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União Europeia e Mercosul fecham compromisso político para assinar tratado de livre comércio

  • 29/06/2019
  • 21:02

Negociações chegam ao fim exactamente 20 anos depois do seu lançamento. Exportadores europeus vão poupar quatro mil milhões de euros em tarifas e custos alfandegários.

 

Imagem relacionada
 
Rita Siza, em Bruxelas  – 28 de Junho de 2019 – 
 
Foto: Canibel News –  Reprodução Web
 
Os negociadores da União Europeia e do Mercosul alcançaram esta sexta-feira um compromisso político que permite fechar o processo de negociações que se arrastava há duas décadas e avançar para a assinatura de um ambicioso tratado de livre comércio entre os dois blocos, abrangendo 780 milhões de.
 
Desde 2014, a UE “consolidou a sua posição como o líder global em comércio livre e sustentável”, firmando alianças com 15 países, salientou Cecília Malmström.

“Este é um momento histórico”, anunciou a comissária europeia com a pasta do Comércio, Cecília Malmström, que assinalou a coincidência de o acordo político ter sido encontrado 20 anos depois, exactamente no mesmo dia do lançamento oficial das negociações. No âmbito do tratado de livre comércio – a principal componente do acordo de associação política e de cooperação que será assinado pela UE e os quatro países que compõem o Mercosul, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai –, serão eliminadas praticamente todas as tarifas que actualmente vigoram nas trocas comerciais entre as duas regiões.

Além das “enormes oportunidades”económicas que se abrem com a assinatura do acordo (ainda sujeito à aprovação do Parlamento Europeu e algumas assembleias nacionais), a comissária para o Comércio destacou o facto de os dois blocos terem fixado critérios em termos de

  • respeito pelos direitos laborais
  • e protecção do meio ambiente,
  • nomeadamente com a adesão às metas definidas pelo Acordo de Paris para o Clima.

Em nome dos quatro países do Mercosul, Jorge Marcelo Faurie, o ministro argentino dos Negócios Estrangeiros, salientou a importância estratégica do acordo, que

  • facilita o crescimento e desenvolvimento inclusivo e sustentável da região,
  • mas também o compromisso com o sistema multilateral assente em regras.

A UE é a principal parceira comercial dos países do Mercosul. Segundo estimativas, a liberalização comercial permitirá aos exportadores europeus poupar cerca de quatro mil milhões de euros em tarifas e custos alfandegários que actualmente penalizam a entrada de

  • automóveis (35%) e outra maquinaria (20%),
  • produtos químicos e farmacêuticos (18% e 14%),
  • têxteis e calçado (35%)
  • ou ainda produtos agrícolas, caso do vinho ou azeite português, no vasto mercado sul-americano.

Os países do Mercosul

  • comprometeram-se a aprovar o quadro legal indispensável
  • para garantir que as regras de origem e indicações geográficas europeias,
  • que salvaguardam a proveniência, protegem a denominação de mais de 350 produtos alimentares europeus.

A UE também viu

  • consagradas as suas exigências em termos de serviços marítimos
  • e condições de acesso e participação de empresas europeias nos concursos públicos para contratos federais e estaduais dos quatro países sul-americanos.

Pelo seu lado, os sul-americanos mostraram-se satisfeitos com a quota de carne bovina que será autorizada a entrar na Europa com tarifas reduzidas — a sua objecção ao patamar de 1% da produção e 2% do consumo que estava previsto pelos europeus impediu que o acordo fosse fechado mais cedo. Esta continua a ser matéria controversa em países com maiores interesses na produção pecuária, caso da França, Irlanda e Polónia, mas como garantiu o comissário europeu para a Agricultura, Phil Hogan,

“as quotas serão cuidadosamente geridas para assegurar que não há risco de uma inundação do mercado que ameace o rendimento dos agricultores europeus”.

De acordo com o eurodeputado socialista Francisco Assis, que presidiu à delegação do Parlamento Europeu para as relações com o Mercosul,

  • o tratado entre a UE e o Mercosul
  • “representa uma oportunidade de ouro para o sector exportador português”,
  • principalmente tendo em conta que o país já mantém uma relação privilegiada com o Brasil, “que é a principal potência económica, demográfica, política e cultural do Mercosul”, assinalou.
  • Um estudo da Universidade Católica calculou um impacto positivo de 0,2% no PIB nacional.

Mas para Assis, a aliança com o Mercosul traz outros benefícios importantes, uma vez que

“o acordo de associação comporta uma dimensão de cooperação

  • política,
  • institucional,
  • cultural
  • e científico-tecnológica

com efeitos positivos na mobilidade de trabalhadores, empreendedores, estudantes e investigadores”.

Em contraste com a agressiva política comercial proteccionista que começou a ser seguida pelos Estados Unidos depois da eleição de Donald Trump,

  • a União Europeia tem coleccionado nos últimos anos assinaturas em acordos de livre comércio,
  • fixando condições preferenciais para as trocas comerciais com grandes economias como o Canadá, México, Japão e agora o Mercosul.

Desde 2014, a UE “consolidou a sua posição como o líder global em comércio livre e sustentável”, firmando alianças com 15 países, salientou Cecília Malmström.

 

Rita Siza

RITA SIZA

Fonte: https://www.publico.pt/2019/06/28/mundo/noticia/ue-mercosul-fecham-compromisso-politico-assinar-tratado-livre-comercio-1878139

LER MAIS:

  • Marcelo Rebelo de Sousa regozija-se com histórico acordo entre UE e Mercosul 
  • CPLP e relações UE/Mercosul na conversa entre Marcelo e Bolsonaro

 

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