Congresso internacional – Os presbíteros casados estão disponíveis para ser úteis em comunidades onde se partilhem “cargos, responsabilidades, serviços e ministérios às pessoas que considerem mais preparadas e adequadas para cada tarefa, sem distinção de sexo nem de estado”, que possam tornar-se “comunidades abertas, inclusivas, a partir da pluralidade e do mútuo respeito”.
A intenção consta do comunicado final do congresso do Movimento Internacional de Presbíteros Casados que esteve reunido em congresso em Guadarrama (Madrid, Espanha) para debater o tema Presbíteros em Comunidades Adultas.
No comunicado final da iniciativa, os participantes afirmam que as celebrações dos 50 anos do Concílio Vaticano II, que terminaram em Dezembro passado, os incentivam a oferecer a sua experiência e reflexão, “como movimento eclesial e como membros da Comunidade universal dos crentes em Jesus de Nazaré”.
O comunicado justifica: “Na nossa origem está a reivindicação de um celibato opcional para os presbíteros da Igreja Católica do Ocidente: liberdade que deveria ser reconhecida e respeitada não só por ser um direito humano, mas também porque a opção (e não a imposição) é mais fiel à mensagem libertadora de Jesus e à prática milenar das igrejas. Esta posição também está mais intimamente relacionada com o direito das comunidades a estarem providas de servidores dedicados ao seu cuidado, que hoje está insuficientemente satisfeito.”
O movimento recorda que a sua perspectiva inicial, “focada na questão do celibato”, foi ampliada “para aspirar e avançar para um modelo de presbítero, não clerical, e um tipo de Igreja não ferreamente alicerçada num presbítero exclusivamente masculino, celibatário e clérigo”.
No texto, defende-se a ideia de que “o modelo de cristianismo majoritariamente dominante está desfasado” e que é urgente “um novo tipo de Igreja e de comunidades para poder apresentar algo válido, face aos desafios que o ser humano tem hoje pela frente”.
O eixo desse modelo deve ser “a comunidade: a vida comunitária dos crentes em Jesus”. E uma comunidade adulta, que saiba adaptar-se “às exigências culturais do nosso mundo em transformação rápida e constante”, na qual as mulheres não permaneçam afastadas “das tarefas de estudo, de responsabilidade e governo”.
Essas comunidades, acrescenta ainda o texto, não são uma quimera, “mas uma realidade apesar das suas deficiências e dificuldades”, que dá corpo às “intuições e declarações do Vaticano II: vida fraterna, solidária, ecuménica, comprometida com a paz e a justiça com todos os homens e mulheres de boa vontade” que, com o Papa Francisco, “retomaram actualidade e recuperaram a sua cidadania” na Igreja.
O texto do comunicado, com data do passado dia 6, pode ser lido aqui na íntegra.
Fonte: http://religionline.blogspot.com.br/2016/01/presbiteros-casados-disponiveis-para.html