivo via redes sociais. /MSN
Teria sido melhor que Moro tivesse aterrissado no Governo extremista de Bolsonaro para trazer novos ventos de democracia e modernidade, em vez de aparecer também ele hoje como discípulo aplicado na escola do obscurantismo, do machismo e do desprezo à mulher e seus melhores valores.
Se for verdade que Moro vislumbra horizontes políticos que se resolveriam nas urnas, não deveria se esquecer de que a maioria dos milhões que votam no Brasil é composta por mulheres
Já vi publicadas, talvez mais e com maior ênfase no exterior do que no Brasil, as motivações que o ex-juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça do Governo ultradireitista de Jair Bolsonaro, apresentou para justificar o crescente número de feminicídios perpetrados no Brasil.

Por ocasião, dias atrás, do décimo aniversário da lei María da Penha, de combate à violência machista, Moro afirmou: “Talvez nós, homens, nos sintamos intimidados pelo crescente papel da mulher em nossa sociedade. Por conta disso, parte de nós recorre, infelizmente, à violência física ou moral para afirmar uma pretensa superioridade que não mais existe”.

Nas redes, pouco depois, escreveu: “O mundo mudou. Temos muito a aprender. Diz isso não o ministro, mas o filho, marido e pai de mulheres fortes”.

Em seguida, a antropóloga Debora Diniz, que se mudou para os Estados Unidos depois de ter recebido ameaças de morte por seu protagonismo na defesa da mulher e de seu direito a decidir sobre seu corpo e sua sexualidade, escreveu:

“Ministro Moro, por favor, apague essa mensagem. É uma questão de dignidade. Os homens que ameaçam a mulher são apenas covardes”.

Há quem tenha ironizado que

  • a ideia de Moro sobre a violência machista, segundo a qual se deveria ao fato de que a mulher adquiriu maior poder na sociedade moderna e ameaça o homem, não parece aprendida na ilustre Universidade de Harvard, onde se formou,
  • mas na nova escola de seu chefe, o presidente Bolsonaro.

Foi ele, conhecido misógino, que disse à deputada Maria do Rosário

  • que só não a estupraria porque ela era feia e não o merecia,
  • e que ofendeu sua filha pequena ao confessar que “deu uma fraquejada”, já que ele teria preferido mais um filho homem. Teria sido o quarto.

Parece que Moro, de repente, se esqueceu de que vive no país que aparece em quinto lugar entre os 84 países com maior taxa de feminicídios. Que de acordo com a BBC, todos os dias há uma média de 13 assassinatos de mulheres no país. Talvez Moro ignore que

  • três quartos dos crimes cometidos por machismo
  • são contra mulheres negras e de baixa renda.
  • Será que também elas intimidam os homens pela consciência que de repente adquiriram sobre seu poder na sociedade?

Será que a experiência que Moro teve como filho, marido e pai o levou a ter medo das mulheres fortes como ele as qualifica? Sim, a grande maioria das mulheres que hoje são sacrificadas no altar do machismo mais primitivo são mulheres fortes, é verdade, mas com a fortaleza da dura experiência da pobreza e de serem condenadas pela cor da pele como escória da sociedade.

Elas são conscientes

  • não de seu poder,
  • mas de terem nascido, como recitavam os velhos códigos patriarcais ainda hoje vigentes no Brasil,
  • só para dar ao homem prazer e filhos. Essa força interior da mulher negra e pobre não é a que segundo Moro intimida hoje os homens que matam suas companheiras. Eles as matam porque, no fundo, se sentem mais fortes do que elas e protegidos pelo manto da impunidade.

Não apenas personagens de primeira ordem da Igreja, como Santo Tomás de Aquino, chegaram a duvidar de que a mulher tivesse alma e, portanto, era apenas um objeto nas mãos dos homens.

Desde os tempos de Adão e Eva, no mito da criação, há mais de três mil anos, aparece claro que a culpada de todos os males sempre foi e continua sendo a mulher. No paraíso, interrogado por Deus sobre o pecado de ter comido o fruto proibido, Adão imediatamente culpou Eva:

“A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi” (Gênesis 3,11 e seguintes).

Teria sido melhor que Moro, o juiz mito, que não tremeu a mão na hora de levar à cadeia centenas de personagens do mundo político e empresarial, começando pelo carismático, amado e popular ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,

  • tivesse aterrissado no Governo extremista de Bolsonaro
  • para trazer novos ventos de democracia e modernidade
  • em vez de aparecer também ele hoje como discípulo aplicado
  • na escola do obscurantismo, do machismo e do desprezo à mulher e seus melhores valores.

Se for verdade que Moro vislumbra horizontes políticos que se resolveriam nas urnas, não deveria se esquecer de que a maioria dos milhões que votam no Brasil é composta por mulheres.

  • E não acredito que as mulheres, das menos cultas às mais modernas,
  • tenham gostado do deslize antifeminista do ministro
  • que minimizou a tragédia e a dor de milhares de mulheres que no Brasil são condenadas à morte por seus maridos ou ex-maridos.

Não porque elas já se sintam liberadas e empoderadas e imponham intimidação e medo aos homens, mas porque continuam sendo carne de canhão fácil do poder que o homem ainda exerce sobre elas.

É muito triste.

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Juan Arías

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/09/opinion/1565308455_887945.html

 

MAIS INFORMAÇÕES:

  • “O plano de Bolsonaro é manter domínio sobre 30% do eleitorado e se tornar o Lula de direita”
  • Vazamentos da Lava Jato jogam luz nos limites éticos do Judiciário e MP

 

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