Empresas como Apple, Google e Facebook vão à Justiça contra decreto e defendem a importância dos imigrantes para os EUA
Enquanto a maior parte do país parava para acompanhar o Super Bowl, evento esportivo de maior audiência no ano, uma aliança era formada nos arredores da cidade para tentar frear medidas supostamente nocivas aos negócios dos envolvidos na iniciativa. Segundo o Índice do Silicon Valley, os estrangeiros compunham 37,4% da mão de obra dessas empresas em 2016.
As empresas tecnológicas se somam de maneira específica a um processo judicial contra a medida executiva da Casa Branca que tramita no Estado de Washington, onde fica Seattle, e que tem o apoio da Microsoft, Amazon e Expedia, líderes da economia digital nessa região da Costa Oeste.
Foto: O Facebook, de Mark Zuckerberg, é uma das 97 empresas que veio condenar a medida anti-imigração de Donald Trump Reuters/ROBERT GALBRAITH
As ausências são tão notáveis como polêmicas. Não aparece nenhuma das empresas de Elon Musk (Tesla e SpaceX). Cabe recordar que Musk é o único executivo da nova economia que permanece no conselho econômico do presidente. Chamou a atenção também a não adesão da WeWork, cujos escritórios compartilhados são muito populares na região e já se espalharam por todo o mundo, bem como quatro empresas veteranas que já estão sofrendo críticas e rechaço nas redes sociais: HP – que foi o embrião do Silicon Valley, numa garagem de Palo Alto – IBM, Yahoo e Oracle.
O documento da aliança empresarial, ao qual o EL PAÍS teve acesso, condena o decreto migratório que proíbe temporariamente a entrada nos EUA de cidadãos da Síria, Iraque, Irã, Iêmen, Líbia, Somália e Sudão, mesmo que apresentem vistos ou autorizações de residência.
Aaron Levie, cofundador e executivo-chefe da Box, comentou por email que “este decreto contraria nossos valores como nação. Estamos orgulhosos de nos somarmos a empresas líderes que, como nós, consideram que ele não é constitucional, que é injusto e economicamente nocivo”.
As empresas signatárias salientam a contribuição que os estrangeiros historicamente oferecem ao país que os acolhe. “Os imigrantes fizeram algumas das grandes descobertas, criaram algumas das empresas mais inovadoras e célebres. A América tem um longo histórico em reconhecer a importância de nos protegermos contra quem quer nos fazer mal, mas sempre com um compromisso com a migração”, diz o texto.
Na tarde de quinta-feira, Travis Kalanick, principal executivo do Uber, renunciou ao cargo de conselheiro governamental. As críticas à ligação dele com Trump levaram mais de 200.000 usuários a desinstalarem o aplicativo do Uber. Depois de deixar o cargo, Kalanick enviou uma carta a seus funcionários admitindo que “o decreto prejudica muitas pessoas e comunidades nos Estados Unidos como um todo”.
Na noite desta segunda, a questão migratória deve dominar a entrega do prêmio Crunchie, considerado o Oscar do setor tecnológico. A expectativa é de que os participantes da cerimônia, na Filarmônica de San Francisco, façam discursos contra o presidente e apelos à unidade dentro do setor.
LISTA COMPLETA DE EMPRESAS SIGNATÁRIAS
Aeris Communications
Airbnb
AltSchool
Ancestry.com
Appboy
Apple
AppNexus
Asana
Atlassian
Autodesk
Automattic
Box
Brightcove
Brit + Co
CareZone
Castlight Health
Checkr
Chobani
Citrix Systems
Cloudera
Cloudflare
Copia Institute
DocuSign
DoorDash
Dropbox
Dynatrace
eBay
Engine Advocacy
Etsy
Fastly
Foursquare
Fuze
General Assembly
GitHub
Glassdoor
GoPro
Harmonic
Hipmunk
Indigogo
Intel
JAND and Warby Parker
Kargo
Kickstarter
KIND
Knotel
Levi Strauss & Co.
Lithium Technologies
Lyft
Mapbox
Maplebear and Instacart
Marin Software
Medallia
Medium
Meetup
Microsoft
Motivate International
Mozilla
Netflix
Netgear
NewsCred
Patreon
PayPal
Quora
Rocket Fuel
SaaStr
Salesforce
Scopely
Shutterstock
Snap
Spokeo
Spotify
Square
Squarespace
Strava
Stripe
SurveyMonkey
TaskRabbit
Tech:NYC
Thumbtack
Turn
Twilio
Turn
Uber
Via
Wikimedia Foundation
Workday
Y Combinator
Yelp
Zynga
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Cerca de uma centena de empresas, a maioria tecnológicas, apresentaram exposição em tribunal a condenar a ordem presidencial que trava entrada de imigrantes nos Estados Unidos.
