Os jovens que estavam com o sacerdote que morreu em circunstâncias pouco claras meses atrás escrevem uma carta a Francisco

por MDZ, Nacionais – 06 de dezembro de 2016 | 07:24
A dois meses da morte do sacerdote Juan Viroche na localidade de La Florida na província de Tucumán, o papa Francisco agradeceu a carta que lhe foi enviada por um grupo de jovens que trabalhavam junto com o padre e disse que ela lhe “fez muito bem”.
“Realmente a carta dos jovens foi escrito com o coração. Fez-me bem” – respondeu o Papa ao receber a carta em que os rapazes recordavam Viroche.
Os jovens que fazem parte da Agremiação multi-setorial Juan Viroche enviaram uma carta a Francisco por meio do legislador portenho de Bem Comum e presidente de La Alameda, Gustavo Vera, que no regresso de sua viagem ao Vaticano encaminhou aos jovens a resposta do chefe da Igreja Católica.
Nesta segunda-feira, a partir das 20:00 horas, foi realizada uma nova marcha em La Florida, quando se completam dois meses da morte de Viroche, um caso que está sob investigação e em que um setor afirma que ele foi assassinado por um grupo de narcotraficantes que o próprio sacerdote investigava e outro diz que ele se suicidou.
Esta é a carta enviada pelos jovens ao Papa:
“Nenhum começo é fácil, menos este, em que se trata de falar de você, de contar como você foi e como você é com todos nós … é que temos tanto para dizer, todas as palavras mais belas se juntam para te descrevermos, os adjetivos parecem pequenos para poder definir-te e os verbos não podem conjugar tanta grandeza.
Quando chegaste eras tão singular, eras a diferença bem marcada, saías do estereótipo do padre conservador com estola. Como esquecer esse dia em que te conhecemos, desceste da moto ‘chopera’ e tinhas uma jaqueta de couro, eras um bicho raro, sim eras algo estranho. Escutamos muito o que se dizia do teu aspecto, típico da gente do povo, é esse o pároco? viste como se veste?, não usa batina?.
Mas com o tempo percebemos que você era a revolução, porque chegaste aqui e mudaste-nos todos, juntaste-nos, amontoaste-nos, uniste-nos.
Despertaste-nos! Deste-nos forças, deste-nos oportunidades, deste-nos espaço, deste-nos confiança, e não só essa confiança de que tudo pode mudar … Mas essa confiança de que nós, além de crermos num mundo melhor, o criamos. Deste-nos fé, deste-nos amizade, deste-nos consolo, abraçaste-nos e deste-nos o teu amor. Ensinaste-nos muito através das tuas palavras e através do tempo, ensinaste-nos com o exemplo, com as tuas ações. Fizeste-nos viver o evangelho e levá-lo a todos os lugares, contagiaste-nos com esses anseios de acreditar e de fazer …
Que bela maneira a tua de semear o amor! E aqui estamos todos, sentindo a tua falta todos os dias, com dor, mas também agradecidos a Deus e à vida por nos ter dado a oportunidade de compartilhar com um indivíduo tão único. “Diferente de todos, sacerdote como nenhum, homem sábio, fã do santo, lutador, amante da vida, brincalhão e genioso, contestador, amigo de muitos, padre da gente, das crianças, dos jovens”.
Este homem é, foi e será a imagem fiel de Cristo aqui na terra, o seu olhar nos transmitia luz, fé e esperança; o seu sorriso, o seu humor, que tanto o caracterizava e a tantos contagiava. As suas palavras vinham sempre na hora certa, os seus abraços que faziam uma pessoa recomeçar, que a levantavam e a animavam a olhar para a frente e ver que nada está perdido.
Esses abraços que perfuravam sua alma, chegavam até aos ossos, e curavam; que grande amigo, desses encontram-se muito poucos. Foste o nosso samaritano, limpaste, lavaste e curaste as nossas feridas, levaste-nos para a hospedaria, sim essa hospedaria que era a capela, o grupo de jovens onde ríamos, cantávamos, chorávamos, mas acima de tudo, aprendíamos a extraordinária capacidade de amor e de oferecer esse amor aos outros. Amaste-nos com entrega, com humildade e com paciência. Amor.
Despedimo-nos, embora não seja o que queríamos, gostaríamos muito de continuar falando de você, sim de você, “o padre cura”, acreditamos que com todas as nossas histórias até poderíamos escrever-te um livro, cheio de lembranças e ensinamentos que guardamos como tesouros da alma. “Se alguém quiser saber sobre você, que nos escutem, que nos procurem.
Esta é a verdade sobre Juan, o exemplo mais próximo a Cristo que conhecemos, o homem que revolucionou e transformou a vida de cada jovem, de cada criança, de cada adulto que teve o privilégio de conhecê-lo.
Padre, não estás morto, estás mais vivo do que nunca em nossos corações, não te calaram, somos a tua voz, e vamos levar-te onde quer que vamos, onde quer que estejamos, a todos os lugares, sempre. Fazemos nossas as tuas palavras, com dor mas com segurança, e te dizemos: que o encontro com Jesus nos faça crescer sempre na fé, na esperança e no amor. Um abraço no céu, padre cura.
http://www.mdzol.com/nota/707762-el-papa-conmovido-por-el-cura-viroche/
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