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Homem e Mulher no Génesis – uma leitura da pastora batista Lidia Maggi

  • 08/05/2019
  • 20:19

Voltemos à narrativa antiga, aquela que encontramos como portal de entrada da Bíblia: um mito que tenta contar os inícios, não tanto para refletir sobre as origens, mas sim para nos entregar o princípio, entendido como o fundamento da existência.

São relatos demasiadamente conhecidos aqueles que repassaremos; tão conhecidos a ponto de serem desgastados.

Alguns defendem que esse desgaste começou com a modernidade, quando a mentalidade científica avaliou como ilógicos e fabulosos os cenários propostos pelo Génesis. Os relatos poéticos, então, foram peneirados pela lente científica e não passaram pelo crivo: o mundo não foi criado em seis dias, muito menos começou num jardim, com um casal primordial que passa, no espaço de um capítulo, da idade da inocência à da consciência, e tudo por culpa do (ou graças ao) furto de um fruto proibido.
Texto de Lidia Maggi, pastora batista italiana,
na revista Servitium, n. 242, de março-abril de 2019.
O que ainda têm a nos dizer esses contos arcaicos, míticos, que encenam um mundo fantasioso, em que as serpentes falam e as mulheres são tiradas do lado do homem? E, se eles não têm tal estrutura para a nossa mentalidade moderna, racional e científica, capaz de buscar uma ordem do mundo sem questionar Deus, o que dizer do peso de tantas leituras moralistas que, justamente apoiando-se nessas antigas narrativas, acusaram o género feminino de ter trazido ao mundo o pecado, a desordem e de ter causado a expulsão do jardim? Interpretações que legitimaram a supremacia do homem sobre a mulher – porque é a mulher que foi tirada do homem, e não o contrário! E é sempre a mulher que se deixa “seduzir” pela serpente.
Vergonha pelos abusos do texto
A primeira vergonha a ser reconhecida não é a da encenação no mito; antes, aquela que nós deveríamos sentir por todas aquelas utilizações do texto bíblico que, no passado como hoje, serviram para legitimar um abuso, um domínio: a supremacia do humano sobre a criação, do homem sobre a mulher, do branco sobre o negro (vocês se lembram de Noé e da maldição dada ao filho Cam por ter olhado para a nudez do pai bêbado?), e assim por diante. Deveríamos sentir vergonha por ter deformado essas narrativas antigas, oscilando de leituras moralistas a banalizações antimodernistas.
Hoje, sentimos que estamos a viver numa época órfã de grandes narrativas. A maior parte delas podem até ter desaparecido pelo uso que delas foi feito pelas ideologias da modernidade; mas as Igrejas também, com as suas leituras banalizantes das páginas bíblicas, têm uma responsabilidade própria a esse respeito.
É como se fôssemos o filho mais novo da parábola, que, tendo desperdiçado a própria herança, encontra-se com fome, na imundície, e toma consciência de onde caiu. Ter administrado mal essas obras-primas da espiritualidade e da fé, tê-las tornado empoeiradas, chatas e banais não apenas nos tornou mais pobres, mas também nos removeu as grandes perguntas que essas antigas histórias coletivas faziam para as gerações. Quem sou? Por que existo? O que significa tornar-se plenamente humano?
Assim como o filho mais novo, cheios de vergonha, levantamo-nos e pomo-nos a caminho para casa. Fazemos isso num momento histórico particular, no qual nos sentimos nus de narrativas partilhadas, capazes de orientar a existência, de abrir caminhos, permitindo que uma sociedade inteira se espelhe e se deixe interrogar. Órfãos de memória, vagamos nus e com frio, e, na selva do nosso presente, nenhuma voz parece chegar até nós para nos perguntar: “Onde estás?”.
Em busca do sentido perdido
Ousamos voltar ao corpo do texto antigo abusado ou esquecido, para reencontrar aquelas histórias removidas de uma geração distraída e desmemoriada.
