
Sébastien Maillard (Roma), 17/06/2016
Foto: O Papa Francisco na audiência de 25/05/2016
O Papa Francisco pediu, na quinta-feira 16 de junho, que seja aprofundada a preparação para o matrimônio desenvolvendo um “apostolado da escuta”, considerando que a ignorância do compromisso sacramental torna a maior parte dos casamentos “nulos”.
Fazendo eco a um tema já debatido durante o sínodo sobre a família, o Papa Francisco pediu que a preparação para o casamento seja mais aprofundada, pois senão “a grande maioria dos casamentos sacramentais são nulos.” Na transcrição do improviso do papa, o Vaticano escreveu que ele tinha dito “uma parte dos nossos casamentos sacramentais são nulos”, mas na relaidade ele disse “a grande maioria”.
“Eles dizem ‘sim, para toda a vida’, mas eles não sabem o que dizem, porque eles têm uma outra cultura”, observou o Papa, falando de improviso, em 16 de junho, na abertura Congresso eclesial da diocese de Roma, na Catedral de São João de Latrão. “Eles têm boa vontade mas não têm consciência (do sacramento, NDR.)”– prosseguiu ele – descrevendo uma “cultura do provisório” com base na sua experiência pastoral na Argentina.
“As pessoas não sabem o que é o sacramento”
“A crise do casamento é porque as pessoas não sabem o que é o sacramento, a beleza do sacramento. Não sabem que ele é indissolúvel, não sabem que é para toda a vida” – insistiu o Papa Francisco, lamentando a focalização sobre a preparação material do casamento.
[A preparação] para o sacramento exige tempo, do mesmo modo que para as vocações sacerdotais e religiosas. É preciso fazer a preparação “com proximidadde, sem ter medo, lentamente”: “É um caminho de conversão”.
Fazendo assim o elogio da paciência, o papa augurou, tal como durante a recente Jubileu dos sacerdotes, que estes desenvolvam um “apostolado da orelha”: “ouvir, acompanhar”.
Como em outras ocasiões, ele lembrou que, quando era arcebispo de Buenos Aires, ele tinha proibido sempre os casamentos durante a gravidez, porque nesse caso a pressa para se casar antes do nascimento, para ficar “socialmente em regra” impedia que o sacramento fosse livremente consentido – o que é uma causa de nulidade.
“Tanta fidelidade na coabitação”
Sempre apoiando-se em exemplos da Argentina, o papa também observou, sem julgar, que a maioria dos casais que se apresentravam à preparação para o casamento já viviam juntos.
“Não dizer imediatamente ‘Por que não se casa na igreja’ ” – recomendou ele aos numerosos sacerdotes presentes. “Não,
- acompanhá-los,
- esperar
- e fazer amadurecer a fidelidade”.
“Não obstante, em verdade, eu digo que eu vi tanta fidelidade nessas coabitações, tanta fidelidade”, observou o ex-arcebispo de Buenos Aires.
“Estou certo de que este é um verdadeiro casamento, eles têm a graça do casamento justamente pela fidelidade que eles têm”.
Comentários que fazem lembrar o convite a discernir os elementos positivos das coabitações, feito durante os dois sínodos sucessivos sobre a família, em 2014 e 2015, e retomado na exortação pós-sinodal do Papa este ano, Amoris laetitia.

Sébastien Maillard
Correspondente de “La Croix” em Roma