Os vídeos do suposto ataque químico a Ghuta form usados como argumento para legitimar o envolvimento da comunidade internacional na guerra civil síria.

José Vieira – Lisboa, 26/09/20016
A situação na Síria está realmente confusa. Qual a versão verdadeira?
- A do Presidente Assad, ditador e bombardeador de seu povo?
- a dos Americanos sedentos de petróleo do Médio Oriente e Ásia Central, e de vender armas aos árabes, empoderando sempre mais Israel?
- a dos Russos, que não querem perder sua influência geopolítica e econômica na Região?
- a dos Curdos, milhões sem pátria espalhados pela Síria, Turquia, Iraque?
- a dos jihadistas e sobretudo do Estado Islâmico, com sua barbárie horrorosa e explícita? – (Nota da Redação)
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Os meios de comunicação social apresentam o governo sírio e a Rússia como os maus da guerra civil que envolve o país há mais de quatro anos com um saldo horroroso: 250 mil mortos e 11 milhões de deslocados interna e externamente.
Que o Exército Livre da Síria e os Estados Unidos são os bons da fita, porque combatem o regime iníquo de Bashar al-Assad que usou armas químicas contra a população civil de East Ghuta (nos arrabaldes de Damasco) a 21 de agosto de 2013, matando muitas crianças.
Que Assad e os russos bombardeiam colunas de camiões do Crescente Vermelho com ajuda humanitária e destroem a cidade de Aleppo, a segunda maior do país e a mais importante em termos económicos.
Freiras católicas que vivem na Síria contradizem a narrativa oficial! E deixam-me confuso…
A Ir. Guadalupe, uma missionária argentina que vive na Síria, revelou num encontro público em Espanha que as manifestações de apoio a Assad no início da guerra civil foram reportadas pelos media estrangeiros como sendo contra o presidente.
- Que a oposição ao regime sírio é liderada por jiadistas estrangeiros que, à boleia da Primavera árabe, tentam depor Assad.
- Que a Síria era um país com elevados níveis de bem-estar e harmonia social antes da guerra civil, apesar de ser uma ditadura,
- e que os jiadistas estrangeiros arruinaram o país, vestindo a pele de vítimas da guerra civil.
- Que os grupos muçulmanos que combatem Assad têm uma agenda secreta: acabar com os cristãos na Síria.
A Ir. Myri, uma monja portuguesa a viver num mosteiro de Qara, na Síria, fala dos russos como os amigos dos sírios e dos cristãos, que os defendem do fundamentalismo islâmico e da matança dos cristãos.
A Ir. Agnes Mariam, uma monja católica libanesa da Ordem da Unidade de Antioquia superiora do Mosteiro de Qara, na região de Homs, no centro da Síria, publicou um estudo a denunciar
- que os vídeos do ataque químico a Ghuta são falsos.
- Que as crianças supostamente gaseadas por Assad foram mortas pelos radicais muçulmanos noutro ponto do país e usadas para fins de propaganda.
- Que nas imagens só aparecem crianças – as mesmas em localidades diferentes e em posições diferentes, mas com as mesmas roupas.
- Que nos vídeos só aparecem homens adultos (supostamente jiadistas) não representando o fabrico social do país.
- Que algumas imagens são do Egito.
Alguns sectores acusam a monja de ser pró-presidente Assad e sua propagandista, o que ela desmente.
Alepo destruída
Os vídeos do suposto ataque químico a Ghuta form usados como argumento para legitimar o envolvimento da comunidade internacional na guerra civil síria.
Fazem-me lembrar a evidência que o general Colin Powell aprestou na ONU em 2003 sobre as capacidades nucleares e químicas do Iraque – que eram puras fabricações mas serviram (e bem) para justificar a invasão do país, matar Sadam e deixar a região numa grande confusão.
O último rebento da crise do Iraque é o Estado Islâmico ou Daesh, que nasceu e cresceu numa área não controlada pelas forças do governo e depois apanhou a estrada da Síria.
Por detrás da propaganda sobre a guerra civil síria há também uma possível conspiração escatológica: diz-se que os cristãos radicais americanos apoiam a fortalecimento de Israel através da destruição dos países vizinhos para apressar a última vinda do Messias.
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José Vieira
Superior Provincial dos Missionários Combonianos em Portugal, jornalista e radialista, trabalhou vários anos no Sudão Sul
Fonte: http://www.combonianos.pt/cgi-bin/getfromdb.pl?nid=EuZullZpyppnxrkcnP
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