Voltamos para aquele jardim primordial para ouvir, mais do que um relato teológico sobre Deus, uma reflexão sobre a humanidade, que nos ajude a reencontrar o sentido do humano. Adão, onde estás? E onde está o teu irmão?
As perguntas que ressoam no mito estão longe de ser estranhas à nossa realidade. A história dos inícios não nos leva de volta no tempo: ao contrário, nos ajuda a ler o presente, as dificuldades na relação com o outro e com a vida em geral.
Não é uma narrativa histórica ou científica, muito menos um código religioso, mas sim um conto sapiencial, entregue através de uma linguagem simbólica que, numa miniatura, tenta captar o sentido de estar no mundo e descerra horizontes impensados.
Chamados à relação
No livro do Génesis, desde o início, a humanidade é contada como chamada à relação: «Não é bom que o homem esteja só.» Ninguém basta a si mesmo. Para sermos felizes, precisamos fazer as contas com a alteridade: a de Deus, acima de tudo, que é diferente de nós, mesmo que, no humano, habitem traços divinos, a ponto de poder entrever a semelhança nessa maravilhosa criatura. E também a alteridade humana. Ser criatura relacional significa reconhecer que se precisa de ajuda – «Farei para ti uma ajuda que venha ao teu encontro.»
Embora hospedemos dentro de nós o sopro de Deus, o céu em nós, somos criaturas frágeis, moldadas de terra; não bastamos a nós mesmos, precisamos de relações. Em suma, estamos bem longe daquela criatura omnipotente que, às vezes, pretendemos ser. O desejo de nos apropriarmos do poder de manter tudo sob controle revela-se ilusório. Não podemos dispor do bem e do mal.
Acolher essa verdade antropológica nos permite habitar a nossa fragilidade, a nossa nudez, sem sentir vergonha disso. O homem e a mulher, no jardim, “nus e sem vergonha”, são a imagem daquele projeto de humanidade capaz de se sentir reconciliada com a própria criaturalidade. Não são criaturas inconscientes e infantis, que ainda devem crescer, como muitas vezes retratamos aquela situação idílica inicial.
“No princípio” é representado o projeto de uma humanidade que vive em harmonia com as próprias fragilidades, feliz por ser o que é, nua e sem vergonha.
A fragilidade humana: dom ou obstáculo?
O que é dado no início, no entanto, parece ser um ponto de chegada mais do que um ponto de partida estabelecido, pois não é nada simples estar bem consigo mesmo e com os outros, acolher-se como se é, com os próprios limites e as próprias fragilidades, reconciliados com as próprias finitudes criaturais, sem desejar ser diferente. Por que, frequentemente, a nossa fragilidade é percebida como obstáculo à vida plena mais do que como requisito necessário para nos tornarmos plenamente humanos, em relação?
O primeiro sentimento de vergonha parece encontrar rastros nesse esforço de estar com a própria parcialidade. É também disso que nos fala o relato das origens, amplificando e exacerbando a inadequação humana, até levá-la ao extremo desconforto. É como se o mito perguntasse ao leitor: como a criatura humana se vê? Ela realmente se sente parte do mundo que habita? Está em relação com os dons da terra que ela guarda e governa? Assumiu essa vocação de cuidado ou a sofre?
E o desconforto gera o conflito. Eis que, no jardim, uma voz sibilante insinua, rastejante como uma serpente, a suspeita sobre a bondade da própria criaturalidade. O que no mito é narrado com o antes e o depois – do idílio à queda, do jardim ao deserto – não é o relato cronológico da parábola humana, mas sim de duas cenas que, em tensão até o conflito, revelam algo de profundo do coração humano. Ir para trás é a antiga arte para enfrentar as grandes perguntas de sentido à nossa frente, sem banalizá-las. Uma imagem temporal para expressar aquilo que hoje compreendemos com uma imagem espacial: ir ao fundo das coisas, sem permanecer na superfície. Por um lado, a condição humana é representada, na primeira cena, pela nudez, entendida como vulnerabilidade, vivida sem constrangimento, sem que se torne motivo de vergonha.
