
30.06.2015
O economista francês Thomas Piketty, autor do ensaio “O Capital no século XXI”, considerou, esta terça-feira, que expulsar a Grécia do euro é “abrir a caixa de Pandora” e defendeu a imediata reestruturação da dívida grega.
“Os aprendizes de feiticeiro que imaginam que expulsando um membro estão a disciplinar os demais são extremamente perigosos”, assinalou o especialista em desigualdade económica, em declarações à estação de televisão BFM.
“Estamos muito perto de uma grande catástrofe”, disse o economista, professor da Escola de Economia de Paris e próximo do Partido Socialista (PS) francês.
Piketty defendeu uma “reestruturação” da dívida grega como opção mais adequada para superar a crise de liquidez das finanças e apelou ao Presidente francês, François Hollande, que “assuma as suas responsabilidades” nesse sentido.
“A reestruturação da dívida grega não é para amanhã, é para resolver agora”, frisou o economista, que considerou que “deveria fazer-se uma reestruturação dos países perseguidos pela sua dívida, como Itália ou Portugal, ou o conjunto das dívidas da zona euro”.

A receita de Pikkety passa por “excluir uma parte da dívida, como se tem feito sempre na história”.
“Há uma espécie de amnésia e de ignorância históricas por parte dos nossos dirigentes que é absolutamente chocante, porque a Europa construiu-se nos anos 1950, precisamente com o abandono das dívidas públicas do passado, para investir em infraestruturas, em crescimento”, disse Piketty.
O autor de “O Capital no século XXI”, um ensaio que analisa a desigualdade económica na Europa e nos Estados Unidos desde o século XIX, citou especificamente a Alemanha e a França como beneficiários daquelas decisões políticas que fundamentaram a construção do projeto europeu.
“A Alemanha tinha uma dívida exterior considerável, que foi anulada pelas conferências de Paris e de Londres de 1953 e 1954, justamente para investir no futuro, uma vez que os governos anteriores tinham feito coisas muito mais graves dos que os governos gregos em 2009”, assinalou.
FONTE: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=4652982&page=-1