Papa Francisco na abertura do Congresso eclesial diocesano de Roma – ANSA 16/06/2016
Cidade do Vaticano (RV) – “Cada um de nós teve uma experiência de família. Em alguns casos brota a ação de graças com maior facilidade que em outros, mas todos passamos por esta experiência”: disse o Papa Francisco na noite desta quinta-feira (16/06), na Basílica de São João de Latrão, abrindo o Congresso eclesial da Diocese de Roma.
“Nossas famílias, as famílias em nossas paróquias com seus rostos, suas histórias, com todas suas complicações, não são um problema, são uma oportunidade”, ponderou. Oportunidade que nos desafia a suscitar uma criatividade missionária capaz de abraçar todas as situações concretas, em nosso caso, das famílias romanas, acrescentou.
“Isso nos impõe sair das declarações de princípio para adentrar-nos no coração palpitante dos bairros romanos e, como artesãos, colocarmos a plasmar nessa realidade o sonho de Deus, o que pode ser feito somente pelas pessoas de fé, aquelas que não fecham a passagem à ação do Espírito.”
“Refletir sobre a vida de nossas famílias, assim como são e como se encontram, nos pede para tirar nossas sandálias para descobrir a presença de Deus”, frisou o Pontífice.
Como segunda imagem bíblica Francisco tomou a do fariseu, quando rezando dizia ao Senhor: “Ó Deus, eu te dou graças porque não sou como os outros homens, ladrões, injustos, adúlteros, e nem mesmo como este publicano (Lc 18,11).
O Papa advertiu para a tentação de se ter uma lógica separatista. “Cremos ganhar identidade e segurança toda vez que nos diferenciamos ou nos isolamos dos outros, especialmente daqueles que estão vivendo numa situação diferente”, observou.
“Todos precisamos converter-nos, todos precisamos colocar-nos diante do Senhor e renovar sempre a aliança com Ele e dizer com o publicano: meu Deus, sede propício a mim, pobre pecador.”
Com esse ponto de partida, observou Francisco, permanecemos incluídos na mesma “parte” e nos colocamos diante do Senhor com uma atitude de humildade e de escuta.
Voltando-nos para a misericórdia colocamo-nos diante da realidade de modo realista, não porém com um realismo qualquer, mas com o realismo de Deus, continuou o Santo Padre.
“Não se trata de não propor o ideal evangélico, pelo contrário, convida-nos a vive-lo no seio da história, com tudo aquilo que comporta”, observou Francisco acrescentando que “isso não significa não ser claros na doutrina, mas evitar cair em juízos e atitudes que não assumem a complexidade da vida”.
A terceira e última imagem Francisco tomou-a do livro do profeta Joel (3,1): “Os anciãos terão sonhos proféticos”. Francisco disse querer com essa imagem ressaltar a importância que os Padres sinodais deram ao valor do testemunho como lugar em que se pode encontrar o sonho de Deus e a vida dos homens.
Nos sonhos dos nossos anciãos muitas vezes reside a possibilidade que os nossos jovens tenham novas visões, tenham novamente um futuro, um amanhã, uma esperança. (RL)