Mas imediatamente, ao lado dessa cena, através da arte do conto, que põe em jogo múltiplos pontos de vista, eis que se dá voz à dissidência, faz-se emergir aquele desconforto que habita o coração humano: Porquê o bem e o mal não estão nas minhas mãos? Porque não sou como Deus, capaz de controlar todas as coisas?
Essas perguntas são enfrentadas imaginando que o antagonista tenta o casal primordial deformando o seu olhar, fazendo-os acreditar que tudo é proibição para a criatura humana: «É verdade ter-vos Deus proibido comer o fruto de alguma árvore do jardim?»
O limite, na realidade, não é representado pela impossibilidade de gozar dos frutos da terra, mas pela proibição dos frutos de uma única árvore: a do conhecimento do bem e do mal. Aqui, o casal humano se deixa convencer de que é possível, através da negação do próprio limite, chegar a ser como Deus: capaz de controlar todas as coisas, o bem e o mal, capaz de passar pela vida sem nunca perder o seu controle.
Mas a criatura humana, por mais que se esforce, por mais meios que possa ter, pode passar pela vida com tal delírio? Ela não corre o risco de não viver, de não amar e de recusar as relações? Porque o outro é sempre imprevisível, como, aliás, muitos acontecimentos da existência. Pode-se controlar algumas coisas, mas não tudo! Podemos controlar aquilo que gastamos, aquilo que consumimos, até aquilo que comemos, mas não podemos planejar a nossa vida sem que alguma coisa nos escape: um luto, uma doença, uma calamidade natural e social.
A vida deve ser arriscada, não se pode viver na defesa. A humanidade é essa criatura frágil, nua, exposta sem proteções às intempéries da vida. Nasce, então, a suspeita de que Deus não quer o bem da humanidade, tendo criado o terreno tão terrestre.
Vergonha e medo pela própria nudez
A experiência da árvore do conhecimento do bem e do mal desmorona a ilusão de poder ser como Deus: depois de provar o fruto, os olhos se abrem, e a humanidade, depois do delírio, descobre que é tudo, menos omnipotente. Vê-se nua e “sente vergonha”. Não é explicado o porquê. Pela desobediência? Porque não confiou em Deus? Porque se descobre ridícula na sua fragilidade, diante do seu desejo de omnipotência?
Aspectos todos concatenados entre si. A desconfiança na bondade da própria vocação leva à falta de autoestima e à incapacidade de sentir espanto. Quem não é como gostaria de ser se envergonha e escapa do olhar. A nua fragilidade é insuportável, acima de tudo em relação ao próximo. Para esconder essa nudez, as criaturas humanas tecem folhas para fazer uma veste. Bastarão poucas folhas para proteger do frio a fragilidade sofrida?
Em seguida, ao ouvir a voz de Deus que chama no jardim, os dois se escondem entre os arbustos. A voz de Deus incute medo neles. O que os assusta? Deus? A própria vulnerabilidade diante de Deus? O oposto de estar nu e não se envergonhar não é estar nu e se envergonhar, mas sim sentir medo da nudez. Sentir-se frágil, não encouraçados para enfrentar a vida. “Tive medo porque estava nu e me escondi.” O medo nasce da amarga consciência de que não somos invulneráveis. O outro pode nos proteger, mas também nos agredir e nos ferir.
Mito e realidade
O pior aconteceu: a realidade superou o mito. Comemos o fruto da omnipotência, mas depois não nos envergonhamos. E, se estamos nus, não nos damos conta disso: nenhum medo vem nos lembrar da nossa condição. Nós nos sentimos protegidos pelas armaduras das nossas construções identitárias. Não nos sentimos criaturas frágeis, porque sabemos bastar a nós mesmos. Está tudo bem, enquanto conseguimos ter tudo sob controle, começando pelas fronteiras, as nossas novas peles.
É claro, isso já aconteceu em épocas passadas; mas agora acontece connosco: reescrevemos o mito antigo mudando o fim: o imbróglio da serpente foi muito além das suas expectativas. Obscureceu a nossa visão até apagar a nossa fragilidade do olhar.
