Conhecendo melhor o Papa Francisco

“Poderia ter sido papa. No entanto, em seu mais íntimo, desejava que não votassem nele.” Naquele 19 de abril de 2005, o dia em que Joseph Ratzinger foi eleito para suceder João Paulo II, o nome de Jorge Mario Bergoglio circulava com peso entre aqueles que se animavam a fazer previsões sobre o resultado da eleição do conclave.

Ratzinger foi eleito após quatro votações, com 84 votos dos 115 cardeais presentes, e seu adversário não foi o cardeal progressista Carlo Maria Martini, como se dizia, mas sim o arcebispo de Buenos Aires.

A reportagem é de Any Ventura, publicada no jornal La Nación, 26-07-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
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Ele chegou a receber, no terceiro escrutínio, 40 votos. Martini só alcançou nove votos na primeira votação. O mais votado, depois de Ratzinger, foi finalmente Bergoglio. O arcebispo de Buenos Aires, o argentino nascido no bairro de Flores, em 1936, ficou com 26 votos na quarta rodada, de acordo com a revista italiana Limes.
“Ele nunca quis que o enviassem a Roma, sempre quis ficar em seu país”, afirma Andrea Tornielli, vaticanista do Il Giornale. O padre Guillermo Marcó, responsável pela Pastoral Universitária do Arcebispado de Buenos Aires, recorda seu encontro com Bergoglio naquele dia, no Vaticano, quando o conclave terminou. “Ele sempre dizia: `Reze por mim”. Eu comentei: “Eu nunca rezei tanto por você como nesses dias”. Ele me respondeu: “Eu te agradeço. Nunca precisei tanto de uma oração como na terça-feira de manhã”. Não esclareceu do que se tratava. Os cardeais estão proibidos de falar sobre a eleição.
O homem que precisa de orações é o mesmo que não tem medo do poder político. Nos últimos anos, as declarações públicas de Bergoglio sobre as grandes questões sociais incomodaram os governos do momento, traçaram diagnósticos sobre a infância e a pobreza, marcaram alertas sobre o futuro do país. Ele falou daqueles “que se encaixam no sistema e aqueles que sobram, por culpa das contradições”. Disse que na rua há “crianças escravas” e que a disputa política é “a grande doença dos argentinos”.
Não é que Bergoglio não goste do poder. Mais: ele o desfruta em seu cargo. O que particularmente não lhe interessa é se sentar com os poderosos.
As fontes próximas ao cardeal dizem que a relação com os Kirchner não é ruim: é péssima. Ele nunca recebeu Néstor Kirchner durante sua presidência. Os membros mais elevados do governo pediram reiteradas audiências, mas não queriam aproximar-se do arcebispado. O cardeal esclarecia que, se ele queria falar com o presidente, ia à Casa de Governo, e que, se o presidente queria falar com ele, ele tinha de ir ao arcebispado. “Os Kirchner queriam Bergoglio aparecesse indo à Casa Rosada. Ele jamais se prestou a isso nos quatro anos de gestão, e as relações foram mais frias e duras. Claro que, quando se encontram, há cordialidade porque são educados”, diz um dos seus colaboradores.
Segundo Fortunato Mallimaci, sociólogo da Universidade de Buenos Aires, pesquisador do CONICET [Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas] e especialista em assuntos religiosos, “o que deslocou a relação com os Kirchner foi a forte presença das organizações de direitos humanos. A chave é que, na sociedade argentina, o político e o religioso são pensados juntos. Não é só se dedicar à oração. Então, cria-se uma democracia muito tutelada, e, quando o Governo tem de tomar decisões sobre educação sexual, métodos anticonceptivos, quantidade de filhos ou prevenção da Aids, ele tem que se consultar com a Igreja. Em muitas sociedades, a profunda crise de representatividade dos partidos políticos que não são capazes de dar respostas às pessoas faz com que os grupos religiosos ocupem um lugar que ninguém teria imaginado há alguns anos”.
A questão dos direitos humanos sempre foi controversa em relação a Bergoglio. “Ele salvou Alicia Oliveira (atual defensora social) de ser desaparecida pela ditadura. E quando se encontrou com [Jorge Rafael] Videla [ex-ditador argentino], foi perguntar-lhe sobre os padres”, diz Pe. Marcó.
Diana Rocco, metodista, professora de História da UBA e especialista em história antiga da Igreja, acrescenta: “Bergoglio, por exemplo, tem boa relação com a Igreja Metodista, por ser defensor dos direitos humanos desde sempre”.
Falar dos pobres
– São 15h30 de uma segunda-feira. Passaram-se apenas duas horas desde que deixamos uma carta no arcebispado solicitando-lhe uma entrevista. O telefone toca. – Fala o padre Bergoglio – diz o homem do outro lado da linha. Agradeço seu interesse, mas sair em uma revista seria um ato de vaidade.
