
- Ter discernimento, isto é, entender “o que está certo” e “o que não está certo”, é a primeira “regra”.
- Depois, é fundamental “cuidar” da própria “formação”: humana, pastoral, espiritual, comunitária.
- E, para fazer isso, é importante “conhecer os próprios limites”, de modo a saber se destrinchar entre os perigos da cultura contemporânea, em primeiro lugar, a comunicação virtual.
- Depois, refletir sobre como se usa o próprio celular, preparar-se para enfrentar as tentações sobre a castidade, estar em guarda contra a soberba, a atratividade do dinheiro, do poder e das comodidades.
Reportagem de Salvatore Cernuzio, publicada no sítio Vatican Insider, 16-03-2018
Foi um momento de escuta, de diálogo franco, de encorajamento e de risadas que aconteceu na manhã dessa sexta-feira, 16, entre 2.000 seminaristas e sacerdotes que estudam em Roma e o Papa Francisco, na Sala Paulo VI.
Representando os padres e os futuros padres das 150 instituições presentes na capital italiana,
- um seminarista francês,
- um diácono estadunidense e três sacerdotes,
- um sudanês,
- um mexicano
- e um filipino,
fizeram ao pontífice as suas perguntas sobre temas como
- discipulado missionário,
- discernimento,
- formação integral,
- espiritualidade diocesana,
- formação permanente.
Quem acompanhou os cinco interlocutores foi o cardeal Beniamino Stella, prefeito da Congregação para o Clero.
Sentado à mesa, o Papa Francisco respondeu a seus hóspedes – que se prepararam para a audiência com cânticos e orações – falando de improviso e rezando com eles, no fim, a oração do Ângelus. O conteúdo da conversa não foi divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé. Foi o portal Vatican News que relatou algumas ideias abordadas pelo papa aos sacerdotes, úteis para sua vida sacerdotal.
Mais especificamente, a primeira pergunta feita ao pontífice foi a de um seminarista francês, que perguntou como manter o ministério presbiteral unido à humildade de se sentir discípulos e missionários. O sacerdote, disse Bergoglio, deve ser
- “um homem sempre a caminho”,
- um homem “em escuta” e nunca sozinho,
- e deve ter “a humildade de ser acompanhado”.

Francisco com os Seminaristas: Foto: Oss. Romano
É fundamental o discernimento para entender como seguir em frente. São duas as condições necessárias nesse sentido, ressaltou o pontífice, respondendo à segunda pergunta lida por um seminarista africano do Sudão:
- que ele seja feito na oração, diante de Deus,
- e que seja feito confrontando-se com outro, um guia capaz de escutar e de dar orientações.
- Quando não há discernimento na vida sacerdotal – insistiu o papa – há “rigidez” e “casuística”.
- Há a incapacidade de seguir em frente. Tudo se torna fechado, “o Espírito Santo não trabalha”.
Depois, o papa recomendou aos sacerdotes
- não “engaiolar” o Espírito Santo,
- não ter medo dele,
- mas levá-lo como “companheiro de caminho”,
dizendo que muitas vezes se tem medo do Espírito Santo.
Um padre mexicano, em nome dos representantes da América Latina, perguntou como salvaguardar o equilíbrio integral do sacerdote ao longo de todo o percurso de vida.
Francisco respondeu sublinhando a importância da “formação humana” do presbítero. Ou seja, é preciso
- ser “pessoas normais”, humanas,
- “capazes de se alegrar com os outros”,
- de rir e de ouvir em silêncio a um doente,
- de consolar com uma carícia.
Em suma, é preciso
- ser “pais”, fecundos,
- capazes de dar vida aos outros,
- não “funcionários do sagrado”
- ou “empregados de Deus”.
Dos Estados Unidos, um diácono perguntou
- quais são as características da espiritualidade do sacerdote diocesano,
- que, portanto, não se volta aos ensinamentos de um fundador (como fazem os Religiosos, com o carisma de seu fundador – NdR).
Para Bergoglio, a resposta está toda em uma palavra: “diocesanidade”, que significa que o sacerdote deve cuidar da relação
- com o próprio bispo, mesmo que seja alguém um pouco difícil,
- com seus irmãos, presbíteros
- e com as pessoas da sua paróquia, que são seus filhos.
O papa tem certeza disso: “Se vocês trabalharem nessas três frentes, você se tornarão santos”.
Cuidar da formação humana
A última pergunta feita ao Papa, foi de um sacerdote das Filipinas, sobre a formação permanente.
O Papa recomenda
- cuidar da própria formação: humana, pastoral, espiritual, comunitária.
- E diz que a formação permanente nasce da consciência da própria fraqueza.
- É importante conhecer os próprios limites.
Então, imersos na cultura contemporânea, perguntar-se sobre
- como se vive a comunicação virtual,
- como se usa o próprio celular,
- preparara-se para enfrentar as tentações sobre a castidade – que virão, disse o Papa –
- e depois cuidar-se do orgulho,
- da atração pelo dinheiro,
- pelo poder
- e pelo conforto.