O pior aconteceu. Ora, no jardim, depois de partilhar o fruto, o homem e a mulher ainda se movem inconscientes, como na cena do idílio. Estão nus, mas não sabem disso. O rei está nu, mas acredita estar vestindo as roupas do imperador, do rei do mundo. Está longe de Deus, mas se vangloria de tê-lo como seu aliado: uma presença que não incute qualquer temor, que não faz perguntas de sentido, impossíveis de ouvir pelos ouvidos seguros de uma humanidade sem vergonha.

O mal também se esconde assim: faz com que você creia que é outro em relação a você mesmo e faz com que você não sinta vergonha. Contra essa declinação contemporânea do mal, que Deus poderá nos salvar?

Outro texto da Autora neste blogue:
Na Bíblia, contar os dias é narrar o que acontece neles

20 pecados por pensamento (palavras, obras e omissões)

O texto a seguir é de Margarida Vieitez, especialista em mediação familiar, e foi publicado em http://visao.sapo.pt.
A autora reflete sobre 20 pensamentos que é preciso mudar, para que também mude a nossa vida. Chama-lhes «20 pensamentos mais comuns que podem fazer com que se sinta menos bem consigo e com a sua vida, achá-la sem graça, sem cor, sem interesse, rotineira…»
Para os identificar, Margarida Veitez apela para a «autoconsciência».
Em linguagem cristã, chamamos exame de consciência a essa  autoconsciência, e somos convidados a mudar de vida, arrependendo-nos:
«Confesso a Deus, Pai Todo-Poderoso e a vós, irmãos, que pequei muitas vezes por pensamentos e palavras, atos e omissões, por minha culpa, minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria, aos Anjos e Santos, e a vós, irmãos, que rogueis por mim a Deus, Nosso Senhor.»
Os 20 pensamentos mais tóxicos
PASSADO
Sim, todos nós passamos demasiado tempo a pensar no que aconteceu e menos tempo a pensar no que está a acontecer.
Estar focado constantemente no que aconteceu lá atrás, especialmente nos acontecimentos menos bons que experienciou, pode fazer com que perca grandes oportunidades que a vida lhe está a dar neste momento.
Viver de mágoa e ressentimentos cristalizados, assim como tentar encontrar a borracha mágica que apague os erros cometidos, levam-no a desligar-se da luz do mundo e a viver na escuridão de um planeta distante em que nada de novo acontece porque o que acontece é o que já aconteceu.
Aceite que foi o que foi, perdoe, perdoe-se, coloque os dois pés no presente e viva. Nada do que possa pensar ou fazer pode alterar o que aconteceu. Então porquê gastar a sua energia empurrando “moveis antigos” de um lado para o outro?
A vida está a acontecer agora, lá fora, fora desse passado. Então de que adianta ficar a remoer algo que não existe mais?
Guarde as aprendizagens, perdoe e viva o Agora.
CULPA
Culpabilizar-se por tudo e por nada e assumir constantemente uma culpa que não têm é dos pensamentos mais mortíferos que existe.
A culpa pesa toneladas e carregá-la às costas pode fazer com que as suas costas vão arqueando, não consiga tirar os olhos do chão e perca o espetáculo que é a vida.
De cada vez que sentir culpa, pergunte-se por que motivo o está a sentir. Aliados a fortes sentimentos de culpa podem estar um conjunto de crenças, como a de que “faço tudo mal”, “não tenho capacidade”, “tenho de fazer o impossível”, “tenho de aguentar” ou “tenho de agradar”. Interrogue a sua validade e sentido. Será que lhe fazem bem?
Livre-se da culpa e das crenças que a suportam e viva responsavelmente, não culposamente!
COMPARAÇÃO
Sabe de onde vem aquela sensação de pequenez, frustração e impotência que por vezes sente? Pode vir da constante comparação com os outros, com os seus feitos e conquistas.
