
A reportagem é do jornal L’Osservatore Romano, 21-07-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Acolhidos pelo presidente da República, François Hollande, estão presentes cerca de 40 personalidades do mundo político e religioso. Entre eles, o cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, e o rabino David Rosen, diretor internacional de assuntos inter-religiosos do American Jewish Committee.
“A nossa época – disse Bartolomeu no seu discurso – está enfrentando um desafio único. Nunca antes, durante a longa história do nosso planeta, os homens e as mulheres se encontraram a ponto de tornar possível a destruição do próprio ambiente e da própria espécie.”
Do patriarca ecumênico veio um grito de alerta, mas também um apelo à conversão dos corações, à educação das consciências e à ação comum. “Nunca antes os ecossistemas da Terra se confrontaram com um dano desse porte, quase irreversível. Esse é o motivo pelo qual é nossa responsabilidade enfrentar esse desafio único para cumprir o nosso dever para com as gerações futuras. Por esse motivo, devemos nos comprometer”, exortou o representante ortodoxo, que, no seu discurso, dedicou um parágrafo inteiro ao papel desempenhado pelo Papa Francisco, citando a sua última encíclica, Laudato si’, e definindo-o como “um irmão da alma”.

O patriarca, junto com o pontífice, convida as “Igrejas irmãs de Roma e de Constantinopla” a aprofundarem como espaço de ação ecumênica “o seu empenho comum em favor da nossa casa comum com a oração e a ação”.
O papel das religiões e do cristianismo, em particular, é precisamente o de “transformar” o perigo, através da fé, “em um chamado à conversão dos corações”, continuou Bartolomeu, segundo o qual “é preciso compreender a conversão do ser interior como o ponto de partida para uma conversão exterior. Os cientistas apontam incansavelmente a necessidade de uma mudança radical do nosso estilo de vida, a fim de reduzir as atividades poluentes que influenciam as mudanças climáticas”.
Trata-se – concluiu – de pôr em prática uma “inversão de todo o ser”, que o cristianismo chama de metanoia, e de “examinar constantemente as nossas exigências, a fim de separar o que é cobiça e o que é bom”.
O cardeal Turkson, exortando a “tomar decisões para mudar de rumo”, também disse que está em jogo o futuro do planeta, “nossa casa comum”, e que “o principal obstáculo está no nosso coração”.
No seu discurso, em grande parte dedicado à encíclica Laudato si’, o presidente do Pontifício Conselho Justiça e Pazobservou que, se no passado se utilizava o termo “proteção”, a expressão mais usada pelo papa na encíclica é “cuidado”, que significa “trazer no coração o destino da nossa casa comum. Nada é possível sem um compromisso profundo e pessoal, e, quando o homem traz no coração algo, ele a protege com paixão e empenho. Cometemos erros que aumentaram o desastre ambiental”, e esses erros têm a sua raiz “em uma cultura do consumismo que não levou em conta as consequências que o progresso técnico e tecnológico pode ter”.
![]()
A “Cúpula das Consciências” é uma iniciativa de Nicolas Hulot, enviado especial do presidente da República francesa para a proteção do planeta, da associação Alliance of Religions and Conservation, do grupo editorial Bayard, da R20 (rede de ligação entre autoridades locais e empresas) e do Conselho Econômico, Social e Ambiental.
Os organizadores lançaram uma campanha na internet, Why do I care? (por que eu me importo?), convidando a todos a responder a essa pergunta de acordo com a sua consciência. Na parte da tarde, as personalidades lançaram “O apelo das consciências para o clima”, recordando que, em dezembro, 40 mil pessoas, representando 195 países, se reunirão em Paris por ocasião da conferência da ONU sobre o aquecimento climático.
“Do seu compromisso – afirma-se – vão depender as condições de vida dos nossos filhos sobre a Terra. Acreditamos que é fundamental que as consciências dos homens e das mulheres deste planeta se expressem juntas, independentemente da sua condição, religião, filosofia.”
No seu discurso, Hollande explicou que todos são necessários para chegar a esses acordos. O objetivo “ambicioso” da Conferência de Paris, de fato, é o de alcançar um acordo que possa ser “global”, que possa se aplicar “por toda a parte” e que possa “ser respeitado”.
LEIA MAIS:
- A cúpula das consciências em Paris – IHU – Unisinos
- Hollande sobre a Cúpula de Paris: ”Precisamos de todos”. E …
- Patriarca Bartolomeu I participa da Cúpula das … – IHU
- CÚPULA DAS CONSCIÊNCIAS» PELO CLIMA – Ecclesia
- Mudanças climáticas, estilo de vida e conversão do coração …
- Personalidades do mundo religioso e político debaterão …
- Reunião em Paris sobre aquecimento global consegue …
- Reunião em Paris sobre aquecimento global … – Swissinfo
- Bartolomeu I convida a defender a criação como meta …