A União Europeia está assolada por uma série de crises. A resposta eficaz para as mesmas não reside em ceder ao pessimismo, tolerar ou aumentar a fragmentação e aceitar o derrotismo. Nem pode ser encontrado o problema na negação e adiamento da solução. A Europa merece um diagnóstico correto.
Eu espero, e estou convencido de que a próxima cimeira informal em Bratislava dará início ao processo de identificação daquilo que correu mal na UE e à definição do género de UE que queremos ter e construir após a saída do Reino Unido. Também deve mostrar alguma luz no caminho e esboçar a direção que queremos seguir. Aspetos que queremos melhorar. Reformas que estamos dispostos a fazer. Espero que a cimeira inicie o processo do renascimento da Europa – de outra maneira teremos de lutar pela sobrevivência da UE.
Na qualidade de promotora da positiva agenda europeia, a presidência eslovaca da UE gostaria de que a cimeira se focasse sobretudo nos problemas e projetos que nos unem em vez de nos dividir. Nós não devíamos acabar num círculo vicioso e interminável de discussões sobre os problemas da UE.
Nós queremos evitar que o ceticismo assuma o controlo do estado de espírito na Europa. Muito pelo contrário. Nós devemos enviar uma mensagem clara aos nossos povos e ao mundo de que a UE dos 27 é ainda forte, unida, capaz de chegar a acordo e pronta para oferecer melhorias nas vidas dos cidadãos.

O foco deve ter lugar no que mais preocupa os europeus. A segurança em todas as suas formas, segurança económica, segurança nos empregos, segurança social, segurança interna e terrorismo, bem como segurança ambiental. A emigração – como geri-la de uma forma sustentável e a longo prazo.
O défice de comunicação entre as instituições da UE e os cidadãos, particularmente a população jovem, deve ser também abordado. As pessoas sentem que já não beneficiam das políticas da UE. Todos nós precisamos de trabalhar arduamente para voltar a ganhar a confiança e o seu apoio para a ideia europeia. Linguagem burocrática complicada não nos levará lá. (Nem a falsa correção política). A UE, as suas instituições e os seus líderes devem adotar e utilizar linguagem clara e percetível quando falam com os cidadãos.
A cimeira é aguardada com elevadas expectativas. Os preparativos estão nas mãos do Conselho Europeu. Contudo, como um mediador justo, a presidência eslovaca deseja contribuir para um ambiente e resultado positivos da cimeira. Muitas reuniões já tiveram lugar até agora para assegurar a suavidade dos procedimentos e a agenda ambiciosa e credível da cimeira. Visionária e concreta ao mesmo tempo.
A cimeira deve resultar na identificação clara das questões-chave mais importantes com as quais devemos lidar nas próximas semanas e meses e delinear as medidas a tomar. Deve também marcar um ponto final no jogo de culpa mútua. Ao invés, deve dar ênfase à importância da empatia, à vontade de ouvir os outros e à capacidade de compromisso.
A cimeira não será um evento isolado. Desta vez temos de ser pacientes porque soluções rápidas não funcionarão. Bratislava será apenas o início. O início de um processo de reflexão mais profundo levando a uma nova visão que reforça os pontos fortes da UE e elimina as suas fraquezas. Esperemos que na cimeira de março de 2017, o marco do 60.º aniversário dos Tratados de Roma, a UE dos 27 seja capaz de oferecer esta visão.
Acredito fortemente na UE e, apesar de alguns dos seus defeitos, é o melhor projeto de paz na história da humanidade e ainda uma fonte de inspiração e aspiração global. Estou certo de que, se virmos as nossas falhas passadas como uma oportunidade de melhorar as coisas, o sucesso chegará. E eu espero verdadeiramente que Bratislava inicie um processo através do qual uma nova entusiasta, clara, percetível e ainda mais unida União Europeia ganhará vida.
Ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslováquia