Na próxima segunda-feira, diante de representantes dos povos indígenas, o bispo de Roma oferecerá uma missa no Estado com a menor população católica no país e com a problemática de ser uma zona de passagem de migrantes
Autor: Gaspar Romero – 09/02/2016
Foto: Em Chiapas, o Estado com a menor população católica, o papa conhecerá os abusos que sofrem os indocumentados.
Tradução: Orlando F R Almeida
Tuxtla Gutierrez
O Arcebispo Fabio Martínez Castilla afirmou que o papa Francisco encontrará em Chiapas um povo que sofre e precisa de consolo, iluminação e, acima de tudo, esperança, “mas também vai encontrar um povo bem disposto a dar-lhe atenção. Creio que é por isso há tanta esperança em nós”.
Na segunda-feira próxima, o Papa oficiará uma missa diante de milhares de indígenas em San Cristóbal de las Casas, onde 75% da população (11 milhões de pessoas) pertencem a povos indígenas, além de ser uma zona em que prevalecem altos níveis de pobreza e marginalização.

Vista de Tuxtla Gutiérrez
Espera-se que uma parte da mensagem seja também dedicada aos migrantes, outro dos setores vulneráveis que enfrentam o dia a dia em Chiapas.
Além disso, o Papa Francisco chegará a uma unidade federativa com 76,2% de sua população vivendo em condições de pobreza, ou seja, cerca de quatro milhões de habitantes, segundo dados do Conselho Nacional de Avaliação da Política de Desenvolvimento Social (CONEVAL).
Martínez Castilla acrescentou que, durante o encontro de 15 de fevereiro com indígenas e famílias em Chiapas, o Papa Francisco vai suscitar um novo despertar em todos, porque ele “constrói a partir da bondade que há em cada povo e, neste caso, somos um povo com novo despertar para o Estado de Chiapas”.
Não obstante, o arcebispo de Tuxtla Gutiérrez afirmou que a visita papal não é para mudar a realidade de um povo ou de um Estado, porque não é uma situação com que Deus tenha a ver, “mas que existe por culpa de nós que estamos vivos e é por isso que o Papa nos vem dizer que não basta falar, mas sim comprometer-se. Santo Antônio de Pádua dizia que é hora de se calarem as palavras e falarem as obras; isso é para todos”.
Esta unidade federativa de 4.796.580 de habitantes é a que menos católicos tem entre todos os Estados do país: 58,3% de sua população (2.796.685 pessoas) é católica, enquanto que a média nacional é de 83%. Assim, 41,7% dos “chiapanecos” não é católica.
Para Checheb Ibrahim, líder dos muçulmanos de Chiapas, a visita de Francisco a San Cristóbal e Tuxtla Gutiérrez contribuirá para a paz e a tolerância entre as diferentes religiões.
“No nosso Estado é preciso trabalhar na tolerância, porque existem comunidades em que se refletem as diferenças religiosas. Temos sabido de casos em municípios como Las Margaritas, La Trinitaria e outros onde os ânimos se confrontam por professar uma religião diferente”.
“Os povos do Estado devem ficar atentos à visita, ouvir a profundidade da sua mensagem, que deve ser a da paz. Seria muito bonito que voltasse a prática da paz nesta sociedade” – acrescentou.
A população católica no Estado – diz por sua vez Fabio Martínez Castilla, está inquieta, mas “ele (o papa Francisco) quer que sejamos uma população católica que viva em Cristo. Assim, não importa a matemática, mas sim o ponto de vista religioso, e temos de escutá-lo com os ouvidos e o coração”.
O arcebispo de Tuxtla Gutiérrez assegura que o Papa não virá falar de outra coisa que não seja o Evangelho. “O Papa está centrado no Evangelho. Não vem para falar-nos de tendências, mas do encontro com Jesus, que é o que muda a vida”.
De todas as partes
No encontro de Francisco com povos indígenas no território de Chiapas está confirmada a presença de representantes de etnias do país como mazahuas, otomies, maias, quetzales, nahuas, mazatecos, kanjobales, purépechas, zapotecos, triquis, cuicatecos, mixtecos, totonacos, mixes, quichés, chontales, choles de Tabasco, tiquisistecas de Tehuantepec, tlapanecas de Tlapa, otomíes do Estado de México, chinantecos, mazatecos e zoques, entre outros.
O sacerdote mexicano Guillermo Gutierrez, que serve no Conselho Pontifício para a Família do Vaticano, disse no início de fevereiro que o Santo Padre lembrará em Chiapas a “dívida histórica” do México para com os indígenas, quando visitar San Cristóbal de las Casas, uma das zonas que qualificou como “das mais protestantizadas” do país.
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San Cristóbal de las Casas
Para o pesquisador da Universidade Autônoma de Chiapas e da Universidade Intercultural de Chiapas, Fernando Gópez, é um estímulo, um encorajamento e um incentivo para os povos e comunidades que o Papa Francisco tenha autorizado o uso das línguas indígenas na missa em San Cristóbal de las casas.
No domingo passado, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, informou que o Papa vai entregar uma autorização oficial para o uso das línguas indígenas na liturgia católica, missas e outras cerimônias.
Trânsito de alto risco
O sacerdote mexicano Guillermo Gutiérrez disse que o Papa “(abordará) também o tema dos migrantes, de toda esta gente que precisa deixar sua terra para buscar melhores oportunidades, deixando a própria família e a própria cultura. O México não é só exportador de migrantes, mas também receptor”.
Ramón Verdugo, de crença evangélica, afirmou que as taxas de prostituição de menores na zona de Tapachula não diminuíram, mas crescem ano a ano, quando se trata de meninos e meninas que vêm de países da América Central, quer sozinhos quer acompanhados, quando são obrigados a parar em território de Chiapas, onde sofrem abusos e todo o tipo de violações de seus direitos.
Paralelamente a isso há ainda a presença de gangues ou ‘Mara Salvatruchas’ que exploram sexualmente os menores.

