
Ana Tomás – 25/05/2017
Na Foto: Amina Mohammed – (REUTERS/Mike Segar)
“Sabemos que investir nas mulheres e na agricultura cria milhões de empregos para o nosso povo em África e resolve a pobreza, além de melhorar a qualidade de vida das pessoas”,
– afirmou Jay Nadoo, antigo ministro das Comunicações do executivo de Nelson Mandela, em entrevista à agência Lusa“.
O antigo ministro das Comunicações do executivo de Nelson Mandela, Jay Naidoo, disse, no início deste ano, que a capacitação das mulheres, aliada a uma aposta na agricultura, permitirá acabar com a fome e a pobreza em África.
“Sabemos que as mulheres, quando têm dinheiro, investem na educação e na saúde dos filhos. Sabemos que investir nas mulheres e na agricultura cria milhões de empregos para o nosso povo em África e resolve a pobreza, além de melhorar a qualidade de vida das pessoas”, afirmou, na altura, em entrevista à agência Lusa.
As nove mulheres que estão representadas na fotogaleria em cima refletem as palavras de Jay Naidoo, ainda que o seu trabalho se distribua por outras áreas, que não a agricultura.
Na ciência, na tecnologia, nas empresas, nas comunidades rurais, na ONU, mas também fora do continente africano – em Portugal -, aquelas mulheres mostram que o futuro do seu vasto território, bem como a luta pelos direitos humanos e das mulheres, passa significativamente pelo trabalho que têm vindo a desenvolver.

- Fatumata Djau Baldé (Presidente do Comité Nacional para o Abandono de Práticas Tradicionais Nefastas à Saúde da Mulher e da Criança). Na Guiné-Bissau, Fatumata Djau Baldé é uma das mais ativas defensoras da luta contra a Mutilação Genital Feminina (MGF). Esta prática afeta cerca de 45% das mulheres guineenses e estende-se também às comunidades emigrantes, que, muitas vezes, aproveitam as férias escolares das meninas para as levar às aldeias da Guiné onde a MGF ainda não foi erradicada. Por isso, em 2016, e ex-ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiné Bissau coordenou uma campanha com os aeroportos portugueses e o de Bissau, para sensibilizar e ajudar as autoridades aeroportuárias a identificarem estes casos. (Fotografia: DR)

- Roselyn Silva (estilista): Nasceu em São Tomé e Príncipe, embora viva em Portugal desde os quatro anos. Em 2013 lançou a sua própria marca e a sua primeira coleção, uma mistura de cores e padrões africanos, com um corte moderno, à qual deu o nome de Rose Collection. Um ano depois, para fazer face ao aumento de encomendas, participou no programa de televisão da SIC para empreendedores, ‘Shark Tank’. Conseguiu o apoio de dois investidores e atualmente é apontada por muitos como o rosto da moda africana em Portugal, mas não é só por cá que as suas peças fazem sucesso, tendo já sido apresentadas em Inglaterra, Macau e São Tomé e Príncipe. (Fotografia: Gerardo santos)

- Theresa Kachindamoto (chefe regional do distrito de Dedza, no Malawi). A história desta líder regional do Malawi é verdadeiramente inspiradora. Theresa Kachindamoto conseguiu mudar a vida de várias raparigas e crianças ao impedir o casamento de menores na comunidade que supervisiona. Farta de ver meninas de 12 anos com filhos ao colo, como disse ao canal ‘Al Jazeera’, conseguiu que 50 sub-chefes da sua região assinassem um acordo para proibir o casamento infantil e, nos últimos três anos, anulou mais de 850 matrimónios forçados. Mas não ficou por aqui: fez com que as raparigas fossem à escola e tem lutado para abolir rituais de iniciação sexual de crianças. (Fotografia: Ryan Brown/UN Woman in Flickr Creative Commons 2.0)

