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Bolsonaro em versão paz e amor e Haddad contra o velho PT na segunda volta (segundo turno)

  • 07/10/2018
  • 22:30

Resultado de imagem para Bolsonaro em versão paz e amor e Haddad contra o velho PT na segunda volta

João Almeida Moreira – 08 Outubro 2018 

Foto: Gazeta do Povo

O capitão do exército e o ex-prefeito de São Paulo confirmam apuramento para a eleição de dia 28 onde o principal desafio de ambos será combater a enorme rejeição que geram no eleitorado.

Na segunda volta, portanto, é provável que ouçamos o improvável:

  • Bolsonaro a defender as minorias
  • e Haddad a atacar as más práticas do PT.

Jair Bolsonaro
  • namorou a vitória nas eleições presidenciais do Brasil logo à primeira volta
  • mas ao obter mais de 46% dos votos válidos terá enfrentar ainda mais três semanas de campanha e uma eleição contra Fernando Haddad, que somou 28%.

Confirma-se um duelo entre

  • dois candidatos de altíssima rejeição
  • que terão de matar os fantasmas que os perseguem para lutar pelo Palácio do Planalto.

O país entra agora numa luta ente polos muito definidos que levou até, com algum humor,

  •  à criação de kits emigração, para quem não gosta nem de um nem de outro,
  • e à hashtag #ficatemer,

apesar de o ainda presidente da República ser reprovado por quase 90% dos brasileiros.

Para Bolsonaro, “é tempo de dar um passo para o centro e para a direita, não à esquerda”.

“Não queremos uma Venezuela, não queremos voltar aos 13 anos da mais profunda crise ética, política e económica, queremos unir os casos do governo PT, que jogou os negros contra os brancos, os homossexuais contra os hetero, os nordestinos contra o sul”.

Apoiantes de Jair Bolsonaro em festa no Rio de Janeiro / Foto REUTERS/Ricardo Moraes

 

Haddad falou em unir o país democrático.

“Queremos unir os democratas, os que se preocupam com os pobres, a soberania nacional e a soberania popular”.

Para o segundo classificado na primeira volta

“há muito em jogo em 2018, como nunca houve de 1989 para cá, na segunda volta a nossa arma será o argumento, não termos mais armas, nem termos medo de ser felizes”.

O capitão do exército do PSL surgirá nas três semanas de campanha que restam

  • em versão “paz e amor”,
  • uma estratégia, aliás, que já vem executando desde a facada ano abdómen sofrida dia 6 de setembro em evento em Juiz de Fora.

Refém das declarações radicais proferidas ao longo de décadas na sua condição de deputado de baixo clero,

  • contra as minorias
  • e a favor da tortura, por exemplo – Bolsonaro disse na semana passada em entrevista à TV Record (que quer transformar na sua Fox News) que não era “tão mau assim…”.

Em paralelo,

  • vem piscando o olho ao eleitorado nordestino, que no passado também já esteve debaixo da sua mira, para tentar colocar uma lança na maior fortaleza eleitoral do PT. 
  • E até aos homossexuais,
  • às mulheres
  • e a outros territórios onde se sente minoritário
  • porque quer conquistar o centro.

 

O caso de Haddad, do PT, é diferente: vai mudar radicalmente a sua relação com o partido. 

  • Com o salvo-conduto ganho ontem,
  • romperá com o velho PT
  • que, para não assustar o seu eleitorado mais fiel,
  • foi poupando na campanha de primeira volta.

Conhecido

  • por ser da ala moderada do partido
  • e por apontar sempre que pode os pecados dos governos do PT,
  • deve erradicar do seu círculo íntimo os barões mais conservadores
  • e fazer-se rodear de técnicos e de jovens.

A exceção, claro, é Lula da Silva, que da sua cela de Curitiba continuará a ser o seu mentor e conselheiro. 

Ao mesmo tempo, lutará para atrair

  • os votos de Ciro Gomes (PDT)
  • e até de Marina Silva (Rede)
  • e de parte dos de Geraldo Alckmin (PSDB)

para enfrentar a enorme vantagem do rival.

Na segunda volta, portanto, é provável que ouçamos o improvável:

  • Bolsonaro a defender as minorias
  • e Haddad a atacar as más práticas do PT.
Apoiantes de Haddad sentiram este segundo lugar como uma vitória / Foto REUTERS/Amanda Perobelli

 

Ciro com Haddad

Ciro entretanto já disse – ou quase disse – quem apoiará. “Agora? Agora vou beber uma cervejinha no bar mas todos sabem que tenho uma luta pela democracia e contra o fascismo, ele não”.

Bolsonaro, o visado por Ciro,

  • só não ganhou as eleições à primeira volta
  • pela mesma razão que na anterior Dilma Rousseff (PT) bateu Aécio Neves (PSDB):

o nordeste, a única das regiões do Brasil onde Haddad se revelou mais forte, como era esperado. E aquela onde Ciro, que fez carreira no Ceará, foi mais competitivo mas não ao ponto de ultrapassar o candidato do PT, como se chegou a supor.

Dececionantes, Alckmin e Marina terão encerrado as suas pretensões pessoais ao Palácio do Planalto ao perderem eleições pela segunda e pela terceira vez, respetivamente, com votações medíocres.

A eleição decorreu sem incidentes, além das tradicionais avarias nas urnas eletrónicas (mesmo assim uma percentagem ínfima do total) e das habituais detenções de centenas de eleitores apanhados a fazer campanha junto às secções de voto. No final, ouviram-se “vivas” a Bolsonaro, alguns foguetes e buzinas de automóvel – mas tímidas porque os dois campos sabem que ainda vem aí muita luta pela frente.

 

 

João Almeida Moreira

Fonte: https://www.dn.pt/mundo/interior/bolsonaro-em-versao-paz-e-amor-e-haddad-contra-o-velho-pt-na-segunda-volta-9965951.html

 

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