MJ – Radio Vaticana- 17/02/2017 
Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco enviou uma mensagem, nesta sexta-feira (17/02), aos participantes do encontro dos Movimentos Populares em andamento na cidade de Modesto, na Califórnia (EUA).
A reunião teve início, na quinta-feira (16/02), e foi até sábado, 18
O Papa conta aos participantes do encontro, em Modesto, a Parábola do Bom Samaritano. O contraste entre o “estrangeiro, pagão e impuro” que se inclina sobre um moribundo agredido por assaltantes e cuida dele, e a indiferença do sacerdote e do levita, expoentes ligados ao Templo, que viram as costas ao homem ferido e à lei de Deus que pedia para prestar socorro em casos como esse.
Papa durante encontro com os Movimentos Populares, no Vaticano – em novembro de 2016
Fraude moral
“As feridas causadas pelo sistema econômico que coloca no centro o deus dinheiro e às vezes age com a mesma brutalidade dos assaltantes da parábola foram transcuradas culposamente”, afirma o Papa, denunciando o “estilo elegante usado para desviar o olhar de forma recorrente. Sob a aparência de ser correto na Política ou das modas ideológicas, se olha para quem sofre sem tocá-lo, distante, vendo-o na televisão, e se adota um discurso de aparência tolerante e cheio de eufemismos, mas nada se faz de sistemático para curar as feridas sociais e enfrentar as estruturas que deixam muitos irmãos ao longo da estrada”.
“Trata-se de uma fraude moral que antes ou depois se descobre e dissipa-se como uma miragem. Os feridos existem, são uma realidade. O desemprego é real assim como a violência, a corrupção, a crise de identidade, o esvaziamento das democracias, a crise ecológica”, diante da qual o Papa Francisco exorta povos indígenas, pastores e governantes a “defenderem a criação”, confiando na ciência, mas sem crer na existência de uma “ciência neutra”.
Gangrena
Segundo o Papa, “a gangrena de um sistema não pode ser camuflada eternamente porque antes ou depois se sente o mal cheiro e quando não pode ser mais negada pelo próprio poder que criou este estado de coisas, nasce a manipulação do medo, a insegurança, a raiva, incluindo a indignação das pessoas, e se transfere a responsabilidade de todos os males a um que não está próximo”.
Esta é uma tentação grande que alimenta “este processo social em andamento em muitas partes do mundo” e que para o Papa Francisco “é uma ameaça séria para a humanidade”: a tentação de “classificar as pessoas em próximas ou não” e “aquelas que podem se tornar vizinhas de casa ou não”.
Sofrer com o outro
Jesus ensina outra maneira. Ensina a “tornar próximo daqueles que precisam”, atitude possível se no próprio coração existir “compaixão e capacidade de sofrer com o outro”. A Igreja acrescenta: deve ser “como o dono da pensão ao qual o samaritano confia, no final da parábola, a pessoa que sofre. Os cristãos e todos os homens de boa vontade devem viver e agir agora, porque muito tempo precioso foi perdido sem resolver essas realidades destruidoras”.
“Da participação ativa das pessoas, em grande parte realizada pelos movimentos populares, depende a maneira em que se pode resolver essa crise profunda.”
O Papa repete o que disse no último encontro com os Movimentos Populares: “nenhum povo é criminoso e nenhuma religião é terrorista. Não existe o terrorismo cristão, nem o judeu ou muçulmano”. Enfrentando o terror com amor trabalhamos pela paz e nisso “se encontra a humanidade verdadeira que resiste à desumanização manifestada em forma de indiferença, hipocrisia e intolerância”.
(MJ) – Radio Vaticana