
Além do governador do MA e ex-presidente da Ajufe, outros juristas, advogados e professores participaram do encontro com Dilma, em defesa da democracia .
O governador do Maranhão e ex-presidente da Associação Nacional de Juízes Federais (Ajufe), Flávio Dino (PCdoB) – clique, veja e ouça – , afirmou que juiz não pode usar a toga para fazer política, porque essa atitude pode destruir o Poder Judiciário. A declaração foi dada durante o ato dos Juristas pela Legalidade e em Defesa da Democracia com a presidenta Dilma Rousseff, nesta terça-feira (22).

“Judiciário não pode mandar carta para passeata. E se o juiz, o procurador, quiser fazer passeata: há um caminho. Basta pedir demissão do cargo. Aliás, quero dizer que adoro fazer passeata. Mas não use a toga para fazer política porque isso destrói o Poder Judiciário”, afirmou.
“Estamos assistindo a um crescimento dramático de posições de porte fascista no nosso País, representada pela violência de grupos inorgânicos sem líderes e em busca de um ‘fuhrer’, de um protetor. Ontem, as Forças Armadas. Hoje, a toga supostamente democrática e imparcial”, disse.
Para Dino, “a maior corrupção que pode existir em uma sociedade é a desigualdade, é a injustiça social”. “Por isso, aqueles que pretendem combater apenas a corrupção do estado, que deve ser combatida, na verdade pretendem proteger os seus privilégios, de classe, de casta”, enfatizou.
“É algo que para nós é muito básico hoje: não tem democracia nenhuma se não houver limite constitucional, respeito à própria Constituição; também, não tem democracia nenhuma sem respeito às minorias. Esses dois conceitos hoje se imbricam e se requerem reciprocamente”.
O encontro dos juristas, segundo ele, não se resume a uma defesa do governo. A importância reside em mostrar a necessidade do respeito às instituições democráticas. “É a Constituição que está em risco se uma maioria puder fazer o que quiser, quando quiser, a hora que quiser e com o apoio de imprensa que tem tido. A democracia requer também limites, respeito a processos: ninguém pode ser pré-julgado, condenado previamente”.
Esta visão é compartilhada pelo subprocurador-geral da República, João Pedro de Sabóia de Mello Filho. “A importância desse encontro não está, ao meu ver, no apoio a um determinado presidente, a um determinado partido ou mesmo a uma determinada forma de governo. A importância desse encontro reside na defesa do Estado de direito ameaçado”, afirmou.
“Enfim, estamos tendo a impressão de que os processos, tanto o jurídico quanto o político, estão sendo manipulados com a finalidade claramente eleitoral de colocar no governo pessoas que vão fazer um retrocesso nas conquistas dos mais pobres”, disse o subprocurador.
- “Querem flexibilizar a legislação trabalhista,
- querem acabar ou pelo menos diminuir significativamente programas sociais, enfim,
- querem que o pobre fique eternamente passando fome.
Ora, isto, nós que lutamos pelo direito como instrumento de justiça social, não vamos assistir de braços cruzados”.
Advogada membro da Rede de Advogadas e Advogados Populares, Camila Gomes também discursou no ato em defesa da democracia. “A arbitrariedade do sistema policial e jurídico, tão conhecida pelos mais pobres, perdeu a vergonha. Fomentada e aplaudida pelos meios de comunicação, deram início a uma tentativa de golpe”, afirmou Camila.
“Portanto, não é ser contra uma operação policial e uma atuação judicial contra a corrupção. É ser contra a parcialidade, a ilegalidade e a inconstitucionalidade de parte dessas operações, que procuram, de maneira parcial, tornar um grupo desprezível e outro, glorificado”, declarou Neves.
Por Luana Spinillo, da Agência PT de Notícias