Jorge Mario Bergoglio, um dos 183 cardeais da Igreja Católica, está acordado desde as 4h da manhã. Tem um pequeno livrinho, que guarda no bolso, no qual anota a ordem de suas audiências. Aqueles que o conhecem bem não se lembram de algum chamado que ele deixou sem resposta.
“Meu pai sempre dizia que quando você está subindo deves ir cumprimentando a todos, porque são os mesmos que você vai encontrar quando começar a descer”, disse ao padre Guillermo Marcó no dia em que João Paulo II proclamou-o cardeal em 2001.
Alguns integrantes da Companhia de Jesus relembram com certo ressentimento sua passagem por essa ordem religiosa em tempos de violência política na Argentina, quando Bergoglio, que havia sido ordenado em 1969 e chegou a ser provincial de 1973 a 1979, exerceu sua autoridade com dureza. Durante os anos 70, a Igreja Católica viveu uma grave crise interna da qual a Companhia de Jesus não esteve isenta.
“Essa crise interna foi desencadeada depois do Concílio Vaticano II e após a reunião de todos os bispos da América Latina, em 1968, em Medellín, onde se ratificou a idéia de deixar o Estado e os regimes de segurança e ir aos pobres. Bergoglio não estava de acordo com essa postura. Catolizar-se e militarizar-se fazem parte da ideia da maioria dos membros do Exército e da Igreja Católica. Bergoglio era contra os sacerdotes que faziam trabalhos nas vilas, por lhe parecerem muito politizados”, diz Mallimaci.
Setores próximos a Bergoglio relativizam esse pensamento. Dizem que, na realidade, Bergoglio queria que os sacerdotes fizessem trabalhos de sacerdotes, e não de líderes políticos. E insistem que na Companhia de Jesus existia uma obediência férrea: a ordem vinha de Roma, e a de Bergoglio não era uma decisão pessoal.
Aqueles eram os tempos do padre [Carlos] Mujica. A crítica mais forte que Bergoglio fazia ao mítico cura villero [padre que atua em vilas] é que ele tinha viajado junto com o general Juan Domingo Perón quando o ex-presidente voltava de Puerta de Hierro. Eram tempos em que se falava de usar a violência para conseguir um mundo mais justo. Pensamentos, para Bergoglio, incompatíveis com o Evangelho. A decisão de retirar os padres das vilas de emergência se relacionava com a aquela situação histórica particular. Hoje, porém, muitos dos sacerdotes que trabalham nas vilas de emergência reivindicam esse mesmo homem, sem deixar de defender também o padre Mujica. Padres como Pepe Di Paola, da Equipe de Sacerdotes para a Pastoral das Vilas de Emergência, que apresentou neste ano um duro documento sobre a droga em zonas marginais, tem um a relação excelente com Bergoglio.
As posturas em torno desses assuntos são díspares. “Os jovens sacerdotes das vilas obtiveram o documento sem pedir a Bergoglio. Se há alguma coisa evidente na Igreja Católica é a crise de autoridade”, diz Mallimaci. Segundo confessam em privado, alguns curas villeros, antes de cada coletiva de imprensa, nos dias em que o assunto dominou a atenção da sociedade, concordaram com o cardeal sobre o que seria dito e em que tom.
“Os sacerdotes enviaram primeiro o documento por e-mail a todo o clero e, no dia seguinte, fizeram uma coletiva de imprensa. É uma forma de recuperar a mística de uma Igreja embarrada”, disse o padre Alejandro Russo, secretário do Vicariato da Pastoral da Arquidiocese de Buenos Aires. “Aqueles que enchem a boca falando dos pobres não suportam que o arcebispado de Buenos Aires nunca tenha deixado de estar presente nas vilas. E os curas villeros sempre estiveram integrados à vida diocesana”, afirma.
De castigado a premiado
– Ele é muito austero em sua forma de ser. Escolhe alimentos saudáveis e sadios e toma um copo de vinho de vez em quando. Gosta de fruta, de frango sem pele e de saladas. Salvo exceções, como aquela vez em que comentou com humor: “Que bom! Vou para um convento de freiras comer bagna cauda”.
Por rotina e, a menos que tenha algum previsto, Bergoglio almoça e janta sozinho. Não aceita sair para comer, não come em nenhum lugar que não seja na Cúria. Não fica para comer nas paróquias. Não vai comer na casa de uma família.
Tem bom senso de humor, é simpático, tem inteligência e engenhosidade. É rapidíssimo, gosta das respostas rápidas e se diverte quando diz alguma coisa engraçada e alguém lhe responde. Na verdade, sempre tenta ser claro, mas suave, mesmo quando tem que corrigir alguém. Conhece muitíssimas pessoas e tem amigos. São amizades muito francas e de todos os setores, não só da Igreja.
Mas é difícil debater com Bergoglio, que sempre foi um homem de caráter. Pode-se utilizar o maior repertório de argumentos do planeta, mas se ele já tem uma ideia na cabeça, discutirá com todo o clero e, depois, fará o que achar melhor, esteja onde estiver.
Depois de ser provincial dos jesuítas, na Argentina, o enviaram para Córdoba para que fosse, simplesmente, confessor em uma igreja. Nessa missão, estava, segundo explicam pessoas próximas a ele, a profunda ideia de voltar ao exercício comunitário, de não dar lugar à vaidade ou à busca do poder humano, especialmente porque o que importa é a ordem, a congregação, a Igreja, e não pessoas.
O padre Alejandro Russo indica que ter destinado Bergoglio para Córdoba “provinha da ideia de deixar que o novo provincial tivesse mais espaço para se desenvolver”. Outras versões dizem que, pelo contrário, Bergoglio foi castigado. Que a congregação o castigou por ter entregue a Universidade del Salvador para os leigos. Era uma universidade que estava “ideologizada”, que tinha tomado uma posição terceiro-mundista, ou de esquerda. Contam que estava tão castigado então que abriam sua correspondência e que ele permanecia praticamente confinado.
Muitos ficaram surpresos com o fato de Bergoglio ter se convertido no arcebispo de Buenos Aires. Quando, em 1992, o cardeal Antonio Quarracino o nomeou bispo auxiliar da arquidiocese, ele era pouco conhecido. Segundo Mallimaci, “falava-se do bispo de Paraná, Dom Karlik, presidente da Conferência Episcopal, como herdeiro de Quarracino. Mas Karlik parecia ser muito espiritual, muito desligado dos partidos políticos e de tudo o que tinha a ver com o Estado”.
A escolha do Bergoglio como arcebispo, em 1998, foi revolucionária. Até então, era necessário que o arcebispo de Buenos Aires tivesse passado pelo cargo em alguma outra cidade do país. Não se respeitou “o escalão”, dizem alguns. Foi uma decisão oportuna do cardeal Quarracino, dizem outros. O então cardeal já estava doente e mais velho e nomeou Bergoglio como arcebispo coadjutor com direito a sucessão.
Os outros
– Qual é o carisma, a atração que torna Jorge Mario Bergoglio tão interessante? Em primeiro lugar, sua grande espiritualidade; é um homem de oração profunda que pode encarnar o divino no humano.
Ele tem essa dimensão “eclesiológica”, de acordo com os sacerdotes que mais o conhecem, para explicar em Bergoglio a união entre o celestial e o terreno. Uma visão da Igreja que se pode notar na Pastoral. O cardeal tem uma doutrina teológica claríssima, da melhor ortodoxia, mas, por outro lado, transmite o dinamismo que traz o frescor do pedido do povo de Deus. Sabe fazer uma simbiose daquilo que as pessoas precisam e do que a Igreja propõe.
Costuma haver, no entanto, curtos-circuitos com os sacerdotes. Existem padres que o questionam por nunca ter sido pároco e que, por isso, não consiga compreender a realidade profunda em que um padre que está na barricada vive. Embora gaste muito tempo ouvindo jovens religiosos, Bergoglio nem sempre pode cumprir com as promessas que faz a eles. Tem dificuldade de delegar o poder.
Ele sabe muito bem aonde quer chegar. Aqueles que o conhecem bem dizem que o poder não o deixa nervoso. Também lembram gestos comovedores seus, como aquela vez em que soube de uma família boliviana que estava desabrigada, moveu céus e terra para lhes conseguir um lugar, até que finalmente tirou dinheiro do seu bolso para que se instalassem em uma casa. Andrea Sánchez Ruiz, professor de teologia da UCA [Pontifícia Universidade Católica Argentina], diz: “É uma pessoa muito cálida e acessível. É amável, mas tem clareza de que diz o que quer dizer, e não mais. Em geral, não fala sobre sua vida pessoal”.
Os bispos auxiliares estão acostumados com seu conceito de “funcionalidade”, como dizem aqueles de seu entorno. Quando ele escolhe alguém para uma função, ele lhe dá participação e mantém com essa pessoa um trato permanente, mas não lhe dá muita liberdade.
A professora
– Da sua janela, ele é testemunha de todos os acontecimentos políticos do país que tem como cenário a Praça de Maio. Bergoglio vive, sozinho, no segundo andar do edifício da Cúria, ao lado da Catedral. Trata-se de um apartamento de 400 metros quadrados, uma casa magnífica com móveis antigos e quadros do século XVIII. Todos os dias, das 4h às 7h da manhã, o cardeal dedica três horas para meditação. Às 7h, já recebe pessoas, tem reuniões. Às 12h30, servem-lhe um almoço rápido. Descansa uns 50 min e, às 13h15, já está no escritório para iniciar o trabalho da tarde, quando continuam as audições e as reuniões. As audiências são esgotantes, uma pessoa sai, entra outra, e ele atende e atende…
Muitos livros de espiritualidade e teologia se encontram em uma grande biblioteca, em frente ao seu quarto. Ali também há um aparelho de DVD e uma máquina de escrever elétrica, já que ele não lida com o computador. Otilia e Elisa, que são suas secretárias, imprimem todos os e-mails e lhe entregam.
Bergoglio caminha pelo corredor quando reza o rosário. Ele gosta de futebol e é torcedor do San Lorenzo. Ocasionalmente, o arcebispo deixa a Cúria, toma o metrô e se dirige para outros bairros da cidade. Sobe em um ônibus e se apresenta em uma ou outra vila para abençoar novos refeitórios populares, para administrar o batismo, para celebrar a festa do santo. Às vezes, muito poucas, fica para comer com eles as sopas que cozinham em enormes panelas. Depois, vai para alguma paróquia rezar uma missa pelas festas de padroeiros, ou por um ato especial. E vai dormir muito cedo.
Até 2006, ocupava-se ordenadamente em escrever para Estela Quiroga, sua professora de Primeiro Grau na Escola Nº. 8, Distrito Escolar Nº. 11, de Flores. Ambos mantinham uma correspondência sistemática. Ele lhe contava cada coisa que conseguia, cada conquista. E a convidou especialmente quando foi ordenado sacerdote. Ela o queria como a um filho. Faleceu de pneumonia aos 96 anos, no dia 16 de abril de 2006. Era a professora do sacerdote Jorge Mario Bergoglio, nascido na cidade de Buenos Aires no dia 17 de dezembro de 1936, filho de um trabalhador ferroviário e de uma dona-de-casa.
Baixo perfil
– Aqui, na Argentina, quando lhe telefonam em um feriado pela manhã, ouve-se de longe o rádio com música clássica ou tango. Ele descansa com música clássica ao seu lado. Não sai de férias, não vai a lugar nenhum, exceto quando viaja para Roma, a trabalho. Ele gosta de caminhar pela capital italiana e tomar ristretto nas cafeterias, apoiado no balcão. Costuma passar longos períodos, em janeiro ou fevereiro, em que não atende ninguém durante dez dias. Nesses períodos, ouve música e lê os clássicos. Não sai da Cúria. Na realidade, a leitura é uma atividade à qual dedica muito tempo, de Jorge Luis Borges até Leopoldo Marechal, passando pelos clássicos da literatu ra universal. No entanto, sem dúvida, o autor de “Adám Buenosayres” e de “El banquete de Severo Arcángel” é seu preferido.
Tem uma precisão na linguagem que provém de seu mestrado em Literatura. Costuma adotar uma palavra como motivação e a emprega de forma constante e reiterada. Neste momento, essa palavra é “paradigmático”.
De acordo com seu círculo íntimo, ele costuma ir se confessar na Igreja de El Salvador, e já o viram na fila do confessionário de um jesuíta idoso. É frequente vê-lo com um sobretudo preto, para não fazer ostentação da chamativa vestimenta dos purpurados. Quando o Papa o proclamou cardeal, não comprou uma vestimenta nova, mas ordenou que ajeitassem a que seu antecessor, Quarracino, usava.
Há lojas eclesiásticas em Roma, como a Euroclero, que é mais econômica, ou a Gamarelli e Barbiconi, que são mais caras. Na Argentina, as Pias Discípulas são as únicas que têm ornamentos litúrgicos e roupas. Bergoglio gosta dos ornamentos litúrgicos de boa qualidade. Compra-os em Roma, geralmente. E o altar de prata maciça da catedral foi encomendado por ele a Pallarols.
Ele não gosta de fazer “circo”. É inimigo de que façam “lobby” ao seu redor. Não celebra na catedral a missa da Ceia do Senhor e o Lava-Pés a cada Quinta-Feira Santa, mas vai a diferentes casas, ao Centro da Droga ou ao Hospital Garrahan. Ele gosta de estar entre as pessoas. Em Corpus Christi, quer que a procissão seja feita ao redor da Praça de Maio. Quer que o Santíssimo Sacramento saia e se misture com as pessoas, e que as pessoas o arrastem. Bergoglio não gosta nem mesmo que o chamem de cardeal. Ele quer que o chamem, simplesmente, de padre. Andava de transporte coletivo e fazia sua própria comida…
( http://www.ihu.unisinos.br/noticias/noticias-arquivadas/24328-bergoglio-o-cardeal-que-nao-tem-medo-do-poder )

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