A comparação sistemática com aquilo que os outros são ou fazem é tão tóxica quanto fumar.
Esqueça os outros, foque-se em si. Sim, pode e deve inspirar-se, não sentir a exigência de ser igual ou fazer igual. Isso é uma utopia. Você é único. Os outros são únicos. Eu disse inspirar-se em pessoas e percursos de vida notáveis que possam contribuir para o seu desenvolvimento pessoal e crescer em amor, em generosidade, em integridade, em empatia e perdão.
EXIGÊNCIA DESMEDIDA
Cada vez me deparo com mais pessoas exigindo a si próprias o impossível. E pergunto-me: Onde querem chegar? O que querem provar? A quem o querem provar?
Será que esta exigência desmedida os faz sentir bem? Pelo contrário! Quando maior a exigência, maior a exaustão emocional, psicológica e física. Mas não só! Também o sentimento de frustração e vazio aumentam.
A urgência de corresponder, de estar à altura, de cumprir… de provar fá-los correr uma maratona diária, descalços se preciso, para alcançar o “prémio”.
Se sente o acima descrito, pergunte-se: Quem me disse que a vida era isto? Porque acredito que o seja? O que me faz sentir bem?
PERFECCIONISMO
Se não somos perfeitos porque nos exigimos sê-lo? Pior, exigimo-nos ter relações perfeitas e cor-de-rosa e quando não são, pensamos em saltar fora.
Quanto mais depressa aceitar que é imperfeito, comete erros, tem falhas, engana-se, faz disparates, não sabe tudo, não é o dono da verdade…melhor para si e para os outros que se relacionam consigo.
Se sente que é demasiado perfeccionista, tente deixar de o ser e comece a aceitar as suas imperfeições. Vai ver como é mais fácil aceitar as dos outros e melhorar as suas relações.
MUDAR O OUTRO
Quantos “metros” de pensamentos tem por dia a pensar que talvez virando o seu companheiro de “pernas para o ar”, ele mude?
Muitas pessoas continuam a acreditar ser responsabilidade sua mudar os outros, isto é, ter poderes especiais para o fazer, mesmo quando o outro não quer e já disse um milhão de vezes que gosta de ser assim e não vai mudar.
O brutal desgaste desta frustrante tentativa leva muitos à exaustão emocional e física, carregando a culpa pela incapacidade de o fazer.
Pare de tentar mudar quem quer que seja. Tente perceber o que o irrita mais e porquê. Sabia que aquilo que o desespera pode estar relacionado com as suas próprias dificuldades?
Em vez de mudar quem quer que seja, expresse o que sente, veja como a pessoa reage e se existem atitudes e comportamentos que possam ser alterados, mas esqueça mudanças de personalidade, afetividade e empatia do outro mundo porque não vão acontecer e apenas se vai desgastar.
Perceba especialmente se consegue aceitar a pessoa como é, e a partir dai defina como se vai relacionar e que relação quer ter com ela.
TER O CONTROLO
Se pensa que pode ter o controlo sobre tudo o que acontece na sua vida e nas dos outros, esqueça!
Para além de ser uma missão impossível, vai dar consigo em doido.
A necessidade de controlo permanente é uma forma de nos sentirmos mais seguros, mas suga-nos a nossa energia.
Muitas vezes a dificuldade em partilhar, confiar e delegar tarefas, prende-se com essa mesma necessidade de estar no controlo de tudo com todas as consequências daí advenientes do “só eu é que sei fazer!”
Tente pensar como se sentiria se não tivesse de o fazer?
Será que a sua mente não está a ser sua inimiga?
Será que esses pensamentos de “eu tenho, senão…” estão a fazer-lhe bem? “Senão, o quê?”
JULGAR
Nada desgasta mais o ser humano do que estar constantemente a criticar e a julgar os outros, e para além de se esgotar a si, esgota os outros.
Pergunte-se se esses juízos de valor negativos quando constantes lhe fazem bem? O que o fazem sentir? Se canalizar essa energia para a sua vida a fazer o que realmente lhe faz bem e o deixa alegre, vai ver que é uma boa decisão.
