Pe. João Bosco Penido Burnier, SJ

O Brasil reconhece o assassinato do Padre João Bosco Burnier como crime político, depois de 33 anos. No último dia 19 de Abril, dia do índio, o Estado brasileiro reconheceu, com 33 anos de atraso, que o Pe. João Bosco, assassinado em 1976 por um policial foi vítima de um crime político.

O Pe. João Bosco Penido Burnier, baleado na nuca por um policial em outubro de 1976 quando defendia duas mulheres que eram torturadas em uma delegacia de Ribeirão Bonito, Alta Cascalheira (MT), em plena ditadura militar (1964-1985).

O Pe. Burnier estava na delegacia ao lado do hoje bispo emérito da cidade de São Félix do Araguaia (MT), o espanhol Dom Pedro Casaldáliga, que escreveu um livro no qual trata o jesuíta como um mártir.
A ata na qual a Comissão Especial para os Mortos e Desaparecidos Políticos do Ministério da Justiça reconhece que o Pe. João Bosco Burnier foi uma das vítimas do regime militar foi publicada no “Diário Oficial da União” do dia 19 de Abril de 2010.

Segundo a Comissão, o sacerdote “morreu por causas não naturais em dependências policiais por ter participado ou ter sido acusado de participação em atividades políticas”.

O policial que atirou no padre nunca foi processado porque o regime considerou o fato um acidente.
Segundo Dom Pedro Casaldáliga, testemunha do homicídio, quando ambos chegaram à delegacia para defender as mulheres que eram torturadas, o Pe. João Bosco teve uma grande discussão com os policiais e ameaçou denunciá-los na Justiça antes de ser agredido, golpeado na cabeça com um revólver e assassinado com um tiro na nuca.

O bispo emérito relata em um de seus livros que, após a missa de sétimo dia pela morte de João Bosco, a população de Ribeirão Bonito em Cascalheira foi em procissão até a delegacia, arrombou as portas e as grades e libertou os presos.

No local, foi construída posteriormente uma igreja, apesar da oposição da Polícia. Além do livro “Martírio do Pe. João Bosco Penido Burnier” de Dom Pedro Casaldáliga, o Pe. Pedro Américo Maia escreveu a obra “Mártir pela justiça” também sobre a vida do jesuíta assassinado.

Hoje Burnier é nome de uma ONG em defesa dos direitos humanos e de escolas em Minas Gerais e Mato Grosso.

João Bosco Burnier, sacerdote jesuíta, nascido em 11 de junho de 1917 na cidade de Juiz de Fora, foi o quinto de nove irmãos, dois dos quais também se dedicaram à vida religiosa, entre eles o Pe. Vicente Burnier, que foi o primeiro sacerdote surdo do Brasil.

O jesuíta, que se formou em teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, onde foi ordenado padre em 1946, se destacou por sua atuação no país em defesa dos índios e foi um dos membros do Conselho Missionário Indigenista (CIMI), organismo vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Nos últimos anos de vida, o Pe. João Bosco Burnier trabalhou como missionário em Diamantino (MT), onde cuidava de membros das etnias Bakairi e Xavante, cujas línguas ele conhecia e falava

(fonte: WWW.jesuitas.com.br)

Fonte 2: http://elcio.toledo.zip.net/atualidades/

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *