EUA estão a ponderar medidas contra o sector petrolífero do país, uma opção que pressionaria como nenhuma outra Caracas, mas que agravaria a situação econômica no país.
“…esta situação “geraria o ressentimento dentro da Venezuela contra os EUA”, a quem há muito Maduro acusa de ser responsável pelos males económicos do país, fragilizaria a oposição interna, e “iria provavelmente causar uma maior aproximação entre a Venezuela, a Rússia e a China”.
Nicolás Maduro não recuou, fazendo eleger uma assembleia para mudar a Constituição, e a pressão internacional que até aqui se fazia sobretudo de palavras começa a passar aos actos. A Administração norte-americana deu o mote e outros países mobilizam-se para adoptar sanções contra o regime venezuelano – medidas que quanto mais duras mais riscos comportam.
As já aprovadas
Vários observadores duvidam, no entanto, que estas medidas sejam suficientes para convencer Caracas a inverter caminho, ainda que possam ser adoptadas por outros países. E muitos consideram-nas mesmo contraproducentes. “Ampliar a lista de funcionários sujeitos a sanções acabará por ajudar o governo de Maduro a fortalecer o seu círculo próximo”, disse à AFP David Smilde, perito do Gabinete para os Direitos Humanos na América Latina (WOLA).
As sanções dolorosas
Fora da equação parece estar um embargo à compra de crude venezuelano – “a opção nuclear”, segundo o Financial Times – pelos efeitos catastróficos que teria sobre a economia do país, a braços com uma crise sem comparação na história recente da região, podendo também fazer subir o preço dos combustíveis nos EUA.
Mas há várias outras “armas” de que Washington se pode servir para pressionar o regime de Maduro, incluindo vários tipos de acções contra a petrolífera estatal PDVSA, que detém aliás duas refinarias no golfo do México. Já esta semana, a Reuters noticiou que a Administração Trump está a equacionar proibir transacções em dólares à petrolífera venezuelana, o que afectaria de forma drástica as suas exportações e privando Caracas de reservas na moeda americana.
Qualquer destas opções teria pesado impacto sobre a população. “A Venezuela está numa situação tão delicada que pode passar-se da crise humanitária a uma tragédia humanitária se as sanções forem muito duras”, disse ao jornal El País Francisco Rodríguez, venezuelano que é economista-chefe de um fundo de investimento americano. Smilde acrescenta que esta situação “geraria o ressentimento dentro da Venezuela contra os EUA”, a quem há muito Maduro acusa de ser responsável pelos males económicos do país, fragilizaria a oposição interna, e “iria provavelmente causar uma maior aproximação entre a Venezuela, a Rússia e a China”.
A pressão dos parceiros
Jason Marczak, especialista em América Latina do Atlantic Council disse ao FT que, para o sucesso de qualquer pressão, “o essencial é que qualquer acção dos EUA seja coordenada com os outros governos da região”. A maioria das capitais condenou a votação de domingo e os países do Mercosur podem ser os primeiros a agir – o Presidente da Argentina e principal crítico de Maduro, aumentou a pressão sobre os outros membros para que a Venezuela seja suspensa permanentemente do bloco, por incumprimento da “cláusula democrática”.
O Uruguai tem sido o principal opositor desta medida, mas Maurício Macri acredita que depois de Maduro ter ignorado os apelos do bloco para suspender a votação e dialogar com a oposição, Montevideo não tem argumentos para manter a sua posição. O jornal argentino La Nación diz que cabe ao Brasil, que preside actualmente ao Mercosur, agendar a reunião em que a questão será discutida, o que ainda não aconteceu.
Já a União Europeia tem mantido uma posição prudente – disse que a votação em nada ajudou a pacificação do país e disse ter “sérias dúvidas” sobre as hipóteses de reconhecer a nova assembleia – mas nesta terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, veio exigir abertamente que os 28 adoptem “medidas adicionais restritivas, individuais e específicas” contra os “responsáveis pela situação” no país, acrescentando estar em contactos com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, e os Estados-membros mais renitentes em endurecer a resposta a Caracas.
Ana Fonseca Pereira
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