Deixe os outros e a vida dos outros seguirem o seu curso e foque a sua atenção em si.
Aceite os outros como são, com as suas dificuldades e virtudes e vai ver como se vai sentir muito melhor.
PESSIMISMO E NEGATIVISMO
Pensamentos negativos e pessimistas fazem-lhe tanto mal como não ter uma alimentação saudável, não dormir ou não fazer exercício. Ver a vida através de um túnel escuro, não lhe faz bem nem a si nem as pessoas que o rodeiam.
Muitas vezes este pessimismo e negativismo passa de gerações em gerações e é apreendido desde cedo na relação parental, mas está sempre a tempo de mudar, de acender uma luz nesse túnel, depois outra, depois outra…até que um dia se apercebe que o túnel deixou de existir. Interrogue cada pensamento negativo e pergunte-se: será mesmo assim? Poderá ser diferente? Estou a fazer-me bem?
PROFECIAS AUTO-REALIZAVEIS
Querer adivinhar o que vai acontecer é algo comum a todos os seres humanos e não lhe faz mal, a menos que o faça através de profecias que não lhe fazem bem algum, como por exemplo: “A minha vida vai ser sempre um desastre” ou “nunca vou encontrar uma namorada”!
Ninguém tem o poder de saber o que vai acontecer no momento seguinte, quanto mais num futuro longínquo. Então porquê gastar a sua energia e o seu tempo de vida a pensar naquilo que pode acontecer de menos bom no futuro? Se quiser pensar, pense no que de maravilhoso acontecerá e vai ver como se sentirá muito melhor!
NEGAÇÃO
Fazer de conta que nada aconteceu ou não está a acontecer, são estratégias de defesa da mente para não termos de lidar com situações para as quais não estamos preparados, designadamente, conflitos.
Pensamentos de negação do género “estamos zangados, mas vai resolver-se por si”, ou “estou magoada, mas se não falar, passa”, para além de não resolverem nada podem fazer com que viva um intenso conflito interno.
Expresse o que sente! Converse com uma pessoa da sua confiança.
GENERALIZAÇÕES
Todos as fazemos, mas também não nos fazem bem algum.
Pegamos numa parte do “todo” e generalizamos rápida e, a maioria das vezes, inconscientemente.
“És sempre o mesmo”, “Nunca fazes nada bem” são expressões bem elucidativas dessa realidade que podem ser dirigidas aos outros como a si próprio.
Tente estar atento, e tente “caçá-las”, pois são minas nas relações e na sua autoestima.
VINGANÇA
Pensamentos de vingança relativamente a situações mal resolvidas, fazem-lhe tanto mal como comer ervas daninhas. Sente o sabor?
Tudo aquilo que pode pensar a este respeito faz-lhe pior a si do que qualquer “castigo” que venha a ser aplicado ao outro.
Não estou a dizer que não vá a tribunal fazer valer os seus direitos se estes foram violados, mas que o distanciamento, a indiferença e, sobretudo, o perdoar e perdoar-se, são o caminho mais rápido para se sentir melhor, deixar que a sua vida siga em frente e libertar-se.
INVEJA
Todos podemos sentir inveja dos outros em determinadas situações.
O mais importante é saber que essa pode ser uma inveja sabotadora ou inspiradora.
Se for inspiradora fá-lo-á sentir bem, os outros serão vistos como mentores e o seu sucesso como fonte de inspiração para grandes feitos.
Se for sabotadora, então pode fazê-lo sentir mal, pequeno, incapaz, com raiva e revolta por não ser e não ter o mesmo. Cuidado porque este tipo de inveja em vez de ser motivadora e do entusiasmar a ser uma pessoa melhor e a crescer em amor, pode fazer com que aconteça o oposto e tornar-se uma pessoa amarga.
NÃO CONSIGO
Pensamentos destes são para deitar no caixote do lixo mais próximo e substituir por “Eu consigo!” porque são muito limitadores.
