Desejada pelo Papa Francisco em maio, a Comissão de estudo sobre o diaconato de mulheres reuniu-se pela primeira vez no Vaticano, na sexta-feira, 25 de novembro.
Marie Malzac – 27/11/2016
Este debate, sensível e recorrente, remonta ao Concílio Vaticano II que, ao restaurar o diaconado permanente para os homens, relançou a reflexão sobre o diaconato para as mulheres. A Comissão Teológica Internacional (CTI) publicou em 2003 os resultados de seus trabalhos, ao longo de cinco anos, sobre a história e a teologia do diaconato, debruçando-se em particular sobre as diaconisas.
Por que esta comissão sobre o diaconato feminino?
Em maio passado, na presença de centenas de superioras gerais de todo o mundo reunidas em Roma, o Papa Francisco aceitou a ideia de uma comissão para estudar a questão do diaconado de mulheres “especialmente tendo em conta os primeiros séculos da Igreja”.
Alguns meses mais tarde, o Vaticano publicou a lista dos membros desta estrutura composta por seis homens e seis mulheres – duas freiras e quatro leigas. Esta comissão, presidida pelo número dois da Congregação para a Doutrina da Fé, Mons. Luis Francisco Ladaria, não tem um mandato com tempo determinado e portanto se reunirá quantas vezes for necessário.
Em que ponto se encontra a Igreja na questão do diaconato feminino?
Este debate, sensível e recorrente, remonta ao Concílio Vaticano II que, ao restaurar o diaconado permanente para os homens, relançou a reflexão sobre o diaconato para as mulheres. A Comissão Teológica Internacional (CTI) publicou em 2003 os resultados de seus trabalhos, ao longo de cinco anos, sobre a história e a teologia do diaconato, debruçando-se em particular sobre as diaconisas.
A possibilidade de uma restauração do diaconato feminino tropeça principalmente na questão da ordenação. A questão de saber se as mulheres diaconisas recebiam uma ordenação ou uma bênção na Igreja primitiva continua em debate. A CTI não decidiu e concluiu em 2003 que cabia “agora ao Magistério pronunciar-se com a sua autoridade sobre este assunto”.

Diaconisas na Igreja primitiva
Qual foi o papel das diaconisas na história?
Mulheres ‘diakonos’ são mencionadas no Novo Testamento e nas fontes da Igreja primitiva no Oriente, em particular na Síria e em Constantinopla. Na época em que o batismo era praticado por imersão total, só as mulheres podiam presidir os batismos das mulheres. Elas também visitavam os doentes. “No entanto, o seu ministério não é comparável ao dos diáconos de hoje em dia” – pondera Mons. Roland Minnerath, arcebispo de Dijon (Côte d’Or), que na época tinha participado do trabalho da CTI. Nessas fontes, ” nunca se vê por exemplo elas terem um papel na liturgia ou pregando”.
A abordagem histórica da comissão levanta uma questão metodológica, “a do lugar dos argumentos históricos numa decisão pastoral”, tendo em conta que “a Tradição não é o acúmulo de arquivos” – afirma o P. Luc Forestier, diretor do Instituto de estudos religiosos do Instituto católico de Paris. Além do mais – acrescenta – o diaconato masculino hoje não é idêntico ao dos primeiros tempos da Igreja.
Quais as perspectivas?
Se “de um ponto de vista histórico, o trabalho já foi feito”, como ressalta Mons. Minnerath, esta é a primeira vez que uma comissão se dedica exclusivamente à questão do diaconato feminino. “Tendo em vista que em quinze anos, a investigação tem avançado nessa matéria” – diz o P. Forestier, citando também o avanços dos estudos de gênero. “Esta contribuição da sociologia permite que se reconsidere o diaconato feminino numa nova perspectiva, com uma nova sensibilidade”.
“De um ponto de vista da metodologia científica, o trabalho histórico deve ser, em qualquer caso, uma primeira etapa, mas ele não permitirá, por si só, concluir o debate” – diz o P. Forestier, para o qual a reflexão deverá também se voltar para o Oriente, onde a prática do diaconato feminino se manteve por vários séculos. Recentemente, o Patriarcado de Alexandria e de toda a África anunciou que quer relançar o diaconato feminino.
Para considerar o acesso das mulheres ao diaconato, seria necessário ainda eliminar obstáculos teológicos. Um Sínodo dos bispos sobre o tema deveria talvez ser convocado, permitindo assim sublinhar a forte dimensão pastoral de tal evolução.
Marie Malzac
Fonte: http://www.la-croix.com/Religion/Le-diaconat-feminin-a-l-etude-a-Rome-2016-11-24-1200805564
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- Diaconisas? Sim. Diáconos? Talvez
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A Igreja Ortodoxa grega de Alexandria decide restabelecer o diaconato feminino
Sábado, 19 novembro de 2016
Alexandria do Egito (Agência Fides)
Foto: A Dioaconisa Febe, da Igreja de Cêncris, de quem Paulo diz, em Romanos, 16, 2: “que tem ajudado a muitos e também a mim…”
O Sínodo do Patriarcado greco-ortodoxo de Alexandria e de toda a África, realizado no Centro patriarcal de Alexandria do Egito, de 15 a 17 novembro, sob a presidência do Patriarca Theodoros II, decidiu restaurar o instituto do diaconato feminino, e nomeou uma comissão de bispos “para uma análise aprofundada da questão”.
É o que referem fontes oficiais do Patriarcado ortodoxo de Alexandria. Quem apresentou à Assembleia sinodal um relatório sobre o possível papel das diaconisas na obra missionária foi o Metropolita Gregorios de Camarões. No comunicado final da Assembleia sinodal, que chegou à Agência Fides, os membros do Sínodo do Patriarcado greco-ortodoxo de Alexandria quiseram salientar que “as diferentes abordagens dos problemas da vida da Igreja não são para nós desvios da verdade ortodoxa, mas representam a adaptação à realidade africana”.
A discussão sobre a possível restauraçaão da ordenação diaconal feminina e sobre o papel eventual das diaconisas nas atividades pastorais e na animação missionária já vem ocorrendo há tempos dentro das instituições teológicas da Ortodoxia Calcedônica.
O Papa Francisco, em agosto passado, criou uma comissão de estudo sobre o diaconato das mulheres, presidida pelo arcebispo jesuíta Luis Francisco Ladaria Ferrer, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé.
“Na minha opinião” – disse há poucos dias o Arcebispo Ladaria Ferrer a Ancora online – “o Papa quer neste momento fazer um estudo objetivo, não para chegar a uma decisão, mas para estudar como eram as coisas nos primeiros tempos de Igreja “. (GV) (Agência Fides 19/11/2016).