- Pili Hussein (empresária/ mineira): É a primeira mulher mineira da Tanzânia, mas essa realidade só foi conhecida há pouco tempo. Quando trabalhou nas minas fazendo-se passar por homem e chegou a fazer 10 a 12 horas por dia. Nunca ficou atrás dos seus companheiros, como faz questão de dizer: “Era muito forte e conseguia produzir o que era esperado de um homem”, afirmou à BBC. O seu disfarce só foi descoberto quando a acusaram de ter violado outra mulher e teve de revelar a sua identidade para provar a sua inocência. Mesmo assim não desistiu das minas. Com o dinheiro das pedras preciosas que encontrou criou a sua própria empresa de mineração, com 70 funcionários. O sucesso financeiro permitiu-lhe ainda garantir a educação de filhos, netos e sobrinhos. (Fotografia: UN Women/Deepika Nath)

- Amina Mohammed (Secretária-geral adjunta da ONU): Era, antes de assumir o cargo de braço direito de António Guterres, ministra do Ambiente da Nigéria e nas Nações Unidas tinha desempenhado a função de assessora especial de Ban Ki-moon para o Desenvolvimento Sustentável. Nesta posição, foi fundamental para a promoção da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. Antes de entrar na ONU, Amina Mohammed fez parte de três administrações seguidas na Nigéria. Nesse período, trabalhou no reforço do setor público e do desenvolvimento sustentável, coordenando intervenções para a redução da pobreza. (REUTERS/Mike Segar)

- Fadumo Dayib (Ativista e especialista em saúde pública): Foi a primeira mulher a concorrer à presidência da Somalia, em 2016. Porém, acabou por retirar a sua candidatura, considerando o processo corrupto, violento e desrespeitoso do estado de direito. Nascida no Quénia e filha de pais Somalis, que foram deportados de volta para a Somália, Fadumo foi obrigada a fugir de novo, desta vez para a Finlândia. Até aos 14 anos de idade, não tinha recebido educação escolar. Hoje, possui vários graus académicos em saúde pública internacional, incluindo um da Universidade de Harvard, e encontra-se a tirar o doutoramento em áreas que abrangem questões relacionadas com as mulheres, a paz e a segurança. É uma das oradoras das Conferências do Estoril, que acontecem de 29 a 31 de maio, no Estoril. (Fotografia: DR/ Página Oficial do Twitter de Fadumo Dayib)

- Naadiya Moosajee (engenheira civil): Na imagem da mão da sul-africana lê-se ‘hope’ (‘esperança’, em português). A palavra foi escrita para assinalar o Dia de Luta Contra Sida, mas esta engenheira tem outras esperanças: aumentar o número de mulheres nas áreas da engenharia. Para isso co-fundou a WomEng, uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo ajudar a formar a nova geração de engenheiras, em África, através de programas educativos e práticos. Para já, a WomEng está presente na África do Sul e no Quénia, mas Naadiya Moosajee quer que ela chegue a todo o continente africano e a outros pontos do globo. (Fotografia: DR/Página Oficial do Twitter de Naadiya Moosajee)

- Abimbola Alale (diretora da Nigerian Communication Satellite Limited): Esta é a mulher que quer pôr a Nigéria no mapa da exploração espacial. Pelo menos, é desta forma que a BBC define Abimbola Alale, diretora da empresa de satélites do país, a Nigerian Communication Satellite Limited, e a única mulher a assumir semelhante cargo numa empresa deste tipo em África, na Europa e no Médio Oriente. Tem 10 filhos, nove deles adotados. (Fotografia: DR)

- Delphine Traoré Maïdou (CEO da Allianz Global em África). Responsável pela Allianz Global Corporate & Specialty, em África, Delphine Traoré Maïdou foi distinguida, em 2017, como CEO do Ano, nos prémios Africa Economy Builders Awards. Natural do Burkina Faso, exerce o cargo de diretora-geral do gigante das seguradoras, desde 2012, em Joanesburgo, na África do Sul. À BBC disse querer ver mais pessoas como ela – mulher e negra – nos lugares de topo das empresas. (Fotografia:DR/Allianz)
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Ana Tomás
Fonte: http://www.delas.pt/estas-mulheres-estao-a-ajudar-a-mudar-africa/