É natural que se tenham transformado em crenças absolutas e enraizadas e seja preciso uma implosão para as destruir, mas se assim o determinar e escolher, todos os dias, Vai Conseguir.
O seu valor é você quem o define e é intocável.
MEDO
Aqui está a explicação para deixarmos de fazer o que mais gostamos, queremos e sonhamos.
O medo é incapacitante, limitante, constrangedor, sufocante.
Sim, protege-nos em muitas situações, mas quando o alarme está sempre a tocar, algo se passa.
Preste atenção ao seu discurso interno e registe quantas vezes por dia se diz a si próprio “tenho medo de…!
Muitas crenças também se encontram por detrás dos medos que sente. Tente identificá-las, pergunte-se se realmente o protegem ou limitam, e liberte-se!
BAIXA AUTOESTIMA
Todos, uma vez por outra, ou mais frequentemente podemos não ter os melhores pensamentos sobre nós, colocarmos em questão as nossas capacidades, talentos, aptidões, dons, bondade… sermos boas ou más pessoas.
Os pensamentos que temos acerca de quem somos influenciam determinantemente a forma como nos sentimos. Por detrás deles está a imagem que os nossos pais nos deram de nós próprios e um conjunto de experiências vividas ao longo da vida. No entanto, é sempre possível pensar-se de forma diferente, especialmente se os seus pensamentos o fazem sentir menos bem. A psicoterapia apresenta excelentes resultados nesta área, e existem pessoas que o podem ajudar a gostar ainda mais de si.
PREGUIÇA
Muitas pessoas têm inúmeros pensamentos de “resistência” ao longo do dia.
Resistência em levantar-se da cama, ir trabalhar, ao ginásio, estudar, fazer as tarefas de casa, namorar… e pergunto, vale a pena tê-los? Não tem de fazer tudo na mesma?
Sabe que energia eles lhe roubam? Sabe quantos desafios interessantes o fazem perder?
A coragem de esquecer/superar a preguiça a maioria das vezes traduz-se em conquistas surpreendentes, no estímulo da autoestima e autoconfiança e num maior sentimento de bem-estar.
A vida é uma passagem. A preguiça um empecilho que devemos “saltar” e, de quando em vez, deixar ficar e… saltar de novo!
QUEIXA E VITIMIZAÇÃO
O que sente quando se queixa vez após vez?
Sente-se bem?
E quando se vitimiza?
Não estou a dizer que não expresse as suas emoções, apenas a perguntar-lhe se o faz repetidamente, porque pode ser você que está a provocar esse mal-estar a si próprio.
Pergunte a outras pessoas se o sentem. Registe num papel cada vez que se der conta que o está a fazer.
A vida é deslumbrante demais para a viver dessa forma.
DESCONFIANÇA
Não confiar parece estar na ordem do dia e ser uma das “catástrofes” da sociedade em que todos vivemos.
A dificuldade que muitos sentem em confiar no namorado/a, companheiro/a, amigos, chefes, pessoas com quem se relacionam, até mesmo em pessoas da própria família, é por demais evidente, podendo gerar um sentimento de ameaça constante e de necessidade de se auto-proteger.
Este sentimento pode ainda estar relacionado com a confiança que tem em si próprio ou com experiências marcantes.
Seja qual for a sua origem, são pensamentos que o fazem sentir menos bem, que podem condicionar a sua vida e a sua segurança, pelo que deverá estar atento a eles e questionar a sua veracidade.
Em forma de síntese, observe o que anda a pensar e aquilo em que acredita, pois alguns desses pensamentos podem não ser tão seus amigos quanto pensa.
E não se esqueça, para além dos seus pensamentos existe um “Eu” maior que é quem escolhe o que pensar.
Pense e acredite no que lhe faz MUITO BEM!
Outros textos da autora no sitio: www.margaridavieitez.com

blogue da Fraternitas Movimento, acessível aqui:
https://fraternitasmovimento.blogspot.com

 

 

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