‘Mara Salvatruchas’
Como se fora pouco o assédio destes bandos organizados, os migrantes enfrentam a perseguição nas ferrovias não só das autoridades, mas também de todo o tipo de delinquência.
“Depois, há a questão da violência e do narcotráfico. Não se entende como em um país tão católico e com valores tão arraigados existam todas estas expressões de violência que nos chamam a todos a um exame de consciência” – acrescentou por sua vez o padre Guillermo Gutiérrez.
A visita papal a Chiapas “será uma jornada dedicada aos índios, mas também à fronteira de entrada para os migrantes, porque o México é um grande espaço de passagem do sul e da América Central para o norte” – comentou ainda Lombardi.
Simbólico
O papa Francisco também chegará a Chiapas com uma mensagem especial sobre a importância de viver e preservar a vida em família, que pronunciará em Tuxtla Gutiérrez no mesmo dia.
À sua chegada ao Estado receberá um bastão de mando que lhe entregarão os índios zoque Rosemberg Juárez e Maria Antonia Juárez, que têm 65 anos de casamento.

Gaspar Romero
http://www.excelsior.com.mx/nacional/2016/02/09/1073905
Nota do Tradutor. O segundo parágrafo deste texto [Na segunda-feira próxima…] é confuso e ininteligível: diz que a população indígena é de 11 milhões (equivalentes a 75% da população de…?!). Não pode ser da população do México que hoje deve andar por volta dos 120 milhões … nem muito menos do Estado de Chiapas (cuja população segundo o articulista seria de apenas 4.796.580 habs).
Talvez se refira a toda a região Sul do México (Estados de Campeche, Chiapas, Quintana Roo, Tabasco e Yucatán) cuja população total é de pouco mais de 11 milhões de habitantes.
Se assim for, então o texto correto poderia ser mais ou menos este:
Na segunda-feira próxima, o Papa oficiará uma missa diante de milhares de indígenas em San Cristóbal de las Casas, uma das cidades mais antigas da região mais meridional do México. Esta região (formada pelos Estados de Campeche, Chiapas, Quintana Roo, Tabasco e Yucatán) tem uma população de cerca de 11 milhões de pessoas, dasquais 75% pertencem a povos indígenas, além de ser uma zona em que prevalecem altos níveis de pobreza